O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu neste sábado, 25, a entrada de Cuba no Fundo Monetário Internacional (FMI). Em pronunciamento na reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional, Mantega afirmou: "Está na hora de abrirmos as portas (do FMI) para Cuba". Cuba se retirou por vontade própria do Fundo em 1964 e não consta que tenha pedido sua reintegração. Mantega também não soube precisar se Cuba deseja ser readmitida no FMI.
"Cuba foi marginalizada de qualquer atividade econômica e hoje não há mais razão para isso", disse o ministro da Fazenda. "Eu não posso falar por Cuba, mas apenas digo que temos de abrir as portas para que Cuba se integre." Além de Cuba, apenas Coreia do Norte, Andorra, Liechtenstein, Mônaco, Nauru e Tuvalu não integram o Fundo.
O ministro apresentou mais exigências para que o Brasil empreste dinheiro para o FMI. Na sexta-feira, Mantega havia dito que o Brasil só entrará com a sua parte se receber em troca títulos com prazo de um ano, negociáveis no mercado, contabilizáveis como reserva e com rendimento superior ao dos papéis do Tesouro americano. Ele acrescentou hoje mais uma condição: que o Brasil defina quais países devem ser beneficiados com os recursos. "Uma parte do dinheiro vai para as mãos do Fundo, que fará a divisão dos recursos, e o restante pode ser direcionado para países emergentes que nós vamos definir", explicou.
"Em vez de dar 100% na mão do Fundo, direcionaremos para os países que quisermos." Ele disse que países com situação financeira mais favorável, como a China, estão tendo esse tipo de atuação regional. O Brasil direcionaria seus recursos para "Uruguai, Paraguai, e outros países sul-americanos".
O ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty, afirmou estar preocupado com a possibilidade de alguns países do Grupo dos 20 não darem o dinheiro prometido para o Fundo. Em Londres no último dia 2, os líderes do G-20 decidiram elevar de US$ 250 bilhões para US$ 750 bilhões o total disponível para empréstimos no FMI.
Apesar das novas exigências, Mantega não acredita em atraso na liberação dos recursos pelo Brasil. "Na reunião com os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) concordamos em aportar recursos no Fundo, mas não da maneira convencional. Queremos um mecanismo novo", disse. Ele voltou a criticar a regra não escrita de que o presidente do Banco Mundial é sempre americano e o diretor-gerente do Fundo é sempre europeu. "O critério deve ser meritocrático."
Mal-estar
Uma declaração do ministro Guido Mantega sobre a exclusão da Espanha das reuniões do G-20 causou mal-estar na delegação espanhola e Mantega teve de se explicar para a ministra das Economia da Espanha, Elena Salgado. Mantega afirmou ser contra a inclusão de países que não são membros do G-20 nas reuniões do grupo. A Espanha tem participado das reuniões como convidada. Ao ser indagado por um jornalista se a Espanha deixaria de ser convidada, Mantega respondeu: "O G-20 está composto por 20 países e ponto".
"É claro que o Brasil gostaria de ter a Espanha do nosso lado, mas não podemos fazer isso, estaríamos violando regras de governança." Em poucos minutos, sites de notícias da Espanha exibiam a manchete: "Brasil fecha a porta do G-20 para a Espanha". Durante almoço do comitê Monetário e Financeiro Internacional, a ministra Elena pediu explicações a Mantega. O ministro afirmou que nunca foi sua intenção dizer que a Espanha, especificamente, não pode entrar no G-20. Segundo ele, o que o Brasil defende é que se defina melhor a governança do G-20.