A Câmara vai investigar a denúncia de que pelo menos três deputados participaram de um esquema de venda de passagens de sua cota aérea para agências de turismo. A denúncia, revelada hoje pela Folha, será incorporada à sindicância aberta pela Casa para investigar suspeitas de mau uso dos bilhetes aéreos pelos deputados.

A sindicância apura a denúncia de que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram vítimas do esquema de venda clandestina de bilhetes destinados aos parlamentares. A investigação está sob responsabilidade de técnicos da área administrativa que vão ter 60 dias para apresentar um parecer. Os técnicos vão analisar se houve desvio de recursos e de conduta dos deputados que teriam comercializado as passagens.

Cinco parlamentares pediram que a sindicância investigue a emissão de passagens pelos seus próprios gabinetes. Segundo os responsáveis pelas investigações, os deputados Otávio Leite (PSDB-RJ), Nazareno Fonteles (PT-PI), Vieira da Cunha (PDT-RS), Nelson Marquezelli (PTB-SP) e João Carlos Bacelar (PR-BA) teriam encontrado nomes de pessoas desconhecidas em suas cotas de bilhetes aéreos. Há suspeitas de que funcionários da Câmara tenham participado da negociação sem o aval dos parlamentares.

Reportagem da Folha afirma que os gabinetes dos deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE), Dilceu Sperafico (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP) emitiram bilhetes aéreos para Paris em nome de pessoas que jamais viram --e que afirmam ter comprado suas passagens em uma agência de viagens de Brasília. Trata-se de um esquema, segundo a Folha, de comercialização de passagens bancadas com dinheiro público, que funciona paralelamente à farra dos bilhetes, na qual congressistas distribuem sua cota para familiares e amigos viajarem a turismo.

A legislação proíbe que a Câmara comercialize passagens ou use agências, sem licitação, como intermediárias. As agências tampouco podem aceitar créditos da Câmara como forma de pagamento para viagens.

Um dos casos ocorreu no dia 28 de janeiro de 2008. Foram lançados simultaneamente no sistema da Câmara, na mesma data e por três gabinetes diferentes --Vadão Gomes, Aníbal Gomes e Dilceu Sperafico--, bilhetes de ida e volta, São Paulo-Paris, em nome de três passageiros: Sérgio Iannini, Ivan Choas e Vinicius Costite.

A Folha localizou dois deles, que confirmaram ter feito a viagem. Os bilhetes do advogado Iannini e do comerciante Choas, entretanto, foram adquiridos na agência de turismo Infinite. Ambos negam conhecer os deputados.