O recebimento de passagens aéreas pelo delegado Protógenes Queiroz, pagas pela Câmara dos Deputados para a bancada do PSOL, foi classificado ontem (20) como ato político pelo deputado e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, (também conhecida como CPI dos Grampos),Marcelo Itagiba (PMDB/RJ),para quem Protógenes necessitaria de uma autorização da própria Polícia Federal para “fazer esse tipo de ação”.

 

O delegado Protógenes Queiroz foi o coordenador da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro da Daniel Dantas, posteriormente solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de apresentar o relatório que incriminou o banqueiro, Protógenes acabou afastado das funções e está sendo investigado em inquérito da própria Polícia Federal por suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Satiagraha para a imprensa. Ele ainda responde a uma sindicância interna para apurar participação em atividade político-partidária, o que é proibido pela instituição.

 

“Para viajar e fazer esse tipo de ação, deve-se ter autorização de superiores. Quando se viaja pelo departamento de Polícia Federal, viaja-se com passagens expedidas pelo departamento de Polícia Federal e com a expedição das devidas diárias. Esta questão me parece muito mais uma questão política do que institucional”, afirmou o deputado. Segundo ele, a emissão de passagens para o delegado por um partido político “não parece o (ato) mais correto e o mais adequado”.

 

Em seu blog, o delegado Protógenes Queirroz se defendeu das acusações de utilizar indevidamente passagens aéreas destinadas pela Câmara ao PSOL, dizendo que é sempre convidado para proferir palestras pelo Brasil e desconhece como essas despesas são pagas.

 

“Sou convidado, com freqüência, para proferir palestras em vários pontos do país, tendo sempre como tema meu trabalho cotidiano, ligado ao combate à corrupção e à criminalidade. Nada cobro e nada recebo por essas palestras além das passagens aéreas e, se necessário, a hospedagem, que são fornecidas por aqueles que fazem o convite. Desconheço por quem ou de que forma essas despesas são pagas”, diz o delegado.

 

Para Protógenes,a notícia de que foi beneficiado com cotas de passagens da Câmara foi fabricada com “o propósito exclusivo de, em defesa do banqueiro condenado Daniel Dantas, criar situações que diminuam a força e energia deste cidadão que exerce o seu munus de natureza pública”.