O novo arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, pediu ontem união de população e autoridades contra a violência no estado. Apesar de afirmar que a Igreja não tem soluções prontas para a questão, o cardeal, que disse se preocupar com o crescimento do crime organizado na Região Metropolitana, cobrou mais eficiência na ação policial e punição para quem comete crimes. “A estrutura tem que ser pouco a pouco melhorada. É preciso acabar com a sensação de impunidade”, afirmou.

 

O arcebispo lamentou a morte da grávida Leslie Lima da Vitória, assassinada durante assalto, sábado, em Maria da Graça, na Zona Norte. A Justiça também foi alvo de sugestões do cardeal, que defende mais agilidade no julgamento de processos e a aplicação de penas alternativas para infrações consideradas leves. “Estamos atentos ainda à população carcerária. Conversei com o vice-governador (Luiz Fernando Pezão) e pedi a ele para que presos primários não sejam misturados com os que estão há mais tempo no crime”, disse Dom Orani.

 

O novo arcebispo criticou ainda a ausência do Estado na cidade ao analisar a atuação de grupos paramilitares. “As milícias se criaram em um vácuo de poder, entraram onde o poder público não estava. Não aconteceu da noite para o dia e levará tempo para serem combatidas”, afirmou.

 

O novo arcebispo promete ainda que a Igreja não vai se limitar a criticar e pretende atuar. Segundo ele, há mais de 3.600 projetos sociais em execução nas pastorais de todo o estado voltados às pessoas carentes e em situação de risco. Ele promete acompanhar de perto o trabalho do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral e realizar parcerias em projetos que podem ajudar a ‘mudar positivamente os valores sociais’ da população. “Tentaremos somar, mas vamos reclamar também, se for preciso”, alertou.

 

No primeiro dia como arcebispo, Dom Orani fez uma solicitação expressa: quer em seu gabinete computador com acesso à internet. O cardeal, que ainda não recebeu e-mail da Arquidiocese e conta apenas com uma mesa equipada com telefone e bloco de papel, promete usar a Internet para acompanhar de perto os problemas do estado e receber críticas e sugestão dos fiéis. Entre outras modernidades, o arcebispo também é adepto do envio de mensagens SMS, pelo celular, para se comunicar com funcionários da Arquidiocese.