Moradores do Largo do Tanque, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, que entraram na Justiça contra a Companhia de Águas e Esgotos (Cedae) e ganharam R$ 1 mil de danos morais vão recorrer da decisão e pedir uma quantia de pelo menos 40 salários mínimos (cerca de R$ 18 mil). Eles se sentiram lesados após descobrir, em agosto, que a água que consumiam vinha de reservatório usado como depósito de cadáveres por bandidos.
Cerca de 10 mil pessoas moram na região e utilizaram água do reservatório. Por enquanto, apenas dois dos 35 moradores que impetraram a ação foram contempladas com a indenização, mas os demais devem receber o mesmo benefício por jurisprudência.
Uma das que conseguiram a indenização, a aposentada Maria de Lourdes Monteiro, 70 anos, disse que o prejuízo foi muito maior: "eu não bebo nem cozinho mais com a água da Cedae, todo dia compro água mineral. Já gastei uma fortuna".
O diretor jurídico da Cedae, Leonardo Espíndola, disse que a empresa também vai recorrer, pois não teria havido contaminação: "não há nenhuma prova de que houve dano causado pela presença dos corpos. Os laudos da Cedae mostram que era impossível que isso causasse contaminação".