As eleições desta quarta-feira (22) na África do Sul são uma disputa em que já se sabe quem vai vencer.
A questão é: qual será o tamanho da vitória?
Jacob Zuma , de 67 anos, está a um dia de ser consagrado presidente.
Na verdade, na África do Sul não se vota em uma pessoa, mas em um partido. Aquele que conquistar a maioria das cadeiras do Parlamento aponta seu líder como o novo presidente.
As pesquisas indicam que o partido de Zuma, o Congresso Nacional Africano, terá 62% das intenções de votos. Em segundo, está a Aliança Democrática, com apenas 11%, e que tem como líder a prefeita da Cidade do Cabo, Hellen Zille, que é branca, um fator ainda decisivo por aqui.
O Congresso nacional africano foi o partido que lutou contra o apartheid. Foi e é o partido de Nelson Mandela. Por isso, para a maioria dos negros sul-africanos não há sequer a hipótese de pensar em votar em outra sigla. Para eles, Jacob Zuma já é o presidente.
Zuma é conhecido como o homem do povo. Nasceu numa pequena vila. É da etnia zulu, a mais numerosa do país. Jamais foi à escola. Boa parte do que sabe, aprendeu nos 10 anos em que ficou preso em Robben Island, com Mandela. Participou da luta armada, viveu no exílio até 1990.
É um dos heróis dos negros, que correspondem a 79% da população, mas já enfrentou 16 processos na justiça. Desde corrupção e lavagem de dinheiro a estupro.
Zuma teria violentado uma mulher portadora do vírus da Aids. Na época, disse que não havia problema porque tinha tomado banho logo depois. Foi obrigado a pedir desculpas. Todos os processos contra ele foram arquivados na semana passada.
Em sua última entrevista, Zuma se recusou a falar sobre as acusações.
Mas como será o Zuma presidente? O estereótipo de um populista? Ou tentará manter vivo o legado de Mandela?
A África do Sul aguarda para saber qual será o ritmo de Zuma no poder.