O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, marcou mais um ponto neste sábado ao discutir uma nova parceria com os líderes da América Latina e Caribe, na 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Ele conquistou a aprovação do polêmico presidente venezuelano, Hugo Chávez, notório por sua oposição aos EUA. Em encontro com líderes da América do Sul, Obama se disse pronto para ouvi-los. Ele prometeu uma era de mais cooperação com a região e um novo começo para as relações com Cuba e Venezuela, países com forte orientação de esquerda.
- Eu acho que nós estamos fazendo progressos nesta cúpula - disse o presidente americano, depois de um encontro com líderes da América do Sul, antes das sessões plenárias da Cúpula das Américas, em Port of Spain.
- Tenho muito a aprender e estou muito ansioso para ouvir e descobrir como podemos trabalhar juntos de forma mais eficaz - acrescentou Obama.
Na sexta-feira, Chávez já havia cumprimentado Obama, em um sinal de melhora das relações entre o país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seu maior cliente, os EUA. O presidente venezuelano informou que seu governo começa a avaliar inclusive a designação de um representante do país nos Estados Unidos.
No ano passado, Chávez havia expulsado o embaixador americano de Caracas, em meio a um desentendimento sobre a Bolívia.
Ao ser questionado se acreditava que as relações com a Casa Branca melhorariam agora, ele não hesitou em responder:
- Eu não tenho a menor dúvida. Nós começamos a falar com Obama e eu acho que conseguimos um bom começo - disse o venezuelano.
No começo da cúpula, o presidente venezuelano presenteou o líder americano com um exemplar em espanhol do livro "As veias abertas da América Latina", do uruguaio Eduardo Galeano, que denuncia a exploração do continente por empresas capitalistas. Como dedicatória, Chávez escreveu "para Obama, com afeto". O presidente americano aceitou o presente com um sorriso e bom humor.
- Eu pensei que fosse um dos livros de Chávez e estava pensando em retribuir com um dos meus - disse.
Em relação à Cuba, Obama afirmou aos líderes regionais na sexta-feira que seu governo está disposto a ter um novo começo com a ilha comunista, para colocar fim a um conflito que marcou a região por mais de 50 anos. Ele mostrou disposição de discutir com Havana questões que vão de direitos humanos a economia, mas pediu reformas políticas da liderança cubana. As declarações do presidente americano foram feitas após o presidente cubano, Raúl Castro, afirmar que está disposto a discutir "tudo" com os EUA.
Antes da cúpula, Obama aliviou restrições impostas a Cuba e os sinais de ambos os lados aumentam as esperanças de uma reaproximação histórica entre Washington e Havana.
A Cúpula das Américas está focada na coordenação para combater os efeitos da crise econômica mundial, desenvolver recursos energéticos, enfrentar os perigos das alterações climáticas e as ameaças de armas e tráfico de drogas.