A Coreia do Norte celebra nesta quarta-feira o nascimento de seu fundador, Kim Il-Sung, em um ambiente festivo, segundo a propaganda do regime. Aos olhos internacionais, contudo, as comemorações ocorrem em meio ao agravamento da tensão, um dia depois que as autoridades anunciaram o fim das negociações sobre seu programa nuclear e a expulsão dos inspetores internacionais.
A "Festa do Sol" celebra o aniversário de nascimento de Il-Sung, pai do atual dirigente Kim Jong-Il, proclamado "presidente para a eternidade" em 1994, quando morreu.
Todo ano, são distribuídas rações de comida extras à população, vítima de uma escassez alimentar crônica, assim como doces para as crianças, segundo a imprensa oficial.
A Coreia do Norte vive numa autarquia quase completa há mais de meio século e a ideologia oficial proclama uma autossuficiência que mergulhou grande parte da população na fome, no terror e no subdesenvolvimento.
Segundo a propaganda oficial, milhares de pessoas se reuniram na capital Pyongyang para visitar o mausoléu de Il-Sung.
Tensão
A Coreia do Norte informou nesta terça-feira (14) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que encerrava imediatamente toda e qualquer cooperação, e que reativará suas instalações nucleares.
Além disso, Pyongyang exigiu que os inspetores da agência deixem o país o quanto antes e informou a AIEA que decidiu reativar todas as instalações nucleares.
A Coreia do Norte também anunciou que vai abandonar as negociações entre seis países e reativar seu programa nuclear, em uma reação à condenação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo disparo de um míssil de longo alcance.
O processo foi iniciado em agosto de 2003 com a participação de Estados Unidos, Rússia, China, Coreia do Sul e Japão para buscar a desnuclearização norte-coreana em troca de incentivos econômicos, mas o regime comunista anunciou que "já não participará mais dessas negociações".
A Coreia do Norte ameaçou também reforçar seu poder nuclear, anunciou que interrompe sua colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que os inspetores internacionais que vigiam a atividade do reator de Yongbyon deverão abandonar o país "o mais rápido possível".
A medida foi criticada por EUA e Japão, que pedem sanções firmes da ONU. Contudo, China e Rússia, aliadas de Pyongyang, se opõem à medida.