O procurador-geral de Áquila, Alfredo Rossini, afirmou nesta sexta-feira que abrirá uma investigação sobre os materiais e métodos utilizados na construção dos edifícios da cidade, a mais devastada pelo terremoto de segunda-feira passada (6) que deixou 290 mortos (mais uma vítima foi encontrada hoje) e destruiu cerca de 10 mil prédios. A declaração veio no mesmo dia em que milhares de familiares e moradores da região acompanham o funeral e o enterro das vítimas.
Rossini afirmou que os prédios cederam "facilmente" após o terremoto da última segunda-feira. Entre os prédios que serão submetidos à perícia estão, segundo o jornal "La Reppublica", a Casa do Estudante, um dormitório para estudantes universitários, o Tribunal de Áquila e o hospital de San Salvatore.
"Investigaremos os edifícios construídos com areia. [...] Devemos dar uma resposta imediata às vítimas e a seus parentes", afirmou Rossini que, na própria segunda-feira (6) abriu um inquérito por desastre e homicídio culposo.
Nos últimos dias, especialistas têm sugerido que a fiscalização frouxa dos padrões de construção pode ter tido um papel decisivo na tragédia. Além de edifícios históricos, muitos prédios modernos também vieram abaixo.
Segundo o presidente da Associação Nacional de Construtores italiana (Ance), Paolo Buzzetti, "o cimento armado, se tivesse cumprido as normas, teria que resistir" ao terremoto, que chegou a 5,8 graus de magnitude na escala Richter --o suficiente para causar grandes danos em áreas populosas.
Um dos engenheiros da Defesa Civil italiana, Paolo Clemente, afirmou que o cimento não era de qualidade e que existem alguns "maus" construtores que "utilizam areia da praia, que é mais barata". "Além das impurezas que apresenta, é uma areia cheia de cloreto, que com o passar do tempo consome o ferro".
Buzzetti viajará na próxima quarta-feira a Áquila junto a uma comissão técnica da Ance para estudar estes edifícios. "Aqueles que tenham se equivocado pagarão."
Réplicas
A situação das edificações foi agravada pelas réplicas --tremores secundários de intensidade menor que ocorrem depois de terremotos-- que atingiram a região. Segundo o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, desde segunda-feira aconteceram 806 tremores de terra consideráveis no centro da Itália, que não dão trégua e que continuam preocupando as autoridades locais.
"Este fenômeno não dá trégua e não nos deixa de preocupar", disse Berlusconi durante uma entrevista coletiva desde a cidade de Áquila, onde hoje participou do funeral de Estado pelas 289 vítimas --a última foi encontrada hoje.
Segundo Berlusconi, só ontem foram registrados 186 movimentos de terra e de entre todos os que aconteceram desde segunda-feira (6) há nove com uma magnitude de entre 4 e 5 graus na escala Richter.
O primeiro-ministro da Itália informou também que 15.350 dos 39.500 retirados foram abrigados em 1680 casas particulares e em 139 hotéis habilitados para tal no litoral da região de Abruzzo.
Saques
Berlusconi criticou ainda os saques que aconteceram após a catástrofe e disse que 700 militares trabalham única e exclusivamente para enfrentar este tipo de delito.
Berlusconi informou que quatro cidadãos romenos, duas mulheres e dois homens, foram presos por ter supostamente subtraído bens de uma casa abandonada e que serão processados esta mesma tarde no quartel da Escola da Guarda de Finanças de Áquila.