A armazenagem de sementes em bancos comunitários para serem utilizadas
no próximo plantio tem sido uma opção para os pequenos agricultores que
convivem com a estiagem por um longo período. Assim acontece no alto
Sertão de Alagoas onde, por meio dos bancos de sementes, ficam
garantidos o plantio e o desenvolvimento sustentável de centenas de
famílias.
Em Delmiro Gouveia, a Cooperativa de Pequenos Produtores Agrícolas dos
Bancos Comunitários de Sementes (Coppabacs) é sede de um desses bancos
e serve de exemplo de associação bem sucedida. Com 200 sócios de oito
municípios do alto e médio Sertão alagoano — Delmiro Gouveia, Água
Branca, Pariconha, Piranhas, Inhapi, Olho D´Água das Flores, Santana do
Ipanema e Poço das Trincheiras — a associação, fundada há 20 anos, vem
dando apoio aos agricultores familiares para que não faltem sementes
para o plantio.
“Muitos agricultores já perderam o plantio porque não tinham sementes.
Com o banco, isso foi superado”, explica a presidente da cooperativa,
Maria Lizineide do Nascimento. O banco funciona como uma verdadeira
fonte de reserva de sementes. São estocadas sementes de feijão e milho
e cada agricultor associado toma emprestada uma certa quantidade, se
comprometendo a devolver 20% a mais do que pegou. “Há um compromisso de
todos porque aí garantimos que teremos sempre sementes no estoque,
mesmo que o tempo de seca perdure por um longo período”, disse a
presidente.
No galpão da cooperativa estão instalados maquinários para peneirar as
sementes e silos para a armazenagem, tudo disponibilizado para os
sócios. A estrutura foi montada para viabilizar a comercialização de
grandes quantidades de sementes, como ocorreu durante a venda para a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2006, e está prestes a
se repetir.
“Naquele ano, as sementes foram peneiradas e ensacadas no galpão da
Coppabacs. Todos os produtores dos municípios associados trouxeram suas
sementes e aqui fizemos a comercialização”, fala Lizineide,
acrescentando que a transação para a venda das sementes este ano está
sendo feita de forma diferenciada. “Estamos novamente em negociação com
a Conab, mas dessa vez as sementes ficarão nas próprias comunidades dos
municípios, nos chamados banquinhos de sementes, sem ter que vir para
cá, facilitando para o agricultor, que não vai precisar se deslocar”.
Segundo o coordenador do banco de sementes, Mardônio Alves, a
quantidade de sementes que está em negociação com a Conab é de 130
toneladas de feijão, que gerará um montante de R$ 350 mil. Mardônio
enfatiza que esta compra da Conab garante que o agricultor receba esta
mesma semente, conhecida como crioula, própria da região e adaptada
para o plantio. “Com essa compra a Conab estará distribuindo a mesma
semente que esses agricultores estão acostumados a plantar; ela já é
adaptada à região, o que garante que não haja perdas na safra”.
Governo do Estado — Assim como a Conab, o governo do Estado também se
prepara para atender ao pedido dos agricultores sertanejos na compra
das sementes crioulas. Para o diretor de programas especiais da
Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário
(Seagri), Júlio Dias, esse é o principal objetivo do governo. “Estamos
trabalhando para que, em 2010, as sementes distribuídas pelo governo do
Estado aos agricultores do Sertão sejam as sementes internas, da
própria região”.
Para isso, Júlio explica que o governo está dando todo o suporte
necessário para a implantação de mais bancos de sementes no Sertão,
para que sejam supridas as demandas. “A quantidade de sementes internas
hoje não supre a nossa necessidade. Estamos dando suporte para que mais
bancos sejam criados”, frisa.
O suporte do Governo do Estado ao qual o diretor se refere é o
levantamento das comunidades que têm interesse em ter bancos de
sementes para que sejam viabilizados maquinários por meio de
financiamentos e aporte técnico, além de capacitação. “Nós queremos
aplicar a experiência da Coppabacs em outras comunidades e, assim,
fazer com que outros bancos de sementes sejam estruturados, para que as
sementes compradas pelo Governo do Estado em outras cidades sejam
distribuídas em outros municípios, que não o Sertão alagoano”.
Bancos de Sementes - Os pequenos bancos de sementes, popularmente
conhecidos na região do Sertão como banquinhos, são os formados nas
próprias comunidades, que suprem as necessidades diretamente das
famílias onde estão instalados.
Um desses banquinhos fica localizado na cidade de Água Branca, no
povoado Tabuleiro. Lá, a agricultora e gestora Helena Gonçalves dos
Santos garante a alimentação e o estoque para a comunidade ao redor.
“Esse banquinho foi a nossa salvação. Essas sementes de feijão e milho
estocadas aqui passam dois anos e o agricultor que perder a plantação e
não tiver sementes já pode contar com elas aqui”, diz Helena.
Instalados em uma casinha de infraestrutura simples, três dos sete
silos de armazenagem estão cheios. Para a conservação, são utilizados
pimenta-do-reino, pimenta malagueta e cinza. “Estas sementes estão
livres de produtos e a gente garante uma semente saudável”, explica a
agricultora.
Agricultores do Sertão têm acesso a sementes em bancos comunitários
09/04/2009, 09:23 - Municípios
Por redação
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