Defesa Civil de Santa Catarina informou que 21 municípios decretaram emergência devido à estiagem no Estado.

 

A situação vem se arrastando no oeste catarinense desde o último mês de novembro, mas o alerta de que abril deverá ser um período com muita seca fez com que as autoridades recomendassem o racionamento de água.

 

O diretor da Defesa Civil, major Márcio Luiz Alves, disse que o oeste vem sofrendo uma série de prejuízos com a seca, principalmente no setor de agropecuária. Em janeiro, segundo Alves, já teriam sido enviados 200 mil l de água potável à região oeste para atender à demanda de alguns municípios que enfrentavam problemas com a seca. "O prejuízo desta estiagem está na agropecuária, que envolve a suinocultura, avicultura e bovinocultura, principais atividades econômicas destas regiões", disse.

 

Os municípios em emergência são Belmonte, Canoinhas, Cerro Negro, Descanso, Galvão, Guarujá do Sul, Irineópolis, Itá, Itapiranga, Mafra, Major Vieira, Nova Erechim, Paial, Papanduva, Paraíso, Santa Helena, Seara, Três Barras e Tunápolis. As cidades com prorrogação da situação de emergência são Romelândia e Águas de Chapecó.

 

Segundo boletim divulgado pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais de Santa Catarina (Epagri-Ciram), a previsão para os próximos 15 dias não deve se alterar.

 

"As frentes frias devem continuar passando por alto mar, praticamente sem causar chuva no Estado e, na retaguarda desses sistemas, chegam as massas de ar seco e frio, que também devem apresentar fraca intensidade, apenas amenizando as temperaturas", afirmam as meteorologistas Gilsânia Cruz e Francine Gomes. "No oeste e meio-oeste, os modelos continuam mostrando um padrão mais seco, sem previsão de chuva suficiente para reverter a situação de estiagem, o que pode agravar ainda mais a situação de estiagem".

 

A estiagem e as perdas na agricultura se transformaram no principal assunto na Assembleia Legislativa. O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) solicitou nesta terça-feira aos governos federal e estadual a anistia às dívidas dos agricultores familiares atingidos pela estiagem.

 

À União, o deputado pediu a anistia das dívidas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e a adoção de medidas que garantam capitalização aos pequenos agricultores. De acordo com o deputado, a solicitação inclui todas as categorias de financiamento agrícola previstas no programa, que, na safra deste ano, garantiu cerca de R$ 1,1 bilhão para o Estado.

 

"A medida é urgente, pois o racionamento de água atinge as cidades e no campo e os prejuízos já são visíveis em diversas culturas", afirmou Baldissera. "O problema não é a estiagem deste ano, mas a seqüência de quatro, cinco anos de perdas. Desta vez, o temor é que a queda na renda da agricultura acabe causando um verdadeiro colapso nessas regiões".