Quase tudo estava previsto no minucioso plano da manifestação feita pelo Greenpeace, quarta-feira, que culminou com a faixa de protesto pendurada na Ponte Rio–Niterói. Menos o desagradável engarrafamento. Pelo menos, não do tamanho que se viu, garante Paulo Adário, coordenador da campanha de Amazônia do Greenpeace. O grupo que fez a ação se preparou para fechar uma das pistas, sentido Rio, por 15 minutos. Tempo suficiente para que o alerta de 150 metros quadrados fosse exposto.
– Não esperávamos que mandassem tantos carros e aquela quantidade de policiais – alegou Adário, que coordenou o protesto.
Esse tipo de manifestação está no DNA do Greenpeace e é chamado pelos ativistas de ação direta. Adário admite que a comunicação é fundamental para o Greenpeace. E a criação de fatos espetaculares faz parte dessa estratégia. O de quarta-feira levou 20 dias do surgimento da idéia ao ato final. Entre as duas pontas, um trabalho que envolveu até o aluguel de um ginásio para que os ativistas-alpinistas pudessem determinar a melhor forma de estender a faixa com os dizeres, em inglês, “Líderes mundiais: o clima e as pessoas em primeiro lugar”.
– O grupo era formado por 10 alpinistas e mais 11 pessoas, que se dividiram entre desviar o trânsito e pendurar a faixa. Todos são voluntários e precisam ter absoluta confiança um no outro. Calculamos que os seguranças demorariam cerca de 10 segundos para chegar até lá. Daria tempo para pendurar a faixa – explicou Adário, acrescentando que 40 ativistas estiveram envolvidos na operação.
Para que os alpinistas não fossem lançados pelas ondulações da faixa, causadas pelo vento, ela foi feita de um tecido do tipo tela, para diminuir a resistência ao ar. Cada letra da frase tinha 5 metros de altura, para que fossem vistas e fotografadas a distância. A escolha da pista sentido Rio também não foi sem propósito. A idéia dos organizadores era que as fotos, que seriam publicadas nos jornais do dia seguinte, pudessem ter o Pão de Açúcar ao fundo. Se o dia estivesse limpo.
– Medimos qual era o tamanho ideal das cordas em que penduramos a faixa, para que as letras não se confundissem com o concreto da ponte. Mas a faixa também não poderia atrapalhar a navegação – explicou Adário. – Também estudamos o clima e descobrimos que havia previsão de chuva para quinta. Decidimos então agir na quarta, tinha de ser antes do G-20. Havia uma janela de tempo bom de manhã. E, de fato, assim que terminou o protesto começou a chover.
Esse trabalho todo foi para que o Greenpeace chamasse a atenção para um problema considerado por Adário um dos mais graves: a emissão de gás carbônico e o consequente aquecimento do planeta. Ele conta que estudos otimistas prevêem um aumento de 2 graus na temperatura da Terra entre 2030 e 2050. Os mais pessimistas, 8.
– Grandes áreas da África virariam deserto e ilhas da Ásia desapareceriam. A luta hoje é para impedir que o aumento de temperatura passe de 2 graus.. Os países ricos precisam reduzir em 40% a emissão de gás carbônico até 2020.