As investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia
Federal sobre o acidente com o voo 3054 da TAM foram reunidas em
um só inquérito, informou no sábado (21) às famílias das vítimas
o procurador responsável pelo caso no Ministério Público Federal
(MPF-SP), Rodrigo de Grandis.
A incorporação das informações da polícia paulista ao inquérito
da PF significa uma nova fase na investigação. Os eventuais
acusados devem agora responder à Justiça Federal por crimes
contra a segurança do transporte aéreo.
Parentes das 199 vítimas fatais do acidente,
reunidos neste final de semana em São Paulo, comemoraram a
medida. "É um avanço importante para que se chegue aos
culpados", disse o presidente da Associação dos Familiares
das Vítimas da TAM (Favitam), Dario Scott. O professor de 44
anos perdeu a filha adolescente, de 14 anos, no desastre aéreo
de julho de 2007.
A junção das informações apuradas pelas duas polícias deve dar
fluidez ao processo. Para se ter uma ideia do emaranhado de
investigações feitas até agora, em novembro passado, a Polícia
Civil indiciou dez pessoas por atentado contra a segurança do
transporte aéreo. Entre elas estavam os ex-presidentes da
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e da
Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o
brigadeiro José Carlos Pereira.
O Ministério Público Estadual (MPE) por sua vez,
alterou alguns nomes, recomendou o indiciamento de 11 pessoas,
mas não as denunciou à Justiça Estadual por entender que a
questão era de abrangência federal.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)
suspendeu então as acusações, para evitar a possibilidade de um
duplo indiciamento, por parte da Polícia Civil paulista e da PF,
que já investigava o caso.
Um dos principais documentos juntados ao material
da PF é o laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo
(IC), que serviu de base para os indiciamentos e aponta falhas
da cúpula da Anac, da Infraero, da TAM, dos pilotos do avião e
da fabricante do jato, a Airbus.