O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), resolveu atacar para se defender e promete apresentar ao Conselho de Ética do Senado uma denúncia contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). O motivo seria a ameaça do peemedebista de denunciar o tucano ao colegiado em resposta pelas três reclamações do PSDB contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e seis denúncias assinadas pelo líder tucano.

Virgílio encomendou uma representação aos técnicos afirmando que Renan quebrou o decoro parlamentar ao chantagear o PSDB na tentativa de evitar que as acusações contra Sarney fossem apresentadas. O líder do PMDB ligou na segunda-feira para o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e pediu que o partido evitasse uma "radicalização" contra Sarney. O PSDB ignorou o apelo do peemedebista e apresentou as denúncias.

"Ele disse que é retaliação sim, no principio de reciprocidade quer me punir. Essa ação dele não é preocupação com a ética. É chantagem. Se eu ficasse calado, ele não faria nada".

Renan já é alvo de outra representação que foi apresentada pelo PSOL, que o responsabilizou pela edição dos atos secretos --decisões administrativas mantidas em sigilo nos últimos 14 anos.

Virgílio decidiu representar contra Renan depois que o peemedebista confirmou hoje que vai apresentar denúncia contra ele na semana que vem ao conselho. O PMDB avalia se apresenta três representações individuais contra o tucano ou apenas uma.

Os peemedebistas acusam Virgílio de ter recorrido a um empréstimo de US$ 10 mil do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia quando o senador teve problemas com o cartão de crédito numa viagem particular a Paris, em 2003. Além disso, Virgílio é suspeito de receber R$ 723 mil do Senado pelo tratamento de saúde da mãe dele, quando o regimento permite gasto anual de R$ 30 mil.

O PMDB estuda se apresenta, em separado, outra denúncia pela acusação de que Virgílio manteve um funcionário fantasma por 18 meses em seu gabinete.

"A partir do momento em que o PSDB transformou as reclamações do senador Arthur em representações, partidarizou a questão e, portanto, exige comportamento igual. Foi uma insensatez apresentar esse número de denúncias. São fatos repetidos, mais do mesmo", disse Renan.

Na volta do recesso parlamentar na próxima semana, o Conselho de Ética tem 12 reclamações para avaliar. São 11 acusações contra o presidente da Casa e uma contra Renan.

Sarney é alvo de cinco representações por quebra de decoro parlamentar --três apresentadas pelo PSDB e duas pelo PSOL-- e seis denúncias --quatro protocoladas por Virgílio e outras duas dele com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Sarney é acusado de tráfico de influência e nepotismo.

As denúncias podem ser apresentadas individualmente por parlamentares ou cidadãos e pedem apenas que o conselho investigue. Já a representação pede a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar e só pode ser oficializada por partidos. As denúncias estabelecem punições mais brandas como advertência verbal ou escrita e as representações podem determinar a perda do mandato.