O governador Teotonio Vilela disse nesta quinta-feira, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, durante a abertura do Fórum Estadual de Políticas Sobre Drogas, que Alagoas não vai esmorecer em nenhum momento no enfrentamento ao tráfico e nas ações para salvar crianças e adolescentes vítimas das drogas. “Vamos vencer essa luta. Historicamente, os males das drogas têm impingido derrotas à humanidade. E nós precisamos virar este jogo, mudar esse resultado”, conclamou o governador.
Na íntegra, discurso do governador Teotonio:
 
Senhoras e senhores,
Iniciamos hoje o Fórum Estadual de Políticas sobre Drogas. O tema não poderia ser mais explícito e direto: “As drogas consomem os melhores momentos de sua vida”.

Podemos ir mais além e assegurar que “as drogas consomem os melhores momentos de sua vida e da vida de sua família, além de consumirem a paz da sociedade”. Pois a droga, desde seus primórdios, é algo além de um flagelo pessoal. As pessoas que amam os alcançados pelas drogas são igualmente castigadas, assim como toda a sociedade é flagelada pela ação da droga e de sua implacável mão opressora: o tráfico.
Antes mesmo da filosofia hippie, as drogas já eram divulgadas como “libertadoras”. Que ironia cruel! Nada é tão opressor quanto as drogas, nada é tão dominador quanto o tráfico.
 
Na crônica do século 19 um episódio envergonha a humanidade: A “Guerra do Ópio”. Não devemos nos esquecer das lições de momentos trágicos para toda a humanidade como o da guerra movida por potências ocidentais contra o reino da China com o objetivo de preservar o tráfico de ópio para aquele país asiático. Nada pode ser mais “careta”, mais conservador, mais opressor que este exemplo — países ditos civilizados movendo seus exércitos para garantir traficantes. E esta ignomínia repetiu-se em duas ocasiões, duas guerras, a primeira entre 1839 e 1842 e outra entre 1856 e 1860; em ambas os traficantes saíram vitoriosos.
 
Como cidadãos do mundo, como ocidentais, como humanistas, não basta nos sentirmos envergonhados por fatos desta natureza.
 
Fatos dessa natureza devem nos ensinar o poder das drogas, a força do tráfico. E de acontecimentos como esses devemos retirar lições para enfrentarmos e vencermos a guerra contra as drogas e contra o tráfico.
 
Temos que vencê-los. Até porque, historicamente, esse males têm impingido derrotas à humanidade. E nós precisamos virar este jogo, mudar esse resultado. Estamos aqui para isso.
Estamos aqui para discutirmos nossa realidade, entendermos mais como essa tragédia está se abatendo sobre nossas comunidades, como esse mal está atingindo quem amamos. Queremos dominar esse processo, conhecer detalhadamente esta realidade para vencermos esta guerra.
 
Em Alagoas, as recentes batalhas desta guerra não nos tem sido favoráveis. Drogas de alto poder desagregador, como o crack, tem — desgraçadamente — ampliado sua penetração junto à sociedade.
Dados estatísticos coletados pela Secretaria de Estado da Defesa Social nos informam que 80% dos crimes e da violência em Alagoas são resultantes do tráfico e do alto consumo de drogas.
 
São diárias as ocorrências de assassinatos motivados pelo tráfico, assim como são cotidianas as notícias dando conta da proliferação das quadrilhas de traficantes em todo Estado, especialmente atuantes na Capital. Mas nós não nos assustamos, muito menos nos acovardaremos frente a esse poderoso inimigo. Pelo contrário, o enfrentaremos.
 
Temos enfrentado esse inimigo letal buscando, em primeiro lugar, resgatar as vítimas das drogas. A vida, a saúde, a Paz são nossos objetivos estratégicos. Libertar a pessoa drogada é nosso alvo primeiro, e não é uma meta fácil de ser alcançada. Exige-nos persistência, resistência, firmeza e muito amor. Exige-nos ações em conjunto, tolerância e abandono do individualismo.
 
Noutra face desta mesma moeda, o Poder Público não tergiversa na indispensabilidade do combate ao tráfico, mas temos a consciência de que o tráfico é como a hidra mitológica, um ser de muitas cabeças, que, uma vez cortadas, multiplicam-se em novos monstros. A mitologia nos diz que Hércules venceu a Hidra quando conseguiu atingir a cabeça imortal do monstro, e, de quebra, teria criado a constelação de Câncer quando esmagou o caranguejo mágico despachado contra ele por sua rival Hera. Estórias fantásticas, repletas de lições filosóficas que nos alertam sobre os perigos dos vícios, ardis, forças monstruosas e sobre a possibilidade do ser humano vencer o mal.
 
Acredito que possamos vencer este mal. Certamente não o eliminaremos por completo, talvez não possamos, tão cedo, alcançar sua cabeça imortal. Mas poderemos vencer este mal, dia após dia, travando nossas batalhas cotidianas com denodo, coragem, obstinação e primando pelo trabalho solidário, lutando em conjunto.
 
Por este objetivo estamos aqui reunidos. Aqui estão os representantes do governo federal, governo estadual, municípios, sociedade civil organizada, universidades, movimentos sociais, Igreja Católica, Igrejas Evangélicas e comunidades terapêuticas.

Nos une o amor pelas vítimas das drogas. Nos une a certeza de que podemos ser parceiros dessas pessoas no processo de reconstrução da liberdade e da vida. Nos une a consciência de que travamos batalhas terríveis e extremamente dificultosas. Nos une a confiança em nossa vitória, nos une a certeza de nosso amor pela vida.