A cultura de massa e o processo de urbanização das cidades brasileiras vêm contribuindo para ofuscar e descaracterizar manifestações típicas da cultura popular nordestina. Vários grupos comunitários resistentes que buscam perpetuar a expressão original do Maracatu, Bumba Meu Boi e dos Guerreiros, por exemplo, enfrentam dificuldades em manter viva a tradição por falta de incentivos públicos.

Com o objetivo de resgatar e fortalecer o folguedo do Pastoril, o Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) está formando grupo para montagem com apresentações previstas no período natalino. As inscrições serão abertas a partir do dia 1º de agosto e se encerram no dia 14 do mesmo mês.

“A vontade de fazer parte deste resgate é o principal requisito seletivo. Ninguém precisa saber dançar, nem pagar qualquer taxa no ato da inscrição. Mas, a princípio, priorizaremos as vagas para alunas dos cursos do Cesmac, com idade entre 19 e 25 anos”, afirma Edilma Bomfim, consultora do Núcleo de Projetos de Extensão (NPE) do Cesmac, responsável pela iniciativa.

Sobre o Pastoril

O Pastoril é um folguedo popular que encena a estória do nascimento do menino Jesus. Sua denominação se deve à representação de pastorinhas que cantam e dançam ao livre, sobre um tablado. Originalmente, o Pastoril era um auto sagrado, montado dentro ou em frente as igrejas ou em palcos ambulantes criados com patrocínio e proteção da Igreja Católica. Ao chegar ao Brasil, com os primeiros colonos portugueses, a representação do nascimento de Cristo, que no presépio era estática, assumiu aspectos dramáticos, dando origem ao Pastoril.

Formado por dois cordões de pastorinhas: o encarnado, comandado pela mestra, e o azul, pela contramestra. As pastoras se vestem com a cor de seu cordão e usam chapéus floridos, adornados com fitas da mesma cor. Nas mãos levam um pequeno pandeiro, também enfeitados com fitas, que usam como acompanhamento para a música. Entre os cordões, vestida com ambas as cores, fica a Diana - personagem que representa o moderador das disputas entre os simpatizantes dos dois lados. A montagem conta ainda com a participação de outros personagens como os Anjos, a Borboleta, a Estrela D`alva, a Estrela de Belém, e a figura do Pastor, que é quem promove a interação do público com o espetáculo.

Além do Pastoril Religioso há ainda Pastoril Profano, no qual a figura do Pastor é representada pelo Velho - uma espécie de palhaço que diverte a todos, leiloando cantos, danças e até beijos das pastorinhas entre os espectadores.