Provas forjadas, acusações inverídicas e testemunho de um criminoso. São esses argumentos apresentados pelo advogado Saulo Emanuel de Oliveira, conhecido como “Pastor Saulo”, em sua defesa sobre sua suposta intermediação no pagamento de propina a um delegado e um escrivão para a liberação do traficante Moisés Santos da Costa Júnior, “Gil Bolinha”.

Pastor Saulo quebrou o silêncio e concedeu a primeira entrevista sobre o caso ao radialista França Moura, no Programa Cidadania, da Rádio Jornal. Durante a conversa, o advogado alegou inocência e afirmou que não houve negociatas para facilitar a liberação de seu cliente.

O advogado deu sua versão sobre o caso. Pastor Saulo contou que estava em casa, à noite, quando recebeu uma ligação da esposa de Moisés Santos, solicitando os serviços para liberar o marido. “Fui à delegacia e lá encontrei seis pessoas que foram detidas, dentre elas, Moisés Santos. A esposa do meu cliente havia dito que ele era filho de um pastor e por isso aceitei o caso”, explicou Saulo, lembrando ainda que em momento algum sabia que seu cliente era conhecido como Gil Bolinha. “Só fiquei sabendo disso através da imprensa”.

Segundo o advogado, suas ações foram totalmente de acordo com a lei. “Acompanhei o depoimento do meu cliente. Moisés estava com outras pessoas num bar quando foram detidas para averiguação sobre uma droga encontrada próxima a elas. Todas as pessoas detidas, prestaram depoimento e foram liberadas em seguida. Não havia provas de que a droga pertencia a eles. Tudo ocorreu conforme é previsto na lei”, afirmou.

Saulo acrescentou ainda que os policiais da Delegacia de Plantão I, onde o caso foi registrado, verificaram no SAJ (Sistema do Automação Judiciário) se existia algum processo contra o cliente. “Ele havia cometido um crime há alguns anos, cumpriu pena e estava em liberdade, mediante alvará. Todos os meses, ele comparecia a 16ª vara para assinar um documento. Meu questionamento é: Se ele era procurado pela polícia, se era considerado um ‘Fernandinho Beira-Mar’ de Alagoas, porque não estava preso?”, indagou o advogado.

No dia seguinte, Pasto Saulo havia marcado com o cliente para que comparecesse ao escritório, localizado no Shopping Miramar, no bairro do Barro Duro, onde seria acertado o pagamento dos honorários. “A polícia foi ao local e no estacionamento do shopping efetuou a prisão de Moisés. Nem havia chegado ao escritório ainda. Após o ocorrido que fui advertido de que estava sendo advogado de um traficante, o Gil Bolinha”.

Sobre essa segunda prisão do traficante, o advogado disparou. “A segunda prisão dele foi ilegal, arbitrária. Não havia nada contra ele, nem um mandado de prisão. De forma perversa, prenderam um bandido e ainda disseram que eu havia entregue ele a polícia. Com isso, eu e minha esposa fomos ameaçados por ele”.

França Moura questionou se na Polícia Civil existia uma dança de capoeira, onde um quer dar uma rasteira no outro, Saulo foi categórico. “É o que está evidenciado. Só quero deixar claro que tanto o delegado Eulálio Rodrigues e o escrivão Carlos Minin são inocentes, assim como eu e minha esposa”.

“Não houve coação de testemunho”

Durante a entrevista, França Moura aproveitou para reproduzir trechos de da gravação onde a promotora Marlune Falcão e Wendel Melo Guarniere, que estava em Alagoas como integrante do Programa Nacional de Proteção a Testemunhas, após ter ameaçado de morte por ter delatado uma quadrilha de assaltantes de banco e traficantes no Maranhão.

Segundo Saulo, o testemunho de um criminoso não deveria ser levado em consideração. “Ele é um bandido perigoso e o colocaram para testemunhar contra o advogado e o escrivão. As gravações mostram claramente que não houve nenhum tipo de coação, transação. A tentativa é de prejudicar cidadãos de bem perante a sociedade”, lamentou.

No final da entrevista, Pastor Saulo garantiu que como homem da igreja, pastor, nunca estaria envolvido nesse tipo de crime. “Não se constrói uma casa sobre a areia. Quem quer atingir uma pessoa de bem, está construindo na areia e quando der um vento forte, a casa vai desmoronar”, finalizou.