O Plano de Ações e Metas do Programa de DST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para este ano, prevê estratégias visando a redução da transmissão vertical, intensificação das ações na área de prevenção para as populações vulneráveis como mulheres, adolescentes, idosos, indígenas, negros e presidiários; reestruturação dos serviços de assistência e fortalecimento das ações junto a Organizações Não Governamentais (ONGs).

Segundo Ana Lúcia Couto, técnica responsável pelo programa estadual, a estratégia é cada vez mais unir forças com outras instituições, a exemplo das secretarias de Educação e Assistência Social, para garantir a eficácia das ações de prevenção.

De 1986 até setembro de 2008, Alagoas registrou 2.484 casos de Aids; sendo 195 entre janeiro e setembro do ano passado. A epidemia ainda se caracteriza por uma importante concentração na capital (1.717 casos). Porém, a participação proporcional em número de casos de outros municípios de pequeno e médio porte vem aumentando ao longo dos anos, bem como a expansão no sentido litoral-interior do Estado.

Para justificar o público alvo, Ana Lúcia disse que está havendo um crescimento do número de casos da doença entre heterossexuais, mulheres, jovens e a população pobre, principalmente negros, índios e presidiários. Além disso, as ações também estão voltadas para as pessoas idosas porque, embora em Alagoas o número de notificações da Aids se concentre na faixa etária de 20 a 49 anos, observa-se um aumento considerável entre os adultos acima de 50 anos.

No ano passado, foram notificados no Estado, 24 casos de Aids em pessoas acima de 50 anos. Uma realidade que reflete o panorama nacional da epidemia da doença e que justificou a campanha do Dia Mundial de Luta contra Aids, em dezembro de 2008 e no Carnaval de 2009, que teve como slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”. O objetivo é despertar nos adultos maduros e nos idosos a importância do uso do preservativo nas relações sexuais.

Transmissão Vertical — Em relação às ações para reduzir a transmissão vertical do HIV (da mãe portadora do vírus para suas crianças expostas), a Sesau vai investir na capacitação de profissionais visando à implantação de teste rápido e diagnóstico em unidades de saúde de oito municípios sedes de Alagoas, incluindo equipes de Saúde da Família (PSF). O objetivo é obter o diagnóstico precoce a fim de encaminhar logo o tratamento em um Serviço Ambulatorial Especializado (SAE) de HIV/Aids.

Em Alagoas, no período de 2005 a 2008, foram notificados 66 casos de Aids em crianças (transmissão vertical). Segundo a enfermeira Edvânia Salvador, técnica da área de assistência do programa DST/Aids, o risco da transmissão vertical do HIV (cerca de 65%) ocorre durante o trabalho de parto, o parto propriamente dito e amamentação.

“A realização do teste rápido de diagnóstico do HIV permite intervenções como uso de antiretrovirais, parto por cirurgia eletiva e a orientação de não amamentação, reduzindo assim a transmissão vertical do vírus para níveis entre zero a 2%”, explicou Edvânia Salvador.

As quatro unidades de SAE existentes em Alagoas estão localizadas em Maceió. O serviço funciona no Hospital Universitário, Hospital Hélvio Auto, PAM Salgadinho e Maternidade Santa Mônica. Ainda de acordo com Edvânia, desde o mês de julho do ano passado, o Ministério da Saúde vem disponibilizando o teste rápido para diagnóstico do HIV nas maternidades.

Centro de Testagem — Uma das atribuições do Programa Estadual de DST/Aids, é acompanhar, monitorar e avaliar o funcionamento dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), unidades gerenciadas pelos municípios e que são consideradas a porta de entrada para o diagnóstico do HIV.

O CTA dispõe de equipe multidisciplinar. Toda pessoa interessada em fazer o teste, que é sigiloso, ao procurar uma dessas unidades inicialmente assiste a uma palestra na sala de espera. Caso o usuário queira fazer o exame será atendido por um outro profissional que vai orientar sobre o teste e só então é submetido ao exame. Se o resultado for positivo, a pessoa é encaminhada para o tratamento no SAE. O CTA também faz o diagnóstico de sífilis e hepatite.

De acordo com Ana Lúcia, os CTAs funcionam em Maceió (Hospital Universitário e PAM Salgadinho), Arapiraca, União dos Palmares, Coruripe, Delmiro Gouveia, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Penedo e Matriz de Camaragibe. “A implantação do teste rápido nos municípios vai facilitar o acesso ao diagnóstico, já que o resultado sai em 25 minutos, com emissão de laudo definitivo”, afirmou Ana Lúcia.

Para a reestruturação dos Serviços de Assistência às DST/Aids, a Sesau já está capacitando profissionais em manejo clínico para o HIV e sífilis congênita; abordagem sindrômica, estruturação física dos serviços e equipamentos. Além disso, vai investir nas ações preventivas junto a ONGs, com a publicação de edital para seleção de 15 projetos na área de assistência às pessoas portadoras do vírus, direitos humanos e controle social junto às populações mais vulneráveis ao HIV.