O governo comunista da região autônoma de Xinjiang, no oeste chinês, disse que os violentos distúrbios dos últimos dias são "os piores desde a fundação da Nova China em 1949". Ao menos 156 pessoas foram mortas durante a repressão policial e ao menos 1.400 foram detidas.

O chefe do governante Partido Comunista da China na cidade de Urumqi, Li Zhi, acusou os indelizadores das revoltas, da etnia muçulmana uigur, de "danificar os interesses fundamentais dos grupos étnicos chineses". Em nota, publicada pela agência de notícias Xinhua, ele afirmou que haverá duros castigos para os responsáveis.

Mais de 20 mil policiais, soldados e bombeiros fazem parte da força de segurança deslocada para a região para abafar os protestos. O caos tomou conta da cidade neste domingo, com lojas destruídas e carros queimados.

Os protestos ocorreram depois que dois migrantes uigures teriam sido mortos por um homem da etnia han (que representa mais de 90% da população na China) em uma briga, no mês passado, em uma fábrica na cidade de Shaoguan (sul). O confronto deixou 118 feridos.

O governo chinês culpa os muçulmanos da etnia uigur pela violência. Líderanças uigures que vivem no exílio afirmam que a polícia atirou contra manifestantes durante o que chamaram de "um protesto pacífico".

Juntamente com o Tibete, Xinjiang é uma das regiões politicamente mais sensíveis na China, e em ambas as regiões o governo tem procurado manter a sujeição, controlando a vida cultural e religiosa, enquanto promete crescimento econômico e prosperidade.

A província é majoritariamente muçulmana, e a comunidade uigur reclama do domínio do governo central chinês. As minorias dizem que são relegadas a segundo plano pelo governo e se queixam que membros da etnia han colhem a maioria dos benefícios dos investimentos subsídios oficiais.

Quase metade dos 20 milhões de habitantes de Xinjiang, uma vasta região que faz fronteira com o Paquistão, Afeganistão e outros países da Ásia Central, são uigures, enquanto a população de Urumqi, que fica 3.270 km a oeste de Pequim, é predominantemente han.

De acordo com a nota divulgada nesta terça-feira, os detidos --1.434 segundo os números oficiais-- são acusados de agressões, homicídios, destruição e saques, embora tenha falado da possibilidade de que alguns deles sejam postos em liberdade caso demonstrem sua inocência.

Mais protestos

Apesar da dura repressão, os levantes continuam em diversas partes da cidade, desde o mercado de Urumqi, no centro, até a estação de trem e os arredores do aeroporto. Um grupo de uigures, alguns deles armados com paus, se concentraram junto ao Hotel Hoitak, onde estão jornalistas estrangeiros.

As informações são de que os serviços de telefonia celular estão bloqueados e as conexões de internet foram suspensas, ou estão lentas.

Os protestos no mercado da cidade, horas antes, foram protagonizados principalmente por mulheres, que enfrentaram policiais armados e pediram a libertação dos detidos, embora a situação não tenha desencadeado em violência.

Cidadãos de Urumqi qualificam a situação como "muito tensa" e resultado de muitos anos de progressivo distanciamento social entre chineses han e uigures. "Eu tinha muitos amigos uigures no passado, mas nem falo mais com eles", disse à Efe um habitante da cidade de etnia han.