Os progressos na erradicação da fome e da pobreza começaram a desacelerar em função da crise econômica e alimentar, registrando inclusive casos de inversão da tendência de melhora, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Objetivos do Milênio.

O documento, que será apresentado nesta segunda-feira em Genebra pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, adverte que, apesar de diversos êxitos, os progressos têm sido de um modo geral muito lentos para permitir alcançar todas as metas estipuladas até 2015.

"Não podemos permitir que um clima econômico desfavorável ponha em causa os compromissos assumidos em 2000. A comunidade mundial não pode voltar as costas às pessoas pobres e vulneráveis", afirma Ki-moon, no preâmbulo do relatório.

O secretário-geral da ONU acrescenta que os objetivos ainda podem ser alcançados, mesmo nos países pobres, desde que haja um forte empenho político e que sejam assegurados financiamentos suficientes de uma forma sustentada.

Segundo uma nota do Departamento de Informação Pública da ONU, no período entre 1990 e 2005, o número de pessoas com menos de US$ 1,25 por dia baixou de 1,8 bilhão para 1,4 bilhão.

"Mas os indicadores mostram que os avanços importantes na luta contra a pobreza deverão estagnar, embora ainda não existam dados sobre o verdadeiro impacto do recente abrandamento econômico. Em 2009, calcula-se que haverá mais 55 a 90 milhões de pessoas a viver na pobreza extrema do que se previra antes da crise", aponta a organização.

O estudo indica ainda a existência de déficits de fundos em relação a programas para melhorar a saúde materna e as dificuldades dos países em financiarem seus programas de desenvolvimento.

Sobre a infância, o documento diz que mais de um quarto das crianças das regiões em desenvolvimento tem peso insuficiente para a sua idade e que "os escassos progressos no domínio da alimentação infantil realizados entre 1990 e 2007 são insuficientes para permitir que seja atingida a meta fixada para 2015".

Quanto ao futuro, o relatório pede aos governos que dêem novo impulso aos esforços para assegurar um emprego digno para todas as pessoas, destacando que as oportunidades de emprego para mulheres no sul da Ásia, norte de África e Ásia ocidental "continuam a ser extremamente reduzidas".

Uma vez falhada a meta de eliminar as disparidades de gênero no ensino primário e secundário, a ONU pede ainda os governantes que intensifiquem os esforços para assegurar que todas as crianças frequentem a escola, sobretudo as que vivem em comunidades rurais.