Há quase uma década não se via tantos shoppings em construção no Brasil. Estatísticas do setor confirmam que esse tipo de empreendimento conquistou mesmo os consumidores brasileiros. Neste ano, mais 4.500 lojas vão abrir as portas no país, em 25 novos shopping. Um recorde.

As mulheres continuam sendo as donas deste terreno. “É segurança, todo mundo mais tranquilo, com bolsa na mão, o carro no estacionamento”, diz a esteticista Ana Maria Campos Rocha.

Mas segundo pesquisa, os homens gastam mais. “Aqui tem cinema, tem lanche, tem estacionamento seguro, tem tudo. Tem tudo de bom aqui”, afirma o aposentado Haroldo Rocha.

O consumo em shopping segue em alta. Nos últimos três anos, o valor médio de compra aumentou mais de 30%. E é por isso que os investimentos estão em alta.

Um shopping completa 30 anos em plena expansão: de 300 para 402 lojas. “Nós estamos conscientes de que alguma coisa da crise acontece, mas nada que viesse a alterar os nossos planos. Tanto é que as lojas da expansão já estão comercializadas”, diz Durleno Rezende, superintendente de shopping.

Desde 2000, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping não registra tantos empreendimentos num só ano. O grupo que está fazendo surgir um grande centro de compras em Belo Horizonte (MG), por exemplo, está construindo mais três shoppings no país, dois dos quais serão inaugurados em 2009.

Mercado

E há mercado para tantos shoppings assim? Segundo um especialista em varejo, com planejamento, há. “Nós ainda temos muito que crescer nesse segmento. Proporcionalmente a população e ao poder aquisitivo, temos um numero pequeno de shopping. Há outras áreas onde eles ainda não estão, que vão ser exploradas. Existem técnicas modernas que permitem determinar qual vai ser o potencial daquela região quando o shopping começar a operar”, diz o professor de economia da USP, Nélson Barrizelli.

Para vencer a concorrência, um empreendimento reservou espaço para serviços públicos. Antes mesmo de ser inaugurado, a emissão de passaportes da Polícia Federal (PF) já funciona.

“Teremos cerca de 2.000 mil pessoas por dia, emitindo seus passaportes e que retornarão ao empreendimento para buscar o passaporte. E, com certeza, nessas duas visitas estarão comprando alguma coisa”, diz o empresário Eduardo Griebel.

Segundo a pesquisa feita com os frequentadores, o período que o brasileiro fica dentro de um shopping também aumentou, e, nesse quesito, ninguém ganha dos mineiros de Belo Horizonte: em média, uma hora e vinte e seis minutos em cada visita.

“Aqui não tem praia. Então, o jeito é vir a shopping mesmo”, afirma a advogada Cristina Polai.