Separados fisicamente há 418 dias, Alexandre Nardoni, 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, 24, não teriam mais vínculo amoroso. A informação de que o casal acusado de matar Isabella Nardoni, 5 anos, pôs um fim no relacionamento já chegou ao Ministério Público de São Paulo e poderá desmembrar a defesa dos dois, caso eles não sustentem em juízo a mesma história que contaram à polícia sobre a noite em que a criança foi esganada e jogada do sexto andar de um prédio da Vila Mazzei, bairro de classe média de São Paulo.

Os rumores da separação do casal começaram em janeiro, quando Anna Carolina e Alexandre pararam de trocar cartas de amor. As correspondências eram levadas sempre por parentes. A última foi escrita por Alexandre entre o Natal e o ano-novo e entregue na primeira semana de janeiro à madrasta de Isabella. Na carta, o pai da menina assassinada dizia que estava com saudades dela e dos dois filhos. Essa carta, porém, não teve resposta. Desde então,Anna Carolina dedica-se à religião e aos afazeres na cozinha comunitária das presas. Segundo uma fonte da Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, ela não teria mais interesse no marido. "As últimas cartas que ela mandou para ele nem falam mais de amor. Só dos filhos", conta uma agente carcerária.

Os novos advogados do casal, Roberto Podval e Beatriz Dias Rizzo, não confirmaram ao Correio Braziliense/Diario a separação do casal, mas também não desmentiram. Disseram que ainda cuidam da defesa dos dois e que a suposta separação só afetaria os trabalhos dos advogados se o casal começasse a se acusar mutuamente ou se não compartilhassem mais da mesma versão. Procurados pela reportagem, os pais de Alexandre e Anna Carolina não quiseram comentar o assunto.

No mundo do crime, casais que cometem assassinatos juntos acabam divergindo com o passar do tempo, e a separação torna-se inevitável. Eles geralmente deixam de falar a mesma língua bem perto do julgamento. Foi assim com Suzanne von Richthofen. Ela eo namorado Daniel Cravinhos tramaram juntos a morte dos pais dela em 2002, em São Paulo. Tiveram como parceiro Cristian Cravinho, irmão de Daniel. Os dois irmãos passaram a acusá-la de planejar o crime e Suzanne sustentou que foi influenciada pelo namorado.

Outro exemplo é o casal Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, acusados de assassinar a atriz Daniella Perez. Cada um deles pegou 18 anos de cadeia. Cumpriram seis. Paula teve um filho de Guilherme na cadeia, mas não quis mais ver a cara dele quando ganhou a liberdade