O que falta para o Brasil se tornar um destino turístico de classe mundial? A pergunta, lançada a três importantes autoridades no assunto – a presidente da Embratur, Jeanine Pires, o presidente da Resorts Brasil Alexandre Zubaran e o presidente da World Travel & Tourism Council (WTTC), Jean-Claude Baumgarten – durante o primeiro dia do Nordeste Invest 2009, obteve uma resposta quase unânime: melhorar a qualidade do acesso aéreo brasileiro.

“Não há, por exemplo, como fazer promoção do Brasil na China, se não há ligação direta entre os dois países”, afirmou Janine Pires. “Sem acesso aéreo não há desenvolvimento turístico”, disse. Representante da WTTC, uma das principais entidades de turismo no mundo, Jean-Claude Baumgarten citou seu deslumbramento com a paisagem do Nordeste já desde o vôo de helicóptero que o trouxe para Maceió (AL), onde está sendo realizado o evento, para depois completar: “Vocês já têm um produto com potencial, uma bela natureza. Mas se quiserem realmente transformar o Brasil num destino internacional, acesso aéreo é a palavra-chave”, afirmou.

Concordando com Janine Pires e Baumgarten, Alexandre Zubaran reforçou o questionamento: “Não há dúvida de que o Nordeste hoje é um destino respeitável”, disse. “Mas ainda causa estranheza no mercado internacional o fato de o Brasil não ter ‘explodido’ ainda como destino de peso.” Zubaran citou ainda a relativa estagnação do número de turistas estrangeiros no Brasil, que há anos se mantém estável em cerca de 5 milhões de visitantes anuais. “Isso é inexpressivo pelo potencial e quantidade de destinos que temos”, disse. “É claro que eu poderia citar vários fatores como causa, mas, se tiver que apontar apenas um, ele sem dúvida é a escassez de vôos. É preciso que o governo diga o que é estratégico e ajude a implantar uma aviação regional de pequeno porte para interligar diferentes destinos, dando, inclusive subsídios”, afirmou.

Outro ponto enfatizado por Jeanine e Baumgarten foi a importância do desenvolvimento do mercado interno de turismo para, consequentemente, atingir o internacional. “Não há dúvida de que é muito charmoso fazer promoção internacional”, disse Jeanine. “Mas vivemos neste momento o início de uma cultura de viagens no país e é esse potencial de consumo dos brasileiros hoje que deve merecer atenção.” Segundo dados da Embratur, o Brasil já está também se tornando um relevante emissor internacional de turistas, com 3,5 milhões de brasileiros realizando viagens internacionais em 2007. “Apostar no mercado doméstico é também uma forma de se proteger da variação dos mercados internacionais”, reforçou Baumgarten.

O investimento no turismo de baixa densidade, focado, por exemplo, nos roteiros de charme, foi outra estratégia importante apontada pelos participantes. “Já que não temos estrutura de grandes redes ou volume de vôos, uma saída inteligente é apostar em menos ‘clientes’ que gastem mais dinheiro”, afirmou Jeanine. Segundo dados de 2008, o turista médio estrangeiro hoje fica 18 dias no Brasil, o que tem proporcionado ao país um crescimento das receitas de turismo de 7 a 8 vezes mais do que a média mundial. “Queremos qualidade e não quantidade de turistas”, afirmou.

Outro fator destacado por Jeanine Pires que deveria passar a ser mais explorado é a recente opção entrar e sair do Brasil por cidades diferentes. “Há não muito tempo, o estrangeiro só tinha como opção o Rio ou São Paulo. Agora já é possível entrar pelo Norte ou Nordeste e sair por Brasília, por exemplo. Isso mostra o avanço que temos tido na captação de novos vôos, embora ainda não seja o suficiente”, alertou.

                Mediador do painel, Felipe Cavalcante, presidente da Adit Nordeste, entidade organizadora do Nordeste Invest, enfatizou ainda a importância de o Brasil contar com mais produtos de classe mundial, das grandes redes hoteleiras, para atrair os europeus e americanos e disse estar confiante com as propostas que serão apresentadas pelos governadores no Nordeste ao presidente Lula na próxima semana, durante uma reunião da Sudene.

                Apesar das observações, Jean Claude Baumgarten, reforçou a visão otimista do mundo em relação ao Brasil: “o que nós da WTTC vemos é que nos próximos 10 anos seu país crescerá algo em torno de 11% ao ano”. E alerta: “Tão logo a crise comece a se acalmar, o que deve acontecer depois de 2010, é certo que o mundo se voltará para cá. Para aproveitar isso, portanto, não esperem o mercado decolar para fazer a lição de casa. A hora de investir, é agora.”