O presidente do conselho de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, disse que espera uma decisão sobre as conversações para eventual fusão com a Perdigão até junho próximo. A afirmação foi feita em conversa com jornalistas depois de Furlan participar de encontro com analistas, em São Paulo, para apresentar os resultados da empresa em 2008.

 

Quando questionado sobre o que estava emperrando as negociações com a Perdigão, Furlan disse que se trata de uma "relação de troca, de como se vai compor a participação das duas empresas numa situação futura". Indagado se o problema era preço respondeu que não, "porque ninguém está vendendo nada".

 

A Perdigão, que já admitiu ter negociado com a Sadia, mas que na semana passada disse que não havia mais negociações em andamento, preferiu não se manifestar.

 

Sobre uma possível injeção de recursos do BNDES, Furlan disse que a pergunta deveria ser dirigida "ao diretor" do banco de fomento. Também foi questionado se o BNDES impunha alguma condição à Sadia. "Que eu saiba, não", respondeu.

 

A Sadia anunciou na última sexta-feira (27) prejuízo de R$ 2,5 bilhões em 2008, reflexo de operações com derivativos "tóxicos" que geraram despesa financeira de R$ 2,6 bilhões no ano passado. De acordo com Furlan, "a empresa está trabalhando ativamente nesse processo de capitalização". "Os acionistas sabem que este prejuízo afeta o capital de giro e que de uma forma ou de outra precisa ser recomposto", disse. Essa recomposição, como disse o presidente-executivo da empresa, Gilberto Tomazoni, viria por meio da venda de ativos não-operacionais e operacionais que não são prioritários para a Sadia.

 

No encontro com analistas, Tomazoni afirmou que a margem lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Sadia este ano deve ficar entre 8% e 10% - foi 10,9% em 2008 e de 13,5% em 2007.

 

A expectativa é de piora por conta dos ajustes nos estoques de toda a cadeia de produção feitos neste trimestre. Esses ajustes ocorreram em função da queda das exportações de carne de frango e suíno no último trimestre de 2008. "O primeiro trimestre deve ser o pior em termos de margem", admitiu Tomazoni, para quem o número deve vir abaixo do esperado para todo o ano. Ele disse, porém, que as vendas externas começam a dar sinais de aumento, principalmente para o Oriente Médio. Afirmou que ainda existe dificuldade de repasse de preços dos grãos para o produto final no mercado interno. "Os preços das commodities não caíram como esperávamos."

 

Na última terça-feira (31), as ações PN da Sadia subiram 1,7% na Bovespa, e as da Perdigão recuaram 4,9%.