Mais uma reunião entre governo do Estado e representantes do setor leiteiro de Alagoas definiu as metas e participação no projeto-piloto de desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite.

O debate sobre as ações foi realizado durante o Fórum da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, nesta segunda-feira (22), coordenado pelo governo do Estado, por meio das secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística (Sedec), e da Agricultura e Desenvolvimento Agrário (Seagri).

Cerca de cinquenta pessoas, entre gestores do governo, representantes das entidades do setor produtivo, além dos produtores e industriais do leite, deliberaram sobre as ações e metas do projeto de desenvolvimento do setor, que inicialmente trabalhará com 30 pequenos laticínios e 600 pequenos produtores.

De acordo com o estudo, o objetivo geral é aumentar a competitividade da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados de Alagoas, com o investimento de R$ 12 milhões, divido entre o governo do Estado, Sebrae (Alagoas e nacional), confederações da Industria e da Agricultura.

O Plano Estratégico se desdobra em quatro objetivos específicos: atingir outros mercados e produção de novos produtos; aumentar a receita da cadeia produtiva; aumentar a produtividade, etc.

O projeto contempla metas para cada objetivo, como o aumento do volume de leite para compras governamentais em 10% até 2011 (áreas da educação e da assistência social); combater a venda de leite e derivados clandestinos, devendo formalizar 35% até o final de 2011 e 65% até o final de 2014; aumentar o número de empresas com Serviço de Inspeção Federal (SIF) em 20% até 2011, entre outros.

Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes, o desenvolvimento do setor leiteiro de Alagoas é um trabalho em conjunto, do governo e do setor produtivo, e a intenção de todos é aumentar a produção de 600 mil litros/dia para 1 bilhão de litros/dia.

O secretário lembrou que o governo está empenhado na atração de novas indústrias e na criação de parceria para o crescimento das empresas já existentes no estado.

Na cidade de Palmeira dos Índios, onde está localizada a Indústria de Laticínios de Palmeira dos Índios (Ilpisa / Valedourado), a maior do setor de Alagaoas, em 60 dias será inaugurada a indústria Bona Sorte, que já planeja acrescentar a produção de leite UHT (longa vida) em parceria com a Tetra Pak.

Demanda — Em reunião técnica na última sexta-feira (19), na Secretaria da Fazenda (Sefaz), o grupo técnico da Cadeia Produtiva e o Sindicato das Indústrias do Leite e Derivados de Alagoas (Sileal) apresentaram a proposta de revisão e alteração na política fiscal e tributária para o setor.

Segundo a coordenadora do Fórum da Sefaz, Lia Milhomes, o assunto está sendo analisado pelo Grupo de Trabalho do Fórum, que dará resposta em 30 dias.

Assunto muito debatido durante a reunião do fórum, o serviço de energia foi apontado pelos produtores e industriais como grande gargalo não somente do setor do leite. Para o secretário da Agricultura, Jorge Dantas, esse é um problema sério, pois a deficiência do fornecimento de energia prejudica a qualidade do leite, comprometendo o faturamento do produtor que fica obrigado a comercializar num valor baixo.

Para responder as reclamações, o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Geraldo Dias, reconheceu que o sistema do Sertão de Alagoas é precário. “A região representa apenas 10% do mercado da Ceal, dificultando a justificativa para grandes investimentos no sistema energético”, disse Dias.

Ele explicou que a grande demanda do serviço está localizada na região metropolitana de Maceió, mas há estudos para atender algumas demandas já conhecidas no interior do Estado.

Outro tema debatido foi a conservação das rodovias estaduais e as estradas vicinais, estas sob a responsabilidade dos municípios. Segundo o presidente da Cooperativa do Leite (CPLA), Ricardo Barbosa, os produtores da região Norte enfrentam muitos problemas, com prejuízos pela dificuldade de deslocamento do produto e também o fornecimento de energia elétrica.

O superintendente da Secretaria de Infraestrutura, Marcos Vital, apresentou um mapa de obras em rodovias estaduais na região Norte, em consequência de convênio do setor turístico, mas que beneficiará todos os setores. Há uma proposta em análise da aplicação de um programa em Alagoas, criado pelo Governo do Estado de São Paulo, em que os governos estadual e municipal se unem para realizar obras nas estradas vicinais.

Na ocasião, ficou certo que o Sindicato das Indústrias do Leite e Derivados de Alagoas (Sileal) e o Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite) irão elaborar um documento apontando as principais necessidades quanto ao fornecimento de energia e os trechos de estradas vicinais.

Para o presidente do Sindileite, André Ramalho, as discussões para benefício da cadeia evoluíram nesta reunião onde ficou certo o projeto de desenvolvimento, que inclui capacitação e um plano de comunicação para incentivo ao consumo interno de leite e derivados produzidos pelas industrias de Alagoas.

Na área industrial, o vice-presidente do Sileal, Arthur Vasconcelos, também considerou positiva a reunião do fórum, direcionada a atender e solucionar os principais gargalos do setor. “As indústrias possuem postos de coletas do leite no interior e sofre com a oscilação no fornecimento de energia e na conservação das estradas, comprometendo na qualidade da matéria prima”, esclarece.