Considerado um dos bairros mais populoso e o terceiro mais violento da capital alagoana, o complexo Benedito Bentes, composto por 24 conjuntos residenciais e 18 grotas, recebe a partir desta segunda-feira, a 1º Semana de Prevenção as Drogas. O evento idealizado pelo Instituto de Promoção da Paz (Propaz), e que envolve vários segmentos da sociedade e do poder público, espera conscientizar a população sobre o perigo do uso e tráfico de drogas na região.

A abertura da semana de prevenção ao uso de drogas aconteceu em uma escola do bairro, com uma palestra para representantes de ONGs, convidados, educadores, líderes comunitários e religiosos. A solenidade teve como palestrantes o secretário de Estado da Defesa Social, Paulo Rubim, e o superintende da Policia Federal em Alagoas, delegado federal, José Pinto de Luna.

Durante o seu discurso, Paulo Rubim, especialista na área de narcotráfico há 18 anos, trabalhando não só no Brasil como também no exterior, explicou que a população e as autoridades competentes têm que entender que usuário é diferente de traficante. Segundo Rubim, cada um deles devem ser tratados de forma distinta para produzir ações eficazes no combate ao consumo de qualquer tipo de droga.

“Não podemos continuar combatendo as drogas de forma errônea, não será com algemas e presídios que resolveremos este problema”, frisou o secretário. Para ele, a metodologia é arcaica e equivocada, e continua sendo usada.

Para Paulo Rubim é necessário que cada um assuma sua responsabilidade. “Polícia prende traficante, usuário tem que ser tratado, e a família torna-se papel importante para denunciar o tráfico na região. A família dispõe da melhor forma de educar e cuidar dos seus filhos”, disse.

Segundo dados da Propaz, de janeiro do ano passado até maio deste ano, aconteceram 177 homicídios no Benedito Bentes, deste total, 80% estão relacionados ao tráfico de drogas na região. Ainda segundo o Instituto, só este ano, as policiais estaduais já efetuaram 76 prisões por tráfico de entorpecentes e 51 por portes de entorpecentes para uso.

Para Paulo Eugenio, capitão da Policia Militar e um dos criadores do Instituto Propaz no Benedito Bentes, os dados demonstram que a droga tem sido o combustível para o número crescente de Homicídios. “A cada dia os jovens embarcam mais cedo no mundo das drogas, o número de homicídios assusta a população, e foi com essa preocupação que resolvemos criar este movimento para buscar uma saída”, afirmou o capitão.

Afastado a 12 anos do mundo das drogas, Anderson da Silva, que fundou a Comunidade Terapêutica Jericó, uma das únicas no Estado a tratar dependentes químicos, disse que o maior problema continua sendo a falta de estrutura familiar para identificar, aceitar e apoiar o usuário na família; além da falta de informação para saber trabalhar com o problema e a busca pelo melhor tipo de tratamento para os usuários.

“As drogas continuam sendo um grande tabu em família e durante esta semana, a população terá um grande ganho que é a oportunidade de obter informação sobre elas, hoje em dia em cada dez alagoanos, pelo menos um tem esse problema em família”, destacou o fundador da Comunidade Jericó.

Anderson da Silva exalta o trabalho das comunidades terapêuticas. “As comunidades terapêuticas são uma das alternativas de tratamento, mas ainda são poucas e estão engatinhando por falta de investimento. Nelas o dependente químico encontra espiritualidade, limites e principalmente a conscientização de que são usuários e que precisão de tratamento”, completou Anderson.

Durante toda a semana haverá uma exposição fixa, com o tema: As drogas e a Violência no Benedito Bentes, no Terminal Rodoviário do bairro, escolhido estrategicamente por ser o local de maior circulação de pessoas do bairro.

A semana será encerrada com uma grande Caminhada da Paz, no dia 27. Com saída prevista para as 15h, a comunidade fará uma passeata da Escola Pastor José Tavares até a Praça Padre Cícero, onde o governo do Estado lançou a um mês o Território da Paz, projeto que trabalha a área social do bairro, prevendo diminuição da criminalidade.