Encontrar um parente que desapareceu em Alagoas ainda é uma tarefa difícil, devido a falta de mecanismos que reunam e disponibilizem informações para população. Mas, o Banco de Dados de Pessoas Desaparecidas (BDPD), desenvolvido pelo Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) visa integrar dados sobre desaparecidos, como fotos e ainda, amostras de material genético da família, para
comparação em casos onde apenas corpos ou restos humanos são encontrados.

Uma parceria entre o Instituto Médico Legal (IML), os conselhos tutelares e a Secretaria de Defesa Social pretende ampliar a quantidade de cadastros no sistema, que atualmente tem apenas cinco famílias que procuram por parentes que desapareceram em municípios como Delmiro Gouveia e Rio Largo.

O número de cadastrados ainda é irrisório perto da quantidade de corpos enterrados como indigentes.

O professor Luiz Antônio, responsável pelo banco de dados, lamentou o fato de Alagoas não ter dados precisos de crianças e adultos desaparecidos, por conta da falta de interesse do poder público.

" Só no ano passado aconteceram mais de 150 assassinatos, onde boa parte dos mortos não foi identificada. As pessoas do interior têm menos possibilidade de encontrar um parente, por isso o Tribunal de justiça e outros órgãos também devem se mobilizar", destacou.

A conselheira tutelar da região do Jacintinho, Cecília Oliveira revelou que diante de desaparecimentos, principalmemte de crianças e adolescentes, a primeira medida dos familiares é procurar os conselhos, que repassam as informações para os que estão instalados em outras regiões.

Após isso, os dados são fornecidos ao BDPD, que já conseguiu localizar alguns
adolescentes.

"As famílias não têm recursos para procurar, por isso o cadastro é importante. Muitas crianças e adolescentes somem depois de desentendimentos familiares e vão até para outros municípios. O problema é que quando retornam a família não nos comunica", disse.

A assessoria da Secretaria de defesa social informou que o setor de perícias forenses e o laboratório de DND da Ufal, que é referência no país, trabalharão juntos, cruzando informações de seus bancos de dados. Futuramente, as delegacias e os presídios também passarão por um cadastramento, onde o material genético dos presos será coletado e armazenado.