Os acidentes de trânsito,provocados por motoristas que ingeriram bebida alcoólica, ainda são responsáveis pela maioria das internações nas unidades de saúde que realizam atendimento de emergência, mas, após um ano da implantação da Lei Seca, esse número caiu em Maceió quase pela metade, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde (MS). De acordo com o órgão, houve no segundo semestre de 2008 – quando foi implantada a nova legislação – uma queda de 49,80% no percentual de internações, se comparado com os números registrados no segundo semestre de 2007, quando dirigir embriagado não acarretava punições severas aos motoristas, a exemplo da cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

 Esse percentual se refere aos registros das unidades hospitalares da capital, que computaram em seus prontuários a ocorrência de 1.755 internações causadas por acidentes de trânsito no segundo semestre de 2007 e, no segundo semestre do ano seguinte, 874 foram computadas, tendo como fator preponderante o uso abusivo de bebida alcoólica antes de dirigir. Com isso, os hospitais de urgência de Maceió registraram, no segundo semestre do ano passado, 881 internações a menos, o que significa economia no tratamento curativo e menor ocupação dos leitos hospitalares, a exemplo do Hospital Geral do Estado (HGE), que é o maior centro de atendimento às vítimas de acidentes de trânsito ocasionados pela ingestão de álcool.

E com referência às demais capitais brasileiras, o percentual de internações relativas aos acidentes provocados pela ingestão de álcool também foi reduzido, segundo o MS. No total, foram menos 24.545 hospitalizações em 2008, o que representa uma queda de 23% nos atendimentos às vítimas do trânsito financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para chegar aos resultados do impacto da “Lei Seca” nas internações e mortes associadas ao trânsito, o Ministério da Saúde usou como base os dados dos sistemas de Informações sobre Mortalidade (SIM) e de Internações Hospitalares (SIH), além do Inquérito Nacional de Fatores de Risco e Proteção para Doenças e Agravos não Transmissíveis (VIGITEL).

Queda das mortes

Mas o que chama mais atenção é o fato de ter ocorrido, também, queda no percentual de mortes ocasionadas por acidentes de trânsito relacionados ao uso de álcool. No segundo semestre de 2008, foram registrados 67 óbitos relacionados aos acidentes de trânsito, contra 82 no segundo semestre de 2007, evidenciando que ocorreram menos 15 mortes, o que corresponde a uma redução de 81,70%.

“Esses números atestam que a Lei Seca inibiu a ocorrência de acidentes no trânsito e de mortes ocasionadas também nas rodovias de Maceió. Sabemos que nem todos àqueles que fazem uso álcool são alcoólatras e, portanto doentes, mas o consumo de álcool acima do limite permitido acarreta mudanças psicomotoras que podem provocar acidentes automobilísticos, resultando nos internamentos e nos óbitos”, salienta o coordenador do Programa de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Berto Gonçalo, ao acrescentar que “o álcool faz o organismo produz ácidos graxos que bloqueiam a superfície dos neurônios, alterando as ligações entre eles e atingindo a parte do cérebro que controlam os sentidos”.

Ele chama atenção para o fato de que o álcool é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de internações e mortes no trânsito, pois estudos apontam que, entre 30 a 50% das vítimas consumiram álcool antes do acidente. “Esta realidade levou diversos países a adotarem limites mais baixos de consumo de álcool, especialmente entre motoristas jovens ou inexperientes, como vem acontecendo no Brasil”, observa o técnico da Sesau.

Legislação

No Brasil, motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue, estão sujeitos à multa de R$ 957, 00, perda da carteira de motorista por um ano e ainda à apreensão do carro. Além disto, medida acima de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue é considerada crime e pode levar à prisão.