O comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas, coronel Dalmo Sena, afirmou nesta terça-feira (16) que a ação do Batalhão de Operações Militares Especiais (Bope) contra os agentes penitenciários que fecharam o acesso da população à Praça Marechal Floriano Peixoto no Centro de Maceió, na segunda-feira (15), foi executada dentro do que preceitua a lei.

Segundo o coronel Dalmo Sena, a polícia teve de agir de forma mais enérgica, porque foram esgotadas todas as possibilidades de diálogo e de tempo com os agentes penitenciários. “Eles insistiram em prejudicar uma grande parte da população com o fechamento de uma via importante no centro da cidade em horário de pico, privando o cidadão do direito de ir e vir das pessoas, um direito constitucional”, justificou o comandante.

De acordo com Sena, entre o começo do diálogo com os manifestantes, por meio do Centro de Gerência de Crises e de Direito Humanos da PM, e o início da operação do Bope para desobstruir a pista, passaram-se mais de três horas, sem nenhuma negociação por parte dos agentes. “Eles ignoraram até o Centro de Gerenciamento de Crises, que entrou em ação às 11h. O Bope só agiu depois das 14h, o que dá mais de três horas sem eles cederem ao diálogo. Além disso, ainda usaram armas no conflito e jogaram objetos contra os policias”, completou o comandante.

O bloqueio de acesso à via onde está situado o Palácio Floriano Peixoto foi feito por um grupo de agentes penitenciários que protestavam. Eles fecharam a pista, usaram armas de fogo e lançaram objetos contra os policiais, como mostra um vídeo que está de posse do comandante do Bope, major Marcos Sampaio.

“Os manifestantes bloquearam uma via pública, obrigando as pessoas a descer dos ônibus e fazer o trajeto a pé, assim como prejudicaram todo o trânsito dos veículos. O que fizemos foi nada mais que agir dentro da lei e das normas adotadas nesses casos”, explicou o major Sampaio.

O oficial acrescentou que mesmo com o insucesso no diálogo com o Centro de Gerenciamento de Crises ainda tentou conversar com os agentes penitenciários: “Dei um prazo de 15 minutos para eles desobstruírem a área, o que também não ocorreu”, completou Sampaio.

Após o prazo dado para a liberação da via e a consequente insistência dos agentes em continuar obstruindo a pista, o major Marcos Sampaio explicou que teve início a operação do Bope, por volta das 14h10, com bombas de efeito moral para evacuação da área. “Nesse instante, por meio de filmagem feita por nós, vê-se claramente que alguns integrantes do movimento começam a jogar pedras e dois deles chegam até a manusear arma de fogo em direção aos policiais”, contou o oficial.

“Daí em diante, numa operação bem coordenada e consciente, apesar dos objetos jogados em direção dos policiais, o Bope iniciou o lançamento de elastômeros (balas de borracha) para ocupar a pista até então invadida, o que conseguimos com sucesso”, completou o major.

O comandante do Bope deixou claro que qualquer manifestação que prejudique o direito de locomoção das pessoas ou não esteja dentro da lei não será permitida pelo Bope. “Saliento que os agentes não quiseram negociar nem mesmo com a intervenção do Centro de Gerenciamento de Crises”, destacou Marcos Sampaio.