Há uma estratégia pepista em andamento pelas bandas de Brasília (DF), segundo uma fonte local. Depois de o partido ter sido alvo de uma reportagem da revista IstoÉ, que aponta o suposto favorecimento que algumas empreiteiras junto ao Ministério das Cidades, com obras que teriam sido superfaturadas, em função de terem doado recursos para o PP, ensaia-se uma reação.

O que consiste em lembrar que empresas como Camargo Correa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez também foram doadoras significativas de outras campanhas, incluindo a presidenta Dilma Rousseff (PT); que somente da primeira citada teria recebido R$ 8,5 milhões. O raciocínio é usar da lógica: se as empresas doam em busca de favorecimento, o pecado já foi cometido no “topo da cadeia alimentar”, ao estarem junto com Rousseff.

Isto porque – segundo uma fonte – há pepistas que desconfiam que a matéria veiculada pela IstoÉ é “fogo amigo”, ou seja: as informações adquiridas pela publicação semanal veio de mãos “aliadas”. De acordo com matérias já veiculadas na imprensa, as construtoras já doaram mais de R$ 33, 7 milhões para os cofres petistas. Além disso, a relação poder público e empreiteiras nunca foi tida como bate papo em convento.

Para se ter ideia, das cinco empresas que mais doaram à Dilma, Camargo Correa e Andrade Gutierrez estão no topo, ao lado de outras não citadas pela IstoÉ em matéria com foco no PP. É claro que isto não isenta o PP de nada e há muito o que explicar em relação ao escândalo do Ministério das Cidades. É melhor explicar do que intimidar a imprensa, como alguns pepistas buscam fazer para evitar maiores discussões sobre o assunto.

Afinal, as doadoras – que o PP conhece bem – também são velhas conhecidas do Tribunal de Contas da União, mas seguem com seus espaços garantidos dentro do PAC. Se a estratégia pepista vai funcionar, é para se esperar. Porque o discurso ainda é ensaiado de forma interna, como quem diz: “estão vendo isto, é para vocês entenderem que não é assim que se trata um amigo!”.
 

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