A busca pela inserção de pessoas com deficiência (PcD) nos postos de emprego é uma das metas do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas. Nessa linha de atuação, está sendo investigada denúncia sobre dificuldade de comunicação entre chefes e empregados deficientes auditivos no Extra de Maceió. Para esclarecer os fatos, a procuradora do Trabalho Virgínia Ferreira realizou audiência em que foram ouvidos funcionário. O objetivo foi buscar informações sobre acessibilidade e adequação do hipermercado para as PcD, contratadas por força da Lei 8.213/90, a qual prevê a obrigação de empresas com mais de cem empregados de contratarem pessoas com deficiência.

De acordo com relatos de funcionários, os deficientes auditivos enfrentam problemas relacionados à comunicação com os respectivos chefes e essa situação está motivando pedidos de demissões por parte de alguns. Com o auxílio de um intérprete de Libras, a Língua Brasileira de Sinais, eles informaram à procuradora que nem as normas da empresa são entendidas. “Os surdos não têm a possibilidade de crescimento na estrutura organizacional da empresa por causa da dificuldade de comunicação. Não se sentem motivados pelo distanciamento do funcionamento da empresa”, relataram.

Os surdos também reclamaram da falta de reconhecimento do trabalho realizado por eles. “Os empregados que não têm deficiência auditiva são promovidos para outros cargos, com direito a aumento salarial, enquanto que os surdos permanecem como empacotadores, sem perspectivas de mudança”, revelaram.

As PcD defendem a contratação de um intérprete como forma de integrar os surdos no contexto organizacional. Segundo eles, as atenções da empresa se voltam apenas para os empregados que não deficiência auditiva e isso gera nos surdos a sensação de exclusão.

A audiência com o supermercado está marcada para o próximo dia  27 de julho, às 11h, na sede da PRT.