A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou na noite desta segunda-feira, 1.º, que parte da tripulação de um avião da companhia aérea TAM avistou "pontos laranja" no Oceano Atlântico, que poderiam ser os destroços do Airbus da Air France desaparecido desde a noite de domingo, 31.
Segundo a FAB, a nave da TAM estava a cerca de 10 minutos do espaço aéreo do Brasil e, portanto, sobrevoava o espaço aéreo do Senegal, quando relatou que avistava possíveis chamas sobre o oceano. A informação confirma o que o vice-presidente brasileiro, José Alencar, havia dito durante a tarde desta segunda-feira, 1º.
Mais cedo, o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, declarou que as buscas serão intensificadas em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", situada próxima à metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal.

As buscas pelo Airbus contam com cinco aviões e dois helicópteros da FAB. A Marinha brasileira participa da operação com os navios patrulha Guarujá, que saiu de Natal (RN), Fragata Constituição, cujo ponto de partida será Salvador (BA), e Corveta Caboclo, que estava ancorada em Maceió (AL). Aviões da França e da Espanha e quatro navios mercantes também buscam pela aeronave. Além disso, sistemas de satélites do Pentágono mobilizaram forças na localização da aeronave e na procura de sobreviventes.

Até o momento, a Aeronáutica não detectou sinais que possam ter sido emitidos por um aparelho do avião. Entretanto, a possibilidade de o aparelho começar a funcionar, caso não tenha sido destruído, não é descartada. Nem a Air France, nem o centro de crise do governo francês confirmam a informação de que destroços do avião teriam sido localizados no espaço marítimo do Senegal.

Os 228 passageiros e tripulantes têm "escassas perspectivas" de serem localizados, nas palavras do presidente Nicolas Sarkozy. De acordo com o diretor-presidente da companhia, Pierre-Henri Gourgeon, as buscas, entretanto, serão intensificadas hoje em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", situada próxima à metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal.

Fernando de Noronha

O aeroporto do arquipélago de Fernando de Noronha passou a funcionar nesta segunda em estado de prontidão. Normalmente, seu funcionamento é das 8 às 20 horas. Mas, diante do desaparecimento, um funcionário permanecerá de plantão e outros 14 poderão ser acionados a qualquer momento, caso haja necessidade.

O gerente de operações do aeroporto, Carlos Gouveia, explicou que, por enquanto, o terminal será utilizado para o abastecimento de aeronaves. Ele poderá se tornar a base dos aviões da FAB apenas se for confirmado que os destroços do Airbus estejam localizados até um raio de 500 km.

Ajuda internacional

A aeronave também é procurada por quatro navios mercantes que circulam por aquela área do Oceano Atlântico. A pedido da Marinha brasileira, os navios mercantes Lexa Maersk, Jo Cedar, Ual Texas e Stolt Inspiration foram contatados via satélite e começaram sua busca.

Um avião da Força Aérea Francesa, o Atlântico 2 partiu de uma base francesa de Dacar, no Senegal, e faz o sentido contrário da rota do voo 447, da Air France. Esse avião é o primeiro do lado europeu a fazer esse percurso após o desaparecimento da aeronave.

Nesta terça-feira, 2, outros dois aviões (um Falcon 50 e outro Atlântico 2) vão partir de Dacar para concentrar as buscas no Golfo de Guiné, onde se supõe que o avião tenha desaparecido. A França também enviou um navio que estava na costa da Guiné para a região, mas ele estaria a algumas horas de viagem.

Os espanhóis também estão ajudando nas buscas e mandaram um avião da Guarda Civil e um Focker que pertence ao Serviço Aéreo de Resgate da Aeronáutica, com base no arquipélago das Ilhas Canárias. O avião de reconhecimento da Guarda Civil partiu da capital senegalesa, onde participa de um programa de prevenção à imigração ilegal na Europa, informou um porta-voz do Ministério de Interior espanhol. Já o Foker, viaja a Cabo Verde para se juntar à busca pela aeronave da Air France.

O vice-chefe do centro de comunicação social da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral, informou que a Força Aérea Americana se colocou à disposição para ajudar nas operações de busca.

Voo 447

O voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.