O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que o plano de reestruturação da (General Motors) é "viável e realista" e dará à companhia a "oportunidade de renascer", ao mesmo tempo que manifestou otimismo sobre o futuro da Chrysler.

Por sua vez, o presidente da GM, Fritz Henderson, disse que a montadora deixará a concordata em "60 ou 90 dias". Em coletiva de imprensa, afirmou ainda que a quebra não "terá nenhum impacto" na Europa, América do Sul ou Ásia e que seguirão operando "sem interrupções".
A GM pediu hoje proteção judicial para fazer frente a sua situação financeira, após não conseguir definir com seus credores uma reestruturação da dívida. A empresa, assim, está sob proteção do "Capítulo 11" da Lei de Falências americana --o equivalente à concordata (ou recuperação judicial, no Brasil).

Segundo Obama, enfatizou que permitir o colapso da GM e da Chrysler seria um desastre à economia americana, ao fundamentar sua decisão de resgatar empresas emblemáticas, através de um processo de quebra e reestruturação.

"Em um momento em que estamos no centro de uma recessão e de uma crise financeira profunda, a ruína destas empresas teria tido um efeito devastador para inúmeros americanos, além de causar prejuízos enormes à nossa economia, não só na indústria automobilística", afirmou Obama, na Casa Branca, no dia em que a General Motors recorreu à concordata.

Obama fixou como objetivo terminar "rapidamente" com a intervenção do governo federal da GM. "Nosso objetivo é ajudar a GM a ficar de pé e sair rapidamente", disse ele.

No total, a administração federal irá injetar na companhia US$ 50 bilhões, sendo que US$ 20 bilhões já foram liberados, e irá controlar 60% do capital da empresa. Já o governo canadense concederá um empréstimo de US$ 9,5 bilhões em troca de 12,5% de participação acionária. O sindicato UAW (United Auto Workers) terá 17,5% dos títulos.
Obama disse que espera que a empresa saia rapidamente do processo de recuperação judicial e que o governo está pronto para um aporte adicional de US$ 30 bilhões para ajudar a empresa a se reestruturar.

Mercado de ações

A GM deixará de cotar na terça-feira na Bolsa de Nova York (Nyse, na sigla em inglês) e abandonará após 83 anos o índice Dow Jones Industrial, do qual o Citigroup também sairá.

A Nyse informou hoje, em comunicado, que o pregão de hoje será o último para o fabricante automobilístico, assim como para dez tipos de ações relacionadas à General Motors que também são negociadas no pregão nova-iorquino.

A entidade que administra a NYSE disse que determinou que a "companhia não é mais adequada para sua inclusão" no pregão. Afirmou também "tomar nota da incerteza sobre o momento e o resultado do processo de quebra".

A companhia também deixará de fazer parte do índice Dow Jones Industrial, para ser substituída em 8 de junho pela Cisco Systems.

O índice Dow Jones Industrial reúne os principais valores cotados em Nova York com maior valor de mercado e, com os anos, transformou-se no barômetro da bolsa mais conhecido do mundo.