A General Motors entrou nesta segunda-feira (1º), numa corte de Nova York (EUA), com um pedido de concordata. Um pronunciamento oficial do presidente norte-americano Barack Obama e de algum executivo da GM é esperado para mais tarde. Trata-se da terceira maior quebra de empresa da história dos Estados Unidos, atrás apenas do Lehman Brothers e da WorldCom. A quebra da GM superou até mesmo a da Enron, em 2001.

Fundada há 101 anos, a GM foi a maior vendedora de veículos no mundo entre 1931 e 2008, quando a japonesa Toyota a ultrapassou. Afundada numa crise sem precedentes -- agravada pelo derretimento financeiro mundial iniciado em 2008, mas originada em procedimentos e estratégias empresariais muito questionados, como insistir na fabricação de picapes e SUVs beberrões e poluidores --, a GM começou este ano devendo bilhões de dólares, inclusive ao Tesouro dos EUA, e enfrentando dificuldades para fechar acordos com seus credores.

Como parte do processo de reestruturação, o governo dos EUA vai colocar mais US$ 30,1 bilhões na GM, em troca de 60% do controle da "nova" companhia que emergirá da concordata.

O governo do Canadá deterá 12% da empresa, entrando com US$ 9,5 bilhões. O sindicato United Auto Workers (UAW) terá assento na diretoria da companhia. Todos os atuais executivos devem ser trocados por homens de confiança do presidente Barack Obama.

No começo da derrocada, no final do ano passado, a General Motors teve de publicar um histórico anúncio admitindo vários erros, fazendo uma auto-crítica arrasadora e, finalmente, explicando aos cidadãos dos Estados Unidos porque se via no direito de pedir dinheiro público emprestado para sair do buraco. Agora, vê-se obrigada a apelar à lei norte-americana para proteger-se contra pedidos de falência.

A Chrysler, terceira maior montadora de veículos dos Estados Unidos, pediu concordata no final de abril. Seu processo de recuperação inclui uma aliança com a italiana Fiat, mas nada de semelhante será feito pela GM.

O que a ex-maior do mundo fez de prático antes da concordata foi colocar à venda a marca Hummer, marcar o próximo ano como o último da Pontiac, sucatear a Saturn e, na Europa, passar o controle da Opel à canadense Magna. A Ford, segunda maior montadora dos EUA, não chegou a pedir dinheiro ao governo norte-americano.

O processo de reestruturação da GM inclui o fechamento de diversas fábricas e unidades nos EUA e o consequente corte de postos de trabalho -- as demissões podem chegar a 20 mil, numa estimativa algo conservadora. Ao menos 11 unidades estão com os dias contados, entre elas, cinco fábricas de motores e estamparias, que devem encerrar suas atividades em 2010. Uma unidade no Estado de Delaware, especializada em roadsters (conversíveis de dois lugares) das marcas Pontiac e Saturn, é outra que terá as portas fechadas. Numa medida do que a quebra e severa reestruturação da GM podem fazer com a cadeia produtiva automotiva, até 100 mil empregos podem ser perdidos nas revendas do grupo que podem ser fechadas nos próximos anos -- até 6.000 lojas nos Estados Unidos estariam ameaçadas.

A esperada diminuição da produção, do catálogo de produtos e das vendas gerais da GM devem não só impedir que a empresa recupere a posição de maior do mundo no setor automotivo, como também fazer com que seja ultrapassada domesticamente pela própria Toyota e, num segundo momento, pela Ford -- que então se tornaria a maior montadora dos EUA.