Ao flagrar o taxista Jaílson dos Santos de Oliveira, 34, com carteira de habilitação falsa, durante procedimento de rotina, neste domingo, 31, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acabou suspeitando que pode estar diante de um esquema de venda de carteira nacional de habilitação (CNH) fria dentro do próprio Detran da Bahia, que envolveria a ação de um capitão da Polícia Militar.

Após ser detido, o acusado revelou que comprou a carteira por R$ 1.800, por intermédio de funcionários do próprio Detran. O agente Borges, da PRF, que o prendeu, acredita que a ação pode ter beneficiado outros motoristas. Jaílson rodava há três meses com a CNH falsa na Ilha de Itaparica e em Valença.

Ele  foi preso às 10h  no Km-580 da BR-324, sentido Feira de Santana, quando viajava no banco do carona de um amigo, e forneceu a carteira falsa como documento de identificação. Segundo o agente Borges, “a ausência de marca d‘água e a textura no papel utilizado para a confecção do documento, são alguns indícios de falsificação”.
O falso motorista foi encaminhado à 22ª Delegacia, em Simões Filho e poderá ser indiciado por falsificação de documento público.

ESQUEMA – Jaílson contou que tomou conhecimento do procedimento de aquisição de carteira, através de um amigo, que o apresentou a um homem apelidado por Gordo, que fez a intermediação do serviço. Ele cobrou entrada de R$ 800, afirmando que se destinaria a despesas com a confecção de laudos e documentos e marcou a entrega do documento para o prazo de 40 dias, no Detran.

Segundo o acusado, o próprio Gordo foi buscá-lo na lanchinha, ao lado do Mercado Modelo, para levá-lo ao Detran. Ele contou que a carteira foi entregue no estacionamento do órgão, por um homem armado, mas sem farda, que ele afirma ser o tal capitão. Ao receber  o documento frio pagou os R$ 1.000, restantes, sendo R$ 300 em dinheiro. “Assinei o cheque de R$ 700 sob o capô da caminhonete do capitão”, denuncia. Ele disse que embora fosse para 30 dias, o cheque foi descontado quatro dias depois.

EXAMES – O taxista, que é filho de um sargento da PM, disse que não sabia ter comprado uma CNH falsa, apesar de ter ciência de um esquema de favorecimento. “Eu já havia pedido a alguns amigos policiais que afirmaram que o documento era verdadeiro”, revelou.

Pai de 11 filhos, com três passagens pela polícia, por porte de arma, furto e desacato a autoridade, o taxista de Itaparica disse que dirige desde os 16 anos e que já tentou tirar a CNH quatro vezes, perdendo sempre no exame de legislação. “Tenho estudo fraco”, contou, afirmando que cursou só até a 3ª série.

Por meio da assessoria de imprensa, o diretor-geral do Detran-Bahia, Adriano Romariz Correia de Araújo, informou que logo no início do expediente desta segunda, 1º,  irá solicitar uma cópia do termo de ocorrência registrado na 22ª CP e será rígido na apuração sobre o possível envolvimento de funcionários do órgão no esquema de falsificação de carteiras, os quais serão punidos em caso de confirmação.