eu encontrei lá no arraial da Cia. das Letras-Unibanco-Itaú em 2006) assinou recentemente a biografia de Olavo Setúbal. Pra isso, às custas das pregas dos artistas brasileiros, que o Unibanco-Itaú cobra os juros que cobra? Se nem parece banco, parece o quê? Cinema? Jornalismo? E a imprensa que nem de longe toca no assunto, parece o quê?

Não quero bancar o Arnaldo César Coelho, mas “a regra é clara”: imprensa e banco estão mais ligados que siameses no canal Discovery.

Sou obrigado a concordar, e não vou resistir a fazer um “ trocadalho”: desse mato não sai Arnaldo nem sai Coelho, nem fodendo, nem no Discovery. Você viu o que o “cineasta” Pedro Bial fez com Guimarães Rosa? Eu defendo a pena de morte nesse caso, e você? O que acha desse número: mais de 30 milhões de pessoas votando (e pagando) para eliminar fulaninho do Big Brother da Rede Globo... Dava para reeleger o Lula?
 
Não sei o que o Bial fez com o Rosa. O BBB é uma merda. Quanto ao Lula, temos um dilema: qual é a opção? Vamos escolher tucanos e ignorar o monumental escândalo das teles ou a dinherama garfada nos esquemas da entourage Crusius no Rio Grande do Sul? Optar pelo extremo reacionarismo dos DEMoníacos? O satirista Karl Kraus escreveu: “Se tiver que escolher o menor entre dois males, não fico com nenhum deles”. Mas isso é só um aforismo elegante. Na vida real, sem alusão ao Serra, o buraco é mais embaixo. Parafraseando a famosa frase de Graham Greene sobre a corrupção inglesa, “se é pra isso, que venham logo os russos”. Pra babar de tanta sordidez e corrupção, gaguejaremos: “Que venham logo Mamaluf e Pittanic”? Falando neles dois, minha política básica é a seguinte: não acredito em Brasil porra nenhuma enquanto esses dois estiverem soltos!
 
Minha política básica é ir para o Canal Brasil, e anular o voto. Aquele meu amigo, o Nilo, que deu start nessa entrevista, também queria fazer algumas perguntas. Ele quer saber se o maior legado do cinema novo não são os filmes do diretor americano John Stagliano (Buttman). Ninguém, segundo o Nilo, levou tão longe aquela idéia da câmera na mão e só UMA idéia na cabeça. O Stagliano inclusive, ele esclarece, aperfeiçoou o conceito, achando várias coisas legais pra fazer com a outra mão enquanto filma.
 
O Buttman fez com o brasileiro aquele troço de mineiro comprando o bonde. Nós somos metidos a malandros e a ter as mais belas bundas do mundo. O cara veio aqui e faturou vendendo bunda brasileira pros otários e ainda faturou com elas no mundo todo. Não tenho nada contra pornografia, desde que não haja violência (os tais smuffs, é isso?), pedofilia e outras práticas conhecidas pelo Papa Bento Calibre XVI.
 
O que você acha das letras do Chico Bosco, filho de João Bosco?

Acho que o Chico paga um preço alto por ser filho do João. Mas quem quiser dizer que estou sendo parcial, azar. Sou padrinho do Chico, conheço bem seu trabalho, ele é um letrista excelente.

Oquei, você deixa o Chico Bosco fora disso. Mas o que acha da MPB hereditária? Nem vou falar de Simoninha, Max de Castro, o filho do Ivan Lins, Pedro Camargo Mariano, são tantos e – para mim – todos uns chatos. Quero falar da Maria Rita. Eu acho que essa garota tem muito talento. Mas eu vejo uma certa tristeza nela. Como se ela cantasse e pensasse assim: “Mas que merda, por que eu não sou a Preta Gil? Até para imitar minha mãe as coisas seriam mais fáceis, porra!” Tanta coisa pra fazer na vida, tantas profissões... O Lenine, por exemplo, podia trabalhar em histórias em quadrinhos: ele se sairia muito bem como o Chatotorix que aparece só no final, e mudo de preferência.  Acho que ninguém, enfim, merece ter um genro como o Carlinhos Brown.  Estou sendo maldoso, ou esse povo todo é iluminado mesmo?
 
Acho que os filhos do Simonal mereceram um destaque excessivo, talvez por uma espécie de culpa pelo patrulhamento ao pai, mas nesses lances de amiguinhos da repressão, penso como o Henfil: tem mais é que patrulhar mesmo. Maria Rita é um talento puríssimo, tão grande que tenho até medo de falar nela. Cláudio Lins canta muito bem e está amadurecendo como ator. Sobre o Carlinhos Brown, tenho uma história ótima que me foi contada pelo Guinga. Eles se conheceram mostrando músicas pro Sérgio Mendes, e o Guinga falou que as letras dele eram feitas por mim, que letrava minuciosamente nota por nota, procurando adivinhar o que o músico gostaria de dizer. Resposta do Carlinhos: "Já eu abro o dicionário ao acaso e vou enfiando as palavras que cismo".