O envelhecimento da população brasileira ocorreu a taxas aceleradas. Em 1991 eram 11 milhões de idosos. Passados 17 anos, a cifra subiu para 19 milhões. A estimativa de alguns especialistas prevê para este ano 23 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. E as projeções calculam que serão 32 milhões de idosos em 2025, representando cerca de 15% da população brasileira, conforme apresentação da professora de Psiquiatria e Geriatria da Universidade de Brasília Maria Alice Toledo, em audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), semana passada (veja na página ao lado).

Se a previsão se confirmar, o Brasil envelhecerá em 34 anos o que países europeus demoraram cem anos. Na França, por exemplo, a população idosa dobrou de 7% para 14% em um século, segundo a ex-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Elisa Franco de Assis Costa, também presente ao debate na CAS.

Esse quadro só piora a situação do Brasil para conseguir adequar suas políticas públicas e o atendimento à saúde do idoso. "Nenhum país do mundo estava preparado na área da saúde para atender o envelhecimento da sua população. Mas muitos deles tiveram tempo para ir se adequando. Aqui esse tempo não existe", disse a geriatra.

Mesmo assim, apesar do discurso oficial, não há prioridade ao idoso, na avaliação dos especialistas. Os recursos federais são irrisórios e ainda há baixa execução orçamentária: de R$ 20 milhões, só foram aplicados R$ 6 milhões em 2008, e dos R$ 8 milhões orçados para este ano, apenas R$ 607 mil foram liberados até maio, de acordo com Toledo. Há poucos profissionais especializados, reduzida capacitação na rede básica do Sistema Único de Saúde (SUS) e falta conexão entre hospitais, reabilitação, urgência, postos de saúde e centros de atendimento especializado.

Além desse diagnóstico preocupante, aqui não existem – ao contrário do que ocorre na Finlândia, Noruega e Dinamarca – instituições de longa permanência para quem precisa de ajuda para atividades diárias, como tomar banho e se vestir. Naqueles países, segundo Costa, os asilos são considerados instituições de saúde. No Brasil, possuem caráter assistencial, abrigando basicamente quem não tem moradia e renda, ou que só recebe o benefício de prestação continuada (previsto na Lei Orgânica da Assistência Social). Por essa razão, diz Costa, a maioria dos asilos parece verdadeiro depósito de velhos. E ainda assim são poucos. Na Suécia, cerca de 9% dos idosos moram nessas instituições. No Brasil, o índice é de 1%.