O deputado federal Barbosa Neto (PDT) venceu a eleição suplementar em Londrina (PR) neste domingo (29). Na campanha do "terceiro turno", ele teve o apoio do eleito no pleito de 2008 e cassado pela Justiça Eleitoral, o deputado estadual e ex-prefeito da cidade Antonio Belinati (PP).

Barbosa Neto disputou a eleição com o também deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que havia perdido para Belinati no segundo turno da eleição do ano passado. Barbosa voltou à disputa por ter sido o terceiro colocado no primeiro turno.

Com 100% das urnas apuradas, Barbosa Neto registrou 54,12% dos votos válidos, com 135.507 votos. Hauly teve 45,88% dos válidos, com 114.877 votos. Os votos brancos somaram 7.004 e os nulos, 15.624 votos.

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), a abstenção na cidade foi de 20% na eleição deste domingo. A posse está prevista para 3 de maio.
 
Segunda opção

Ao votar neste domingo, Barbosa Neto disse que a melhor solução para Londrina teria sido o "padrinho" assumir o cargo. “Continuo dizendo que estou na repescagem. Quem ganhou a eleição foi o Belinati. Qualquer outro resultado, na verdade, não é a vontade do povo”, disse.

 “Se existiam problemas, a Justiça errou em não julgar anteriormente”, reiterou Barbosa Neto, que votou acompanhado da mulher e dos dois filhos no colégio Hugo Simas, na região central.

O candidato disse ainda não ter pensado sobre uma participação de Belinati num eventual governo. Segundo ele, o prefeito cassado demonstrou a intenção de participar da adminstração apenas como deputado estadual.

Reduto de Belinati

A região conhecida como Cinco Conjuntos, na periferia de Londrina (PR), teve um dia de votação foi de pouco movimento. Uma das maiores zonas eleitorais da cidade, onde votam cerca de 70 mil pessoas, o lugar é um reduto de Antonio Belinati (PP), que entregou à comunidade os primeiros conjuntos habitacionais que deram origem ao nome, nos anos 80.

O G1 conversou com eleitores que consideraram que o ex-prefeito, que teve o registro da candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi "injustiçado" ao ser impedido de assumir o mandato para o qual havia sido eleito.

Eleitora de Belinati no primeiro turno das eleições, a zeladora Fátima Azarias, 31 anos, conta ter votado em Barbosa não pelo apoio do principal padrinho politico, mas por não gostar do tucano Hauly. “Cada candidato é um candidato. Acho que ele não representa a política de Belinati, mas a dele mesmo. Mas não gosto do Hauly”, diz ela, que considera “injusta” a cassação do registro do deputado pepista.

Para o pedreiro Laércio Gama da Silva, 71 anos, 12 deles vividos no Cinco Conjuntos, as medidas punitivas contra Antonio Belinati deveriam ter sido tomadas antes da votação em que se elegeu com a maioria dos votos.

O pedreiro, no entanto, que disse “sempre ter sido eleitor dele”, desconversa quando questionado se acredita na inocência do candidato: “Não dá para saber. A gente escuta falar essas coisas (acusações) de muitos. Eu prefiro não jogar pedra em nenhum.”

No outro extremo está o microempresário Felipe Durães, 25 anos, que declarou voto em Barbosa Neto, apesar de considerar que o padrinho Belinati, em quem votou no segundo turno, tenha “que pagar pelo que fez”. “Está provado que ele fez (irregularidades), senão não teriam tirado o mandato dele”, diz.