O anúncio de que a Coreia do Norte pode ter feito um novo teste nuclear levou à reação imediata da Coreia do Sul e do Japão, países que se sentem diretamente ameaçados pelo regime comunista liderado pelo ditador Kim Jong-Il. Os Estados Unidos reagiram em seguida.

O presidente Barack Obama disse, por meio de uma nota, que o "desafio" norte-coreano "justifica uma ação da comunidade internacional", e o Ministério das Relações Exteriores russo manifestou "preocupação" com o teste. Esses quatro países formam, com a Coreia do Norte e a China, o Grupo dos Seis, fórum de negociação diplomática sobre o programa nuclear norte-coreano. O governo chinês, tradicional aliado da Coreia do Norte, ainda não se manifestou.

Leia abaixo a reação internacional:

Coreia do Sul

O país foi o primeiro a anunciar que o tremor de terra registrado na península coreana nesta segunda-feira poderia ter sido causado por um teste nuclear. Logo em seguida, o presidente Lee Myung-bak convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional. O Ministério da Defesa montou uma "equipe de gerenciamento de crise" formada por oficiais de alta patente para lidar com a situação e anunciou que iria colocar as tropas sul-coreanas em alerta e monitorar o movimento das tropas da Coreia do Norte. Os dois países são separados por uma zona desmilitarizada com mais de 1 milhão de soldados dos dois lados da fronteira.

Japão

Também pouco após o anúncio do teste, o Ministério das Relações Exteriores japonês solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Pouco antes da solicitação, o porta-voz do ministério dissera que o país iria responder "de uma maneira muito responsável" no Conselho de Segurança à iniciativa norte-coreana. O Japão invadiu a península coreana em 1910, transformando-a em uma colônia, e há forte ressentimento contra abusos cometidos contra a população coreana nesse período, sentimento alimentado pelo regime norte-coreano. Foi a ocupação japonesa que levou os aliados ao país durante a Segunda Guerra Mundial --a União Soviética ao Norte, e os EUA ao sul--, o que criou o ambiente de conflito que resultou na guerra de 1950 e 1953 e na divisão oficial da península em dois países.

Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o teste nuclear realizado pela Coreia do Norte é "questão de grave preocupação para todas as nações" e justifica uma ação da comunidade internacional. Em comunicado, Obama diz que a "Coreia do Norte está diretamente e com imprudência desafiando a comunidade internacional. O comportamento da Coreia do Norte aumenta a tensão e mina a estabilidade do nordeste asiático".

Rússia

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse que o Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta segunda-feira para discutir a reação ao teste nuclear norte-coreano, informou a agência Itar-Tass. Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse à agência Interfax que acredita que a reunião acontecerá nesta segunda e que até lá "as delegações já terão dados que permitam compreender com mais claridade o ocorrido".

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse nesta segunda-feira que condenou "nos termos mais duros" o teste nuclear. "A comunidade internacional vai tratar a Coreia do Norte como um parceiro se ela se comportar responsavelmente. Se isso não acontecer, então ela pode esperar apenas um isolamento renovado", disse Brown em uma declaração. Anteriormente, o secretário de Relações Exteriores britânico, Bill Rammell, disse que o teste nuclear da Coreia do Norte "violava as resoluções do Conselho de Segurança da ONU que se seguiram ao primeiro teste feito pelos norte-coreanos, em 2006.

França

O governo da França pediu que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) imponha "sanções mais firmes" contra a Coreia do Norte. A França diz condenar as ações norte-coreanas por elas constituírem, indiscutivelmente, uma violação às regras internacionais e aos compromissos assumidos por por Pyongyang com a comunidade internacional, disse o porta-voz do governo francês, Luc Chatel.

União Europeia

A União Europeia (UE) está "muito perturbada" pelo teste nuclear anunciado pela Coreia do Norte e o "condenará" se for confirmado, disse o ministro dos das Relações Exteriores tcheco Jan Kohout, cujo país ocupa a Presidência rotativa do bloco. "Estamos muito perturbados", disse Kohout na capital vietnamita, onde participa de uma reunião dos ministros de Relações Estrangeiros da União Europeia e da Ásia. "Se confirmado [o teste], será condenado pela UE."

Índia

O governo indiano expressou "séria preocupação" pelo teste nuclear da Coreia do Norte. "É um fato de grave preocupação [...]. A Índia é contra a proliferação nuclear", disse em declarações citadas pela agência indiana Ians o novo ministro da Defesa, A. K. Anthony, pouco após assumir o cargo. A Índia tem armamento atômico e não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Austrália

O ministro das Relações Exteriores australiano, Stephen Smith, disse que o possível teste foi provocativo. "Considerando que a Coreia do Norte tenha realizado uma explosão nuclear subterrânea, eles merecem e terão nossa condenação absoluta, e essa condenação deve ecoar em torno da nossa região e do globo", disse Smith ao Parlamento.