A presença da polícia é o antídoto para a violência- afirma o homem de pele preta – colhendo a visão utilitária e simplista do estado como verdade absoluta.
O homem de pele preta com a boca desdentada se arvora em frente às câmeras para exaltar os benefícios da “guerra santa” travada nos bairros periféricos, determinados campos de batalha, onde a inoperância do poder público decompõe a humanidade de muitos humanos.
O sistemático flagelo da violência, como a representar uma profecia social, para meninos entre 14 e 24 anos, que criminaliza os bairros periféricos, pobres e pretos da terra de Zumbi, naturaliza na cabeça do homem um modo de perceber as diferentes formas de opressão, como um privilégio.
O privilégio da lei para uma população despolitizada e desagregada, quase em frangalhos, pela ostensiva ausência de saúde, educação, transporte, emprego e renda.
Como estabelecer a paz sem as políticas públicas essenciais à dignidade humana?
A palavra farta do homem de pele preta emerge da necessidade cidadã de ter direito a liberdade.
Liberdade de circular por entre os espaços doentes e sem infraestrutura,mas repleto da fé cristã, como um redesenho de senzalas antigas renascidas estrategicamente para apartar os diferentes.
Gente desfigurada pela pauperização, fadadas aos seculares dados de descrescimento sócio-identitário.
Gente que traz na memória da história, a herança maldita de não ser reconhecida como cidadão.
Ao olhar mais uma vez para a vastidão da população anêmica de direitos, o homem é forçado a admitir: É a polícia pode ter afastado bandidos, mas não afastou a pobreza.
E assim caminha a humanidade com a histórica divisão do bolo, legitimando o apartheid nos espaços de poder: nós os vencidos. Eles os vencedores.
Até quando?