Brasília - Documento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revela que o bimotor King Air B350, prefixo PR-MOZ, que caiu sexta-feira em Trancoso, Sul da Bahia, matando 14 pessoas a bordo, viajava com excesso de passageiros. Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Anac, mostra que a capacidade máxima da aeronave era de 10 passageiros. “O plano de voo apontava a presença de 11 pessoas e encontramos 14 corpos. É cedo para afirmar se a superlotação provocou o acidente, mas tudo será analisado”, informou o Serviço de Comunicação da Força Aérea Brasileira (FAB), que também vai apurar se houve um eventual defeito no motor do avião King Air B350.


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O King Air não comportava o número de pessoas que levava. Aeronáutica vai investigar falha no motor

A caixa preta do bimotor foi levada ontem para o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), no Recife (PE). A Aeronáutica decidirá nos próximos dias se as gravações feitas pelo equipamento serão degravadas (transcritas) no Brasil ou exterior. “Peritos dirão se será necessário levar o material para o exterior. Isso dependerá do modelo da aeronave e de o fabricante ajudar aqui no País”, complementou a FAB. Os dois motores da aeronave foram levados para São José dos Campos (SP).

Foram identificadas, até ontem à noite, nove das 14 vítimas — quatro corpos são das crianças que estavam a bordo. O trabalho foi feito por análise da arcada dentária. Peritos estão com fichas odontológicas e ortopédicas dos passageiros, para ajudar a agilizar o trabalho de reconhecimento.

A Aeronáutica descartou que a forte chuva que caiu na noite do acidente tenha provocado a queda. A hipótese de que a iluminação da pista seria ineficiente para o pouso também foi anulada após testes do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), no sábado.

De acordo com a Anac, a manutenção e o seguro da aeronave também estavam regular. A queda do bimotor ocorreu por volta de 21h de sexta-feira, durante aterrissagem. A maioria das vítimas pertencia à família de Roger Wright, 56 anos, dono do avião, entre elas, a publicitária Heloísa Alqueres Vaz Wright, filha do presidente da Light, José Luiz Alqueres. Ela viajava com o marido, Felipe Luchsinger Wright, herdeiro de Roger, e seu filho de apenas seis meses, Francisco.