O cultivo de mandioca no Brasil vem de longa data. Ainda no período colonial, as casas de farinha já faziam parte do cenário alagoano. Para fortalecer ainda mais essa cultura, foi criado no Estado, a Câmara Setorial Produtiva da Mandioca e Derivados. Nesta sexta-feira, foi realizada a primeira reunião do comitê, no Palácio República dos Palmares.

No encontro, o secretário-adjunto da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), José Marinho Júnior, em nome do secretário Jorge Dantas, deu posse aos membros da Câmara — representantes do setor público e privado. Por unanimidade foi escolhido o presidente, Eloizio Lopes Júnior, da Cooperativa Agropecuária de Campo Grande (Cooperagro).

O secretário-adjunto da Seagri revelou o apoio do governo estadual às ações da Câmara, bem como aos pequenos agricultores. “Considero a criação dessa comissão como um passo importantíssimo para o fortalecimento do setor. O governador Teotonio Vilela entende que o desenvolvimento de Alagoas passa pelo interior, pelo campo. As reivindicações serão ouvidas”, afirmou José Marinho Júnior.

No início da reunião foi apresentado, por meio de vídeo, um panorama do cultivo em Alagoas. Entre as necessidades foi apontada a “revitalização” das casas de farinha. Para Eloizio Lopes, produtor há mais de 20 anos, o principal desafio do comitê é garantir a industrialização da matéria-prima já produzida. “Nós temos que ampliar a exportação dos produtos já melhorados. Vamos ganhar mais, elevar o rendimento”, explica.

O evento contou ainda com a palestra do fiscal agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ronir Carneiro. Ele tratou sobre o “Zoneamento Agrícola de Risco Climático”. Nesse estudo foi mostrada a situação de Alagoas, as regiões definidas como mais indicadas para o plantio da mandioca. Na pesquisa são avaliados a planta, o solo e o clima.

No Estado existem 52 postos para a coleta de informações a respeito do clima. Essa mostra foi discutida pelos debatedores Glauco Angeiras, da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e Manoel Henrique Cavalcante, da Seagri. Mais de 80% do território alagoano tem condições para o cultivo da mandioca.

A próxima reunião da Câmara deve acontecer em maio. Fazem parte da Câmara, representantes das Secretarias de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística; das universidades federal e estadual de Alagoas; do Sebrae, do Arranjo Produtivo Local (APL) Mandioca Agreste, da Empresa Brasileira de Produção Agropecuária (Embrapa), e de diferentes federações — da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal), das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea); e cooperativas — Pindorama, Agropecuária de Campo Grande (Cooperagro), dentre outras entidades.