Trinta mil reais. Esse foi o valor da primeira sentença dos seis processos movidos nas áreas cível e criminal da Justiça do Rio contra Frederico Freire Lemos de Souza, ex-diretor executivo da União Brasileira de Compositores (UBC). Segundo as investigações ele filmou mais de duas mil mulheres em banheiros com a câmera de um telefone celular e divulgou algumas na internet.

 

A decisão foi da 50ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio e ainda cabe recurso.

 

Foi sentada em um vaso sanitário do banheiro do trabalho que uma funcionária da UBC percebeu uma luz vermelha, que descobriu ser de um celular, camuflado embaixo de uma bancada. Depois de investigação policial, elas descobriram que algumas ainda haviam ido parar em sites estrangeiros de pornografia.

 

“Ele será julgado, diante do mesmo fato, por artigos de leis diferentes, nos códigos penal e civil. Pode ser atentado ao pudor, injúria, difamação...”, enumera o advogado Michel Assef Filho, que cuida de processos de quatro das vítimas. No inquérito, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática afirma que as imagens publicadas foram retiradas do ar.

 

“A mulher dele trabalhava lá e nos conhece. Ela estava grávida na época em que descobrimos tudo. Depois das investigações, descobrimos que ele filmou uma das nossas colegas tomando banho com o marido e com o filho durante uma viagem que a família dele também foi. Esse vídeo foi parar na internet”, conta uma das vítimas, que prefere não se identificar.

 

Segundo as vítimas, o ex-diretor mantinha sempre uma postura centrada, sem levantar qualquer desconfiança. “Depois que descobrimos, pressionamos a instituição e ele foi afastado. Mas conseguiu um atestado alegando que ele era doente, compulsivo, e em dezembro foi demitido por justa causa. Em fevereiro, nós fomos demitidas também”, completa ela.

 

A UBC nega que as demissões tenham qualquer relação com o ocorrido e reitera que Frederico foi demitido tão logo as filmagens foram descobertas. “Ele entrou com recurso dizendo que estava com distúrbio mental para não deixar valer a justa causa. As demissões seguintes foram exclusivamente funcionais, tanto que outras vítimas continuam trabalhando aqui”, explicou a diretora da UBC Marisa Gandelman.