O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em Viña Del Mar, no Chile, que estuda criar um fundo com recursos da exploração de petróleo, semelhante ao feito na Noruega.

Em ocasiões anteriores, em discursos no Brasil, o presidente já havia cogitado aplicar parte dos royalties da exploração do pré-sal no financiamento da área social e da educação.

"Agora que encontramos muito petróleo no Brasil, estamos muito interessados em conhecer o fundo do petróleo que foi criado na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade, para que a gente utilize a riqueza do petróleo, para ajudar a nossa gente e não apenas para queimar combustível", disse Lula, no Chile, segundo a agência de notícias BBC Brasil.

Lula participa da Reunião de Líderes Progressistas, que se realiza no balneário chileno, onde ele se encontrou com o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg. Participaram da reunião o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a anfitriã Michelle Bachelet, presidente do Chile, além de mais seis chefes de estado.

De acordo com a BBC, o fundo norueguês foi instituído em 1990 e é administrado pelo governo. Os recursos servem ainda para proteger a economia do país de crises financeiras.

Na abertura da reunião, o presidente voltou a responsabilizar as nações ricas pela atual crise e rechaçou a adoção de medidas protecionistas como caminho para a solução do problema.

“O mundo todo está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia mundial em um gigantesco cassino”, disse. “Neste momento, nosso desafio maior é não nos deixar paralisar pela perplexidade, pela incerteza e pelo temor de ousar”, completou.

No discurso, Lula apontou a América do Sul como alternativa à crise, além de destacar a ascensão da esquerda ao comando dos governos da região. “A América do Sul vive uma vigorosa onda de democracia popular, encabeçada por segmentos historicamente deserdados e marginalizados, que hoje encontram seu lugar e sua voz numa sociedade muito mais solidária. Não é mera coincidência que, hoje, predominem governos de esquerda na América Latina”, afirmou.