O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendeu ontem (21) no Congresso Nacional a aprovação de mudanças no sistema eleitoral brasileiro, principalmente nas questões da instituição da chamada lista fechada de candidatos para as eleições proporcionais e o financiamento público de campanha.

 

“Os dois instrumentos [lista e financiamento público] significam um avanço no nosso processo político. O atual sistema eleitoral é anacrônico e privilegia o capital, o poder econômico, em detrimento do debate de idéias”, disse.

 

Ontem, os líderes partidários reuniram-se com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e decidiram retomar a discussão sobre a votação da reforma política começando pelos dois temas, a lista fechada e o financiamento público de campanha. A previsão das lideranças é votar já na próxima semana requerimento da votação dos dois temas em regime de urgência.

 

O governador mineiro disse que seria importante a aprovação dos dois itens para que as novas regras estivessem vigorando nas eleições do ano que vem, mas observou que, se houver muita resistência, o melhor é que as matérias sejam aprovadas antes das eleições municipais de 2012.

 

“Se a resistência para implantação do sistema for muito grande para 2010, poderíamos iniciar esse processo nas eleições de 2012, começando a implantação pelas bases eleitorais. Aí, em 2014, o sistema já estaria aprimorado”.

 

De acordo com Aécio Neves, que foi líder do PSDB e presidente da Câmara, quando da votação do dispositivo que trata da chamada cláusula de barreira, na qual houve muita resistência, a solução encontrada para possibilitar a aprovação da proposta foi permitir uma carência de duas eleições para que o dispositivo passasse a vigorar.

 

Aécio Neves criticou a tese de aprovação de proposta de emenda à Constituição (PEC) propondo mais uma reeleição e permitindo, assim, que o presidente Lula concorra a um terceiro mandato. “Do ponto de vista da democracia, é um retrocesso e eu acho que o presidente Lula não estaria disposto a comandar [essa proposta]. Ele sabe o preço político de uma ação como essa.”

 

Ainda de acordo com o governador, ele não constatou, nas conversas que teve com o presidente Lula, nenhuma disposição pessoal do presidente nessa direção. Aécio também lembrou que, do ponto de vista prático, não há nem tempo hábil para aprovação da PEC do terceiro mandato antes do final de setembro, que é o prazo final para mudanças nas regras eleitorais.

 

Ele disse, ainda, que, do ponto de vista político, seria um “equívoco enorme do governo” apoiar a proposta. Aécio afirmou não acreditar que o presidente Lula esteja disposto a "manchar sua biografia com ações nessa direção". “Esse é um movimento periférico”, observou.