A CRE (Comissão de Relações Exteriores do Senado) vai pedir ao ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) para que o governo brasileiro retire o apoio à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosny, à direção geral da Unesco (organização da ONU para a educação, ciência e cultura).

 

A comissão aprovou ontem requerimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da CRE, com o pedido de recuo do governo --uma vez que o brasileiro Márcio Barbosa, vice-diretor da Unesco, disputa a vaga.

 

No requerimento, Azeredo afirma que Barbosa "conta com apoios significativos de Estados membros de várias correntes com as quais o Brasil mantém fortes ligações diplomáticas". Na opinião do presidente da CRE, o atual vice-diretor da Unesco tem o reconhecimento de autoridades políticas, intelectuais e científicas para ocupar o cargo.

 

Os senadores da comissão consideram Hosny uma figura "controversa" por ter ocupado o cargo de ministro por 20 anos, além de ter protagonizado condutas “antidemocráticas” que não teriam espaço no perfil exigido pela Unesco.

 

Em audiência na Câmara, na semana passada, Amorim disse que o Brasil fez uma opção "geopolítica" uma vez que o governo busca a aproximação com países árabes e africanos --que apoiam a candidatura egípcia. Para Amorim, as declarações antissemitas de Hosny foram "pouco felizes". "Tenho certeza de que ele pautará sua gestão à frente da Unesco por um diálogo de civilizações", afirmou o ministro na comissão.