Ao contrário do que estava pretendendo, o governo não deverá mais comercializar as 670 mil toneladas de trigo armazenadas em estoques públicos. Além disso, deverá anunciar nos próximos dias um leilão de prêmio de escoamento de produto (Pep), subsidiando o escoamento de 150 mil toneladas do grão, produzidas no Rio Grande do Sul, para as regiões Norte e Nordeste.

 

Segundo José Maria dos Anjos, diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento Agrícola e Pecuário do Ministério da Agricultura (Mapa), o pedido foi feito por representantes dos produtores durante Câmara Setorial do Trigo, realizada ontem (20), em Brasília.

 

Os triticultores alegam que, além dos estoques públicos, há 600 mil toneladas do grão armazenadas por cooperativas do Paraná, 500 mil toneladas por cooperativas do Rio Grande do Sul e ainda 600 mil toneladas em posse dos moinhos, parte interessada na isenção da Tarifa Externa Comum (Tec) de 10% para importação de trigo de outros países.

 

Assim como a importação de trigo de fora do Mercosul sem cobrança da Tec, os produtores acreditam que a venda dos estoques públicos nesse momento pode contribuir para baixar o preço do grão no mercado interno. Segundo José Maria dos Anjos, em alguns locais do Rio Grande do Sul, o trigo já está cotado abaixo do preço mínimo de garantia, o que fez o governo rever sua intenção de esvaziar seus estoques.