Raízes da África

Discriminação via internet configura crime de racismo

Para conhecimento...

Incitar a prática de discriminação racial e etnológica conscientemente na internet não deve ser tipificado como injúria preconceituosa, mas sim como racismo. O entendimento é da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, que manteve a condenação contra R.M.R., que se autodenominava “Satan”, e A.N.M., que adotava a alcunha de “chefia”, pela prática de racismo via internet.
De acordo com os autos, ambos criaram uma página na Internet, denominada “amonia88”, para estimular a discriminação e o preconceito em relação a judeus e à raça negra. A página era alimentada com artigos, fotos e chats de conteúdo racista. O Ministério Público do estado denunciou R.M.R. e A.N.M. pela prática de racismo por intermédio dos meios de comunicação, previsto no artigo 20, parágrafo 2º, da Lei 7.716/89.
A 8ª Vara Criminal de Curitiba condenou os réus a dois anos de reclusão, substituída posteriormente por pena restritiva de direito. No entanto, eles recorreram ao TJ. R.M.R. sustentou que sua conduta não está prevista na legislação como crime, e que, caso tenha cometido algum crime, foi o de injúria preconceituosa. Neste caso, segundo ele, o crime já estaria prescrito, razão pela qual pediu a sua absolvição. A.M.N. alegou ausência de provas contundentes, bem como erro de proibição escusável, previsto no artigo 21 do Código Penal.
Para o relator da apelação, desembargador Luiz Osório Moraes Panza, os acusados incitaram a prática de discriminação racial e etnológica de forma livre e consciente por meio da internet, que se caracteriza como um meio de comunicação ilimitado, alcançando um número irrestrito de pessoas. "A conduta dos apelantes colide com preceitos fundamentais elencados na Constituição Federal, uma vez que atinge a coletividade e constitui crime tipificado em lei."
Sobre o pedido de desclassificação para o crime de injúria preconceituosa, a tese não pode prevalecer, segundo o relator, porque, "ao veicular mensagens de conteúdo discriminatório, este atingiu não somente um indivíduo, mas a coletividade, ou seja, um grupo indeterminado de pessoas". Sendo assim, não há que falar em prescrição do crime imputado na denúncia. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-PR.
 

Fundação Cultural Palmares oferece vagas para estagiários de jornalismo

Repassando informação de suma importância.

A Fundação Cultural Palmares (FCP) no Distrito Federal oferece duas vagas de estágio para estudantes de comunicação social com habilitação em jornalismo. O principal critério de seleção é o interesse dos candidatos em trabalhar pela promoção e preservação da cultura afro-brasileira. Os estagiários serão lotados na Assessoria de Comunicação da Palmares, cuja sede fica em Brasília.
Fruto da luta do Movimento Negro, a Fundação Palmares é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), que há 22 anos trabalha pela preservação, proteção e disseminação da cultura negra, além de combater o racismo e lutar pela igualdade de oportunidades para a população afro-brasileira. Portanto, os candidatos deverão ter conhecimento ou interesse por essas temáticas.
O estudante que tiver alguma experiência, conhecimento ou interesse por políticas públicas direcionadas à população negra e queira trabalhar pela promoção dos direitos dos descendentes de africanos escravizados deverá encaminhar o currículo pelo Fale conosco do portal Palmares ou entrar em contato pelo telefone (61) 3424-0166, até o dia 01 de maio.
 

Movimento negro e Polícia Civil realizam Colóquio, em Alagoas.

Em uma parceria da Academia da Polícia Civil - APOCAL com o Projeto Raízes de Áfricas, representação do movimento social negro alagoano, será realizado dia 25 de abril de 2011, segunda-feira, das 8 às 13 horas, o Colóquio Dia Nacional da Mulher:”Segurança Pública em Gênero e Grau”.
Dentre os objetivos do evento, pretende-se criar espaços de diálogos sobre as transformações sociais ocorridas nas últimas décadas que redefiniram o papel da mulher em suas especificidades, na sociedade moderna, como também no contexto da segurança pública.
O Colóquio Dia Nacional da Mulher: Segurança Pública em Gênero e Grau, acontece no Auditório da Procuradoria Geral do Estado de Alagoas - PGE, na Av. Assis Chateaubriand, 2.578, Prado, Maceió.

Programação
Diversas palestras enfocando a mulher na segurança pública compõem a programação do Colóquio.
1- “Policiais Femininas: Identidades e Desafios”; Fabiana Leão,Delegada de Polícia e Diretora Adjunta de Políticas Públicas da SEDS
2-“O Corpo Negro Feminino nas Fileiras da Cultura Hegemônica da Segurança Pública”; Arísia Barros, Representante do Movimento Social Negro Alagoano, Professora, Publicitária e Escritora
3-“Mulheres no Exercício da Segurança Pública Encarceradas à Violência Doméstica” Silmara Mendes , Ex-Diretora do Presídio Santa Luzia e do Sistema Prisional de AL, Mestra em Serviço Social, Docente e Coordenadora do Curso de Serviço Social da FITS
4-“O Parlamento Jovem Alagoano e a Formulação de uma Política de Resposta sob o Enfoque da Questão de Gênero, Raça e Etnia”- João Henrique Caldas, Deputado Estadual e Bacharel em Direito pela UniCEUB (Centro Universitário de Brasília).

Sobre o 30 de Abril- Dia Nacional da Mulher
A data escolhida foi uma homenagem à mineira de Leopoldina Jerônima Mesquita que nasceu em 30 de abril de 1880. Ao retornar ao Brasil, depois de estudar na Europa, não se conformou com a situação preconceituosa que era imposta às mulheres no país. Jerônima se uniu a um grupo de mulheres combativas e fundou o Conselho Nacional das Mulheres em 1947. Também foi uma das fundadoras da Pró-Matre, hospital beneficente que tinha por objetivo acolher gestantes das camadas mais pobres.
Jerônima Mesquita em uma das raras entrevistas disse estava feliz com a promulgação da Lei 4121/62, de autoria do senador Nelson Carneiro conhecida como Estatuto da Mulher Casada, com a lei a mulher não precisa mais da autorização do marido para trabalhar fora, receber herança, comprar ou vender imóveis, assinar documentos ou viajar.
Jerônima Mesquita faleceu em 1972, na cidade do Rio de Janeiro onde residia.
As inscrições são gratuitas e serão efetuadas no próprio dia e local do evento. Será fornecido certificação de 05 horas aos participantes.

Maiores informações na APOCAL ou pelos telefones: 8815-5794 e 3315-8270.
 

O racismo, como uma sociedade anônima, não permite a afirmação dos diferentes.

Piracicaba é um município no interior do estado de São Paulo surgida em 1º de Agosto de 1767, a partir da cultura da terra e dos engenhos de cana-de-açúcar.
Localizada em uma das regiões mais industrializadas e produtivas de todo do estado, em tupi-guarani Piracicaba que dizer o lugar onde o peixe para.
É um importante pólo regional de desenvolvimento industrial e agrícola, em franco desenvolvimento do estado de São Paulo.
O tradicional Colégio Piracicabano foi pensado pela norte-americana Martha Watts e traz em sua história os valores tradicionais do ensino exclusivo. O Colégio deu origem a Universidade Metodista de Piracicaba que hoje conta com cerca de dez mil [email protected], todos na sua maioria branca.
João Manoel dos Santos, ex-sindicalista, traz na pele a descendência africana em um território em que o racismo é um valor cultuado pelo androcentrismo do Estado.
João Manoel é o único parlamentar negro nos espaços de poder da Câmara de Vereadores, em Piracicaba, São Paulo. Com seis mandatos, como vereador é a terceira vez assume a presidência da Casa Legislativa.
O presidente, ex-sindicalista, representa na Câmara de Vereadores de Piracicaba o desdobramento das ondas de avanços e refluxos que marcam a questão da ocupação dos espaços de poder dos afrodescendentes nas terras de Cabral.
O primeiro presidente negro da Câmara de Vereadores de Piracicaba foi o advogado Antonio Messias Galdino, em 2006.
O Projeto Raízes de Áfricas, representação do movimento social negro alagoano, em audiência concedida pelo presidente João Manoel e ocorrida no gabinete da presidência, dia 12 de abril, conheceu diversos programas e projetos propostos pelo vereador-presidente, que visam trazer cidadania para a população piracicabana,acrescendo aspectos estratégicos e diferenciais que contemplam a população negra local.
Parceiro do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta, que acontecerá no período de 25 a 27 de agosto, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores em Piracicaba, o ex-sindicalista, afirma a necessidade de cultivar os espaços conquistados pela ampla maioria minorizada, dentre ela, a população de pele preta, e do enorme interesse, como cidadão e parlamentar, para criação de espaços de discussão, que envolvam esforços concentrados da sociedade piracicabana para mudança dos paradigmas.
O II Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta” é uma idealização do Projeto Raízes de Áfricas e surge como prosseguimento da ação iniciada em Maceió/AL, em agosto de 2010.
Alagoas é o penúltimo estado brasileiro em área territorial. Sergipe é o último. Por ser rodeado de águas o estado recebeu de seus colonizadores o nome de região de Alagoas.
O domínio pela terra e a cultura dos engenhos marcam os cinco séculos da história do estado.
Alagoas é a terra negra do invisível Quilombo dos Palmares, de onde ecoou um dos primeiros gritos de liberdade do Brasil.
Os 23 anos de João Henrique Caldas são marcados pelas histórias ouvidas na infância sobre Zumbi, o Quilombo, a República Palmarina num misto de contos-de-fadas recheado de heróis negros, indígenas, brancos e etc e coisa e tal.
Diferenciada de tantas e muitas crianças, João que cresceu em um meio exclusivo, longe das mazelas da pobreza, via em Zumbi um herói como afirmação de uma identidade nacional.
A sociedade do qual o menino João fazia parte percebia o negro como história anônima. João mesmo em terras distantes, recusava a versão da história plantada em seu entorno. Não concebia o negro como o inimigo-estrangeiro.
O menino cresceu, foi estudar na Austrália e descobriu as estratégias inteligentes, o modo de fazer e pensar a história no país australiano, os muitos rituais, danças e cerimônias aborígenas cultuadas como tradições ancestrais.
Turistas do mundo todo visitam anualmente pontos turísticos e culturais da Austrália. É um dos países que se destacam pela excelência, no turismo internacional.
A competência de transformar a história australiana em destinos turísticos motivou João Henrique a compreender o imperativo do apartheid turístico nas terras de Zumbi e a perceber as possibilidades de transformar a primeira República negra do Brasil,o Quilombo dos Palmares,na Serra da Barriga, em um grande destino turístico, cultural e econômico.
A Serra da Barriga abriga hoje o Parque Memorial Quilombo dos Palmares que é o primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana de todas as Américas e o único parque temático cultural afro-brasileiro do continente americano.
Durante a visita ao Brasil de Barack Obama, João, agora deputado estadual no parlamento alagoano, propôs o estabelecimento de pontes políticas entre a República Palmarina e o primeiro presidente negro democrata dos Estados Unidos. Riram na cara dele!
O racismo, como uma sociedade anônima, não permite a afirmação dos diferentes.
A convite de João Henrique Caldas fomos revisitar a Serra da Barriga com o olhar plural das muitas formas e possibilidades de resgatar espaços que a partir das insuficiências e da indiferença sócio-política, podem ser carcomidas pela pausterização da cultura eurocêntrica.
Mesmo com a historicidade e ancestralidade das lutas pela liberdade e equidade humanas, o panteão da história negra brasileira, em Alagoas vive às moscas e às galinhas que despreocupadamente ciscam por ali.
O senhor João Manoel, o parlamentar negro, presidente pela terceira vez da Câmara de Vereadores de Piracicaba em São Paulo e o jovem João Henrique Caldas,em seu primeiro mandato como deputado estadual, em Alagoas, mesmo, que geograficamente distantes são porta-vozes de que é preciso interpelar o silêncio social e instigar positivamente outros caminhos da liberdade...
Foi graças a parceria de João Henrique Caldas que estivemos em audiência com o presidente João Manoel concretizando bases estruturais para a realização do II Ciclo Nacional de Conversas Negras, em agosto.
O grande desafio da caminhada étnica é o estabelecimento de incentivos sistemáticos e estruturais que anunciem o confronto com o meu, o seu, o nosso racismo brasileiro.
Penso que o parlamento é o caminho...
 

O Festival Alagoano das Palavras Pretas faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.

 

Foi uma noite de celebração: a palavra virou poema que transbordou feito emoção no sorriso farto das diferentes gentes que responderam presentes no Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.
Senhoras, casais, jovens, crianças, adolescentes, gente da terceira idade e com a alegria da infância fizeram eco a proposta de agregar palavras de diferentes concepções no III Festival Alagoano das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero, acontecido no 21 de março, Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial.
Parece tempo passado, mas só vinte e poucos dias ficaram para traz.
A cantora Angélica Monteiro, servidora pública da Secretaria de Gestão Pública, abriu a noite cantarolando canções identitárias, dentre elas,O Canto das Três Raças.
Difícil não falar da mestra de cerimônia a cantora lírica e poetisa Madalena de Oliveira, deu show de descontração e profissionalismo na apresentação dos nossos visitantes artistas.
Madalena Oliveira nos trouxe o canto lírico entremeado com o afro da poesia das escritoras Aydete Viana e Maria Puresa de Amorim.
Entre a música, o guerreiro da terceira idade do município de Viçosa e a entrega do Troféu Yalodê, que quer dizer mulher líder, chegou a poesia tirando a máscara da timidez do público, meio ainda que reticente, e que nos brindou com o ecoar da palavra molhada de saliva e coração.
Mulheres valentes e vitoriosas receberam o Troféu Yalodê: Nilma Lino Gomes escolhida pelo presidente da República e o ministro da Educação para compor da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora da Faculdade de Educação de Minas Gerais ao tomar posse no Conselho Nacional   disse a que veio.
É autora do PARECER CNE/CEB Nº:15/2010 que, corajosamente, acatou a denúncia,do técnico em gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto, de contextualização do racismo" na obra "Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato , estabelecendo ações pertinentes e legais que atendem a legislação brasileira, dentre elas a Lei Federal nº10.639/03, sem, no entanto, eliminar do acervo literário infantil de nossas escolas autor da importância de Monteiro Lobato.
Outra agraciada foi a jornalista Juliana Cézar Nunes, repórter da Rádio Nacional (EBC), é hoje uma das principais jornalistas especializadas na cobertura da temática étnicorracial na Capital Federal. Recentemente viajou, a convite do governo norte-americano, para cobrir uma missão de ativistas vinculados ao Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial da SEPPIR (CONAPIR). Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo (2008) pelo webdocumentário Nação Palmares (Agência Brasil) e Prêmio Tim Lopes de Jornalismo (2006 e 2008) pelas séries Confissões de Família (Correio Braziliense) e Esperança na Amazônia (Rádio Nacional da Amazônia).
Misiara Cristina representou à  SECAD/MEC  na recepção ao Troféu Yalodê.
Como prata da casa  de Zumbi, ou da República dos Palmares, tivemos as premiações da quilombola Laurinete Basílio dos Santos, da Comunidade de Remanescentes de Pau D’Arco –Arapiraca/AL e hoje presidente da Associação dos Quilombolas. Laurinete Basílio é atualmente uma das grandes referências das mulheres quilombolas de Alagoas, pela determinação e tenacidade em lutar pela qualidade de vida, dentre elas a educação, dos remanescentes quilombolas.
Silmara Mendes Costa Santos é ativista na construção de espaços, nos meios acadêmicos, para a inserção das temáticas das amplas maiorias minorizadas.
Mestra em Serviço Social, Docente e Coordenadora do Curso Social da Faculdade Integrada Tiradentes foi, e é, importante para a ruptura dos conceitos estigmatizados nos espaços acadêmicos.
Silmara Mendes criou espaços por excelência para o “intercâmbio”, questionamento e confronto da história “única” com a contemporaneidade acadêmica, como uma permanente formação continuada de humanização da política de ser pessoa e concretude de espaços para trabalhar as multiplicidades e diferenças como naturalização da igualdade.
Exerceu a direção do Presídio Santa Luzia e direção do Sistema Prisional de Alagoas e no ambiente das amplas maiorias minorizadas, Silmara Mendes pôs em prática o que sabe fazer de melhor: a competência de ser pessoa e respeitar as muitas diferentes gentes. O TROFÉU Yalodê ofertado à assistente social, Silmara Mendes representa a homenagem à essa mulher que, faz tempo, exerce uma grande liderança na construção de um mundo mais igualitário.
Durante a programação do Festival, a coordenadora executiva do Instituto Magna Mater, Patrícia Irazabal Mourão,como parceira do Projeto Raízes de Áfricas,  recebeu o Troféu Guerreiro Quilombola
O 21 de março nos trouxe gentes, palavras, poesias, emoções, premiações,algumas prendas,presenças ilustres como o Secretário de Estado da Educação, Rogério Teófilo, da Secretária da Fundação de Ação Cultural de Maceió, Paula Sarmento, de Kátia Born, Secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Karina Padilha, Secretária de Cultura de Viçosa e do cantor Ignoban Rocha que espalhou a energia da dança com sua  a voz que canta muitas histórias.
E depois da notícia guardada feito pão dormido a gente fica feliz em compartilhar que o Festival Alagoano das Palavras Pretas,com as bênçãos de Deus, Olurum e todos os orixás entra em um novo ciclo: no mês de agosto faz sua estréia em Piracicaba-São Paulo.
O Festival das Palavras Pretas será uma das atrações do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta, idealizado pelo movimento social negro alagoano/Projeto Raízes de Áfricas e teve sua primeira edição em agosto de 2010, na capital maceioense.
Tendo como uma das principais agentes parceiras a Câmara de Vereadores de Piracicaba, o II Ciclo é um meio de avivar nossas memórias relativas à história de Áfricas plantadas nos quatro cantos do Brasil.
 

Trabalhadora recebe indenização de R$ 20 mil por discriminação racial.

Justiça antes tarde do que nunca. Só para lembrar que racismo é crime.

A Justiça do Trabalho condenou fazendeiro de Santa Catarina a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais por discriminação racial e insultos humilhantes contra trabalhadora rural, negra e, à época, com 16 anos. A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não conheceu recurso do fazendeiro e manteve a condenação imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT/SC).
De acordo com o processo, em 2008, o fazendeiro, produtor de maçã e pêssego, teria ofendido à adolescente e duas colegas após elas terem colhido frutas verdes. Embora tenha sido a mulher do próprio patrão quem teria dado a ordem para essa colheita, o fazendeiro chutou as caixas de maçãs verdes e se dirigiu as meninas como “negrada” e com insultos de baixo calão.
Originalmente, o juiz de primeiro grau estipulou o valor do dano moral em R$ 2 mil reais. Valor alterado para R$ 20 mil pelo Tribunal Regional devido à “discriminação racial e humilhante por parte do réu e, principalmente, os fins a que se destina a reparação pecuniária (dinheiro), dentre eles, o pedagógico”.
Para o TRT, é um direito do empregado ser tratado com urbanidade e de não ser exposto a situações humilhantes e constrangedores, principalmente perante outras pessoas. “A atitude do réu, no entanto, mostrou-se dissociada desses conceitos e até mesmo de maior grau de responsabilidade que lhe impinge o exercício de função de hierarquia superior”, concluiu o relator do acórdão no regional.
Ao julgar recurso do fazendeiro questionando o desembolso de R$ 20 mil, considerados elevados por ele, a Primeira Turma do TST entendeu que o valor está de acordo com a “gravidade da situação”. Para o ministro Lelio Bentes Corrêa, relator na Turma, a pena imposta foi fixada “segundo os critérios de proporcionalidade e da razoabilidade, levando-se em consideração a gravidade dos atos praticados pelo empregador ao se dirigir à reclamante com desrespeito e uso de palavra de baixo escalão, em atitude explicitamente discriminatória”.
Durante o julgamento do recurso, os ministros da Primeira Turma comentaram os casos noticiados atualmente de preconceito e discriminação no País e encararam a condenação no processo como uma resposta jurídica a essa situação.
Autor: Augusto Fontenele /TST
Fonte: Rondônia Jurídico
 

Bullying nas escolas. Racismo é Bullying?


Um texto antigo que republico nas terras "clareadas" de Zumbi, que um dia, na busca de um olhar coletivo para igualdade, ousou construir a República dos Palmares .
Aí chegaram os donos da terra e a República se tornou dos Marechais,.
O estado de Alagoas é campeão nacional (uau!) em desigualdade sócio-etnica e protagonista maior de mortes de jovens, preferencialmente os de pele preta e parda, que já nascem sem perspectiva de futuro.
Racismo na escola pede a efetivação da Lei nº 10.639/03.
A aplicabilidade da Lei nº 10.639/03, em Alagoas, é uma piada política

 

Ela tinha 06 anos e já sabia ler em uma fase da vida em que muitos e muitas estão sendo alfabetizados.
Ela lia de uma forma primorosa, alinhavando as palavras em articulação com a satisfação que invadia a alma. Ego, Superego todos fizeram festa. Era a única criança da sala que sabia decifrar palavras, uma incógnita para toda turma. E por ousar ser protagonista de sua história, a menina ficou de castigo.
O Brasil foi o país de maior e mais longa escravidão urbana e a história conceitual da submissão e obediência de negros “escravos” circundam as regras das relações humanas. A menina extrapolou paradigmas. A professora distante da realidade sobre diferenças humanas endossou o apartheid intelectual afirmando que a menina tinha decorado toda lição para constranger os amigos de sala. A turma concordou.
A menina engoliu em seco, ergueu a cabeça, encarou a professora e foi pro castigo na diretoria, pinçou a dor que por muitos anos dissecou-lhe a confiança em pessoas e só chorou em casa.
O contar dos fatos provocou a indignação da irmã, professora que se apropriando da história de vida da pequena leitora foi à escola saber o porque de tanto alvoroço.
A professora didaticamente concebeu para a turma e estabeleceu que a menina negra não possuía competências para tal, pavimentando assim o caminho da racialização, construindo uma escala de valores nitidamente tendenciosa. Porque será mesmo que as quotas causam tanta polêmica?
O racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, lingüísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as características intelectuais e morais de um dado grupo, são conseqüências diretas de suas características físicas ou biológicas.
A menina crescia e avançava no aprendizado. Um dia conheceu a professora que radicalizou o projeto do ser humano e agregou sonhos, sorrisos e a reflexão compartilhada. Estabeleceu diálogo sobre gente e seus potenciais: sim, vocês podem!!
Tanto dizia que inflou de crença a menina e sua turma. Aquela professora conseguiu, promover , na menina, uma intrínseca mobilização e transformação pessoal.
Hoje mulher, ainda lembra do fato e se ressente da racialização da primeira professora.
E entre a instabilidade e a continuidade da caminhada, a menina, agora mulher traça a trilha de desnudar a palavra e estabelecer equações de auto-encontro.
A memória da escola ainda não aprendeu a lidar com a riqueza das africanidades brasileiras.

No dia de Denúncia Contra o Racismo, o cientista político cubano Carlos Moore lança em Alagoas a “África que incomoda.”

Conhecido, internacionalmente, como um dissidente do regime cubano de Fidel Castro, principalmente por questões que envolvem os conflitos raciais, Carlos Moore militou ao lado de homens e mulheres hoje considerados como ilustres: Malcolm X, Cheikh Anta Diop, Aimé Césaire, Maya Angelou, Stokely Carmichael, Lelia Gonzalez, Walterio Carbonell, Abdias Nascimento, Harold Cruse, Alex Haley, que ocuparam um lugar importante no combate contra o ódio racial, contra a opressão racial, e contra as discriminações e vexames de todo tipo que são inerentes a esse fenômeno criado pela história das relações dos humanos entre si.
Carlos Moore nasceu e cresceu em Cuba e é doutor em Ciências Humanas e doutor em Etnologia da Universidade de Paris-7 na França. Foi consultor pessoal para assuntos latino-americanos do Secretário Geral da Organização da Unidade Africana (atualmente União Africana), Dr. Edem Kodjo, de 1982 a 1983, e consultor pessoal do Secretario Geral da Organização da Comunidade do Caribe (CARICOM), Dr. Edwin Carrington, de 1966 a 2000. Foi assistente pessoal do professor Cheikh Anta Diop, diretor do Laboratório de Radiocarbono do Instituto Fundamental da África Negra, de 1975 a 1980, em Dakar, Senegal.
Dia 13 de maio- Dia de Denúncia Contra o Racismo, a convite do Projeto Raízes de Áfricas, o grande estudioso cubano Carlos Moore, etnólogo e cientista político participa em Alagoas do “Ìgbà”- II Seminário Afro-Alagoano:“A África que incomoda”- Uma abordagem crítica sobre as múltiplas realidades africanas, quando ocorrerá o lançamento do seu livro: “A África que incomoda”.
Segundo a Profa. Dra. Eliane Cavalleiro, Universidade de Brasília"...ler, penetrar e desvendar A África que incomoda é fundamental para fortalecer conhecimentos, argumentos e percepções sobre a imperiosidade de a nação brasileira atravessar o Oceano Atlântico rumo ao Continente Africano. A África que incomoda não constitui um livro para poucos; é, sim, um exemplar a ser lido, relido, criticado e compreendido por todos os brasileiros – negros e não-negros. É, sobretudo, um livro para ser apreciado pelos profissionais da educação – homens e mulheres -, compromissados com o processo de educação das futuras gerações. Sua leitura é muito prazerosa. Mas, acima de tudo, sua leitura é um ato político”.
 

No dia de Denúncia Contra o Racismo, o cientista político cubano Carlos Moore lança em Alagoas a “África que incomoda.”

Conhecido, internacionalmente, como um dissidente do regime cubano de Fidel Castro, principalmente por questões que envolvem os conflitos raciais, Carlos Moore militou ao lado de homens e mulheres hoje considerados como ilustres: Malcolm X, Cheikh Anta Diop, Aimé Césaire, Maya Angelou, Stokely Carmichael, Lelia Gonzalez, Walterio Carbonell, Abdias Nascimento, Harold Cruse, Alex Haley, que ocuparam um lugar importante no combate contra o ódio racial, contra a opressão racial, e contra as discriminações e vexames de todo tipo que são inerentes a esse fenômeno criado pela história das relações dos humanos entre si.
Carlos Moore nasceu e cresceu em Cuba e é doutor em Ciências Humanas e doutor em Etnologia da Universidade de Paris-7 na França. Foi consultor pessoal para assuntos latino-americanos do Secretário Geral da Organização da Unidade Africana (atualmente União Africana), Dr. Edem Kodjo, de 1982 a 1983, e consultor pessoal do Secretario Geral da Organização da Comunidade do Caribe (CARICOM), Dr. Edwin Carrington, de 1966 a 2000. Foi assistente pessoal do professor Cheikh Anta Diop, diretor do Laboratório de Radiocarbono do Instituto Fundamental da África Negra, de 1975 a 1980, em Dakar, Senegal.
Dia 13 de maio- Dia de Denúncia Contra o Racismo, a convite do Projeto Raízes de Áfricas, o grande estudioso cubano Carlos Moore, etnólogo e cientista político participa em Alagoas do “Ìgbà”- II Seminário Afro-Alagoano:“A África que incomoda”- Uma abordagem crítica sobre as múltiplas realidades africanas, quando ocorrerá o lançamento do seu livro: “A África que incomoda”.
Segundo a Profa. Dra. Eliane Cavalleiro, Universidade de Brasília"...ler, penetrar e desvendar A África que incomoda é fundamental para fortalecer conhecimentos, argumentos e percepções sobre a imperiosidade de a nação brasileira atravessar o Oceano Atlântico rumo ao Continente Africano. A África que incomoda não constitui um livro para poucos; é, sim, um exemplar a ser lido, relido, criticado e compreendido por todos os brasileiros – negros e não-negros. É, sobretudo, um livro para ser apreciado pelos profissionais da educação – homens e mulheres -, compromissados com o processo de educação das futuras gerações. Sua leitura é muito prazerosa. Mas, acima de tudo, sua leitura é um ato político”.
 

O que é isso, governador?!

A enchente de junho de 2010, em Murici, município alagoano, destruiu o cartório, o posto de saúde, escolas, lojas do comércio, o matadouro, os fundos da Igreja católica, da casa paroquial e várias casas da parte baixa do município, que ficam às margens do rio Mundaú.
 Murici já fez parte da antiga Vila dos Macacos e hoje é um município povoado pelo descaso com as gentes que tiveram o presente engolido pela águas.
A convite do presidente, da Comissão Especial das Enchentes, deputado estadual, João Henrique Caldas, sábado, 02 de abril, visitamos, juntamente com uma comitiva de 07 pessoas, dentre elas uma cubana-norte-americana, as ruas descalças e ainda sem perspectivas do “acampamento” dos desalojados, em Murici.
Governador, eu vi!
Vi a cara feia da miséria abarcando, com braços sedentos, os desabrigados das últimas enchentes, na cidade de Murici, no estado de Alagoas.
Vi o desprezo da máquina alagoana com as tantas e muitas gentes: mulheres, homens e crianças, a grande maioria de pele preta e parda, que, hoje, vivem como Deus quer.
Conversamos com Alisson, menino de riso preso e uma desconfiança eterna por trás dos poucos oito anos de idade.
Com a simplicidade da infância atingida pelo tsunami do descaso institucional, Alisson afirmou que não gosta dali porque é “muito quente”.
O que Vossa Excelência estava fazendo, no sábado, 02 de abril às 15 h30?
Nas cinzas e asfixiantes barracas da Defesa Social, no município de Murici, o povo inventava uma forma de fazer nada, driblando uma onda de mormaço causticante abraçado pelo fedentina dos sanitários sujos de pobreza.
 Jovens, adolescentes, meninas e meninos, como os filhos e filhas da gente, estavam por ali, construindo os caminhos do ócio.
O ócio é uma vacuidade, o pior inimigo das drogas, do crime e tantas coisas mais.
Ah! Se o estado político já tivesse realizado uma pequeníssima cota que fosse, do papel a ele atribuído, já teríamos avançado tanto!
Vi meninos nus, com o corpo pintado de sujeira, soltos nos galpões improvisados ( rezando a Deus que não desabem) com os órgãos genitais expostos ao bel prazer de adultos, menos desavisados.
As mães estavam nas barracas cuidando de outra penca de meninos e meninas de barriga grande e nariz escorrendo, envoltas numa letargia de desesperança.
Dona Maria das Graças nos mostrou a barraca que mora com seu “veio”. O brilho das panelas arriadas de D. Graça não combina com a tristeza do lugar.
Vi Excelência, um bebê de sete meses, uma das muitas crianças nascidas pós-enchente ,tão desnutrido com olhos enormes, como metástase da miséria e degradação humana.
A mãe, com o esquálido filho nos braços, apresentava o mesmo aspecto de desnutrição. Do outro lado avizinhado aos improvisados banheiros um pequeno , sentado no chão, engolia uma quentinha de macarrão com mãos sujas.
Vi Excelência que o dia-a-dia da população sobrevivente das enchentes empilhada em barracas, insuportavelmente quentes da Defesa Social traz parecença com o escravismo brasileiro.
Ainda somos escravizados, Excelência?
As cozinhas emergenciais (emergenciais?) dez meses após as enchentes, ainda, estão sendo construídas e segundo os mestres da obra, ainda, leva mais um mês para serem entregues.
Diante desse quadro constatado in loco, eu preciso entender Excelência: Porque o governo faz inauguração das cozinhas emergenciais dez meses após as enchentes?.
Emergência não é coisa para ontem, Excelência?
O povo de Alagoas, Excelência, pede socorro faz um bom par de tempo.
Até quando faremos  ouvidos de mercador?


 

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