Marcelo Bastos

Ronaldo Lessa entra no jogo e é candidato a prefeito de Maceió

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Em entrevista ao jornalista Cícero Filho, na TV Maceió, Ronaldo Lessa apresentou os motivos de sua saída da Secretaria de Agricultura e afirmou que irá se colocar à disposição do seu partido (PDT) para ser candidato a Prefeito de Maceió em 2020.

Sempre sereno e mostrando equilíbrio na entrevista, Lessa afirmou que a Secretaria tem um custeio menor que o existente quando outrora o mesmo foi  Governador do Estado,  e que sem recursos suficientes não conseguiria dar prosseguimento a projetos importantes, como por exemplo o Programa do Leite, de tanta importância para a população mais carente. Frisou também que não conseguiu nomear a maioria dos cargos comissionados necessários, ficando assim inviável o funcionamento adequado daquela pasta.

A entrevista mostrou um Ronaldo mais amadurecido e sem mágoas. Os baques e decepções das últimas disputas eleitorais fizeram Lessa rever seus conceitos. O mesmo disse na entrevista que ficaria feliz se tivesse o apoio do PSOL e que gostaria de contar também com o apoio do Prefeito Rui Palmeira.

Agora inicia-se o momento das articulações políticas, muitos fatos e situações irão acontecer mudando o panorama eleitoral.

 O importante é que Ronaldo Lessa entrou no jogo e vai ajudar a esquentar esse momento morno da política alagoana.

Renan Calheiros consegue eleger o próximo prefeito de Maceió?

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Ao longo dos 31 anos em disputas para a Prefeitura de Maceió, o Senador Renan Calheiros tentou conquistar o poder municipal e jamais conseguiu lograr tal êxito.

A primeira tentativa para conquistar tal propósito foi na eleição de 1988. Renan naquela época filiado ao PSDB, foi candidato a Prefeito em uma das eleições mais disputadas na capital. Guilherme Palmeira (PFL) venceu as eleições com uma votação de 67.830 votos. Renan Calheiros (PSDB) foi o segundo colocado com uma votação de 51.481 votos. O fator determinante para a derrota dele foi ter a sua imagem vinculada à gestão caótica do prefeito da época Djalma Falcão.

Em 1992 ocorreu a primeira eleição de dois turnos, momento aquele em que o  candidato de Calheiros foi o Senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), o qual o não conseguiu chegar ao segundo turno das eleições, ficando em terceiro lugar com uma votação de 47.341 votos;  em segundo lugar  José Bernardes (PFL) com a votação de 49.430 votos e  Ronaldo Lessa(PSB) tendo sido  o mais votado com 51.430 votos. No segundo turno, o grande vencedor foi Ronaldo Lessa, com uma votação de 97.770 votos contra 50.241 votos de José Bernardes.

Na eleição de 1996 a hegemonia do Prefeito Ronaldo Lessa fez com que o PMDB, partido de Renan, não tivesse candidato próprio, indicando Dalton Dória (PMDB) como vice na chapa de Albérico Cordeiro (PTB). Cordeiro foi o terceiro mais votado no primeiro turno, não passando para o segundo turno das eleições. No segundo turno das eleições Kátia Born (PSB), apoiada por Ronaldo, venceu a disputa contra Heloísa Helena (PT) com a ínfima diferença de 1,98% dos votos.

Na eleição de 2000 mais uma vez o PMDB de Renan não teve candidato próprio e apoiou Regis Cavalcante (PPS). A eleição foi decidida no segundo turno com uma vitória folgada da Prefeita Kátia Born, a qual obtivera 61% dos votos válidos contra 38% de Regis.

Na disputa municipal de 2004, o PMDB de Renan lançou candidato próprio, o médico José Wanderley (PMDB), o qual foi o escolhido e não passou do terceiro lugar na disputa do primeiro turno. No segundo turno o Deputado Estadual Cícero Almeida (PDT) foi eleito com uma votação de 189.697 votos (56,54%) e o segundo colocado foi o vice-Prefeito Alberto Sextafeira (PSB) com 145.842 votos (43,46%).

Na eleição de 2008 o PMDB de Renan mais uma vez não apresentou candidato próprio, teve uma participação insignificante no pleito e não conquistou nenhuma das 21 vagas da Câmara Municipal. O Prefeito Cícero Almeida (PP) foi reeleito no primeiro turno, com mais de 80% dos votos.

Na eleição de 2012, o PMDB de Renan fez uma aliança com Ronaldo Lessa (PDT) e indicou Mosart Amaral (PMDB) de vice na chapa de Ronaldo (PDT). Esta foi uma eleição atípica, em que, faltando apenas três dias para o pleito, o registro da candidatura de Ronaldo Lessa foi negado por unanimidade no Pleno do TSE e consequentemente levando o seu então adversário principal, Rui Palmeira a ganhar a eleição praticamente sem disputa.

A última tentativa de Renan Calheiros para conquistar a Prefeitura de Maceió foi na eleição de 2016. Sem ter um candidato em potencial no seu grupo para disputar o pleito, contra a reeleição do Prefeito Rui Palmeira (PSDB), teve que importar para o PMDB o ex-prefeito Cícero Almeida. Com uma campanha mal conduzida no primeiro turno, Almeida foi o segundo colocado, tendo sido quase ultrapassado na reta final pelo candidato JHC. No segundo turno, Rui Palmeira (PSDB) ganha com uma larga vantagem sobre Cícero Almeida (PMDB), impondo uma derrota para os Renans.

Apesar da reeleição de Renan Filho para o governo e de Renan para o Senado, o pleito de 2020 ainda está muito distante, muitos fatos e decisões acontecerão, pois a eleição é a fotografia do momento. No cenário atual os Renans não têm um candidato em potencial para a disputa e poderão mais uma vez não apresentar candidato próprio ou   importar um candidato como ocorreu no pleito de 2016. Diante de tal incerteza só nos resta esperar para quando outubro chegar ...

De vereador a senador, a trajetória da família Falcão.

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A história da Família Falcão na política alagoana inicia-se a partir de 1950 com a eleição para Deputado Federal do seu principal líder Sebastião Marinho Muniz Falcão (PST), com a votação de 3.894 votos.

 

Na eleição de 1955, Muniz (PSP) foi eleito governador de Alagoas com uma votação de 53.085 votos (51,66%), derrotando Afrânio Lages (UDN), quando obteve 49.669 votos (48,34%) em uma das eleições mais acirradas em Alagoas. Durante o seu governo sofreu um processo de Impeachment, contudo, o Supremo Tribunal Federal considerou-o ilegal, sendo depois anistiado do processo de impedimento por uma comissão de Deputados e Desembargadores.

 

Na eleição de 1962, Muniz Falcão (PSP) foi eleito Deputado Federal com uma votação de 15.339 votos, sendo o segundo colocado no pleito.

 

Em 1965 disputou mais uma vez o Governo do Estado,  onde  foi o mais votado entre os cinco postulantes, porém a sua vitória foi esbarrada na Emenda Constitucional nº 13, promulgada em 8 de abril de 1965, que exigia a maioria absoluta de votos para a homologação do resultado e caberia à Assembleia Legislativa resolver o impasse; contudo, por vinte votos contrários ele foi derrotado. A partir de então, o Estado de Alagoas passou a ser governado por um interventor federal, General João Tubino até o momento em que os deputados estaduais escolhessem o novo Governador, conforme previa o Ato Institucional nº3 que legitimou a eleição indireta de Lamenha Filho para governar o Estado e cuja posse aconteceu em 15 de agosto de 1966.

 

Djalma Falcão, irmão de Muniz Falcão, exerceu duas vezes o cargo de Deputado Federal (1967/1971) e (1983/1985).

 

Em 1985, depois da redemocratização do país, onde a população voltou a votar para Prefeito das capitais, Djalma (PMDB) foi eleito Prefeito de Maceió com uma votação de 56.174 votos (41,40%).

 

No pleito de 1994, Djalma Falcão (PMDB) foi o primeiro suplente para o Senado da República na chapa de Renan Calheiros (PMDB) e assumiu o Senado no período de 1998 a 1999 quando Renan tomou posse como Ministro da Justiça no governo de FHC.

 

Alcides Falcão, outro irmão de Muniz, foi eleito Vereador de Maceió na eleição de 1958 e reeleito em 1962. Ele também foi Deputado Estadual por seis mandatos consecutivos e na eleição de 1990 foi candidato a suplente de Senador na chapa encabeçada por Guilherme Palmeira, assumindo o mandato de Senador temporariamente de junho a outubro de 1998.

 

Pedro Marinho Muniz Falcão, irmão de Muniz, era popularmente conhecido como Camucé, o qual conquistou vários mandatos de vereador por Maceió.  Na eleição de 1982 foi o vereador mais votado de Maceió, obtendo 6.120 votos.

 

Na eleição de 1974, Camucé foi candidato ao Senado pelo MDB com 95.213 votos, ficando em segundo lugar. O eleito foi Teotônio Vilela (Arena), com uma votação de 140.989 votos.

 

Cleto Falcão, sobrinho de Muniz Falcão, foi eleito Deputado Estadual na eleição de 1986 pelo PMDB, com uma votação de 8.335 votos.   No pleito de 1990, Cleto foi eleito Deputado Federal pelo PRN com uma votação de 38.125 votos.

 

A Família Falcão fez história em Alagoas na luta em defesa das grandes questões de interesse social. Sempre lutou  na defesa dos grandes temas, inclusive participando ativamente dos movimentos político-sociais como a  redemocratização do país, a  campanha a favor  da anistia, a busca pela  liberdade de expressão e tantos outros, sendo a única família em que seus membros ocuparam  todos os cargos eletivos ao longo do tempo.

Qual o futuro político de Rui Palmeira?

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Nas eleições municipais de 2016, o grupo político do Prefeito Rui Palmeira foi o grande vitorioso. Ganhou as eleições para Prefeito nos dois maiores colégios eleitorais de Alagoas (Maceió e Arapiraca).

 

As projeções indicavam que com a vitória do grupo, Rui Palmeira seria um forte candidato ao governo ou ao senado nas eleições de 2018, porém, o grupo não teve a competência para que isto acontecesse.

 

O que se viu ao longo da caminhada foi uma série de desistências nas pretensões aos cargos majoritários. O ex-governador Teotônio Vilela desistiu de ser candidato ao senado, Rui Palmeira não se desincompatibilizou da Prefeitura e também não foi candidato; surgindo então a especulação de que Rodrigo Cunha seria candidato ao governo, fato que não aconteceu.

 

Depois de uma série de equívocos, já na reta final para a realização das convenções, foi lançado de última hora, a candidatura de Fernando Collor ao governo, onde dividiu o grupo, tendo logo em seguida ocorrido a desistência dele à candidatura.  O grupo ficou à deriva não teve um candidato em potencial ao governo, o que sacramentou a reeleição no 1º turno do Governador Renan Filho, que foi o grande vitorioso naquele pleito.

 

Rui Palmeira na eleição de 2018 foi um dos grandes derrotados, não conseguiu eleger o seu candidato a Deputado Federal Eduardo Canuto, o qual foi o 2º suplente na sua coligação, com 31.937 votos, como também não elegeu seu candidato ao Senado, Benedito de Lira que foi o quarto colocado, com a votação de 364.316 votos, muito aquém dos dois primeiros colocados (Rodrigo Cunha – 895.738 votos e Renan Calheiros – 621.562 votos).

 

O futuro político de Rui Palmeira irá depender do resultado das eleições de 2020 para a Prefeitura de Maceió. Se ele conseguir eleger o seu sucessor, fortalecerá a sua candidatura ao governo ou ao senado em 2022. Se disputar o governo, provavelmente, terá como seu adversário Rodrigo Cunha. Se a disputa for para o senado, terá como seus prováveis adversários, o Governador Renan Filho e o Senador Fernando Collor. Caso ele não consiga eleger seu sucessor, o caminho natural nas eleições de 2022 será a candidatura a Deputado Federal.

Marcelo Palmeira pode ser candidato pela 3ª vez a vice-prefeito em 2020?

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Segundo uma corrente de pensamento jurídico, Marcelo Palmeira não pode ser candidato a reeleição a vice-prefeito de Maceió em 2020 pela 3ª vez consecutiva, porque a eleição e reeleição para o exercício do mesmo cargo no Executivo, o torna inelegível para concorrer ao mesmo cargo.

 

Ele pode, porém, ser candidato a Prefeito (cargo diferente ao que ele ocupa), contudo, se ele tiver ocupado o cargo de Prefeito nos seis meses que antecedem a eleição ele só poderá concorrer a um mandado de Prefeito, sem a possibilidade de reeleição. Se não tiver, poderá ser eleito e reeleito. O inverso, porém, não é permitido. O Prefeito eleito não pode ser candidato a vice-prefeito na eleição seguinte.

Os partidos pequenos sobreviverão com o fim das coligações ?

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A Emenda Constitucional 97/2017 acabou com as coligações partidárias a partir da eleição de 2020.

 

Se na eleição de 2016 já tivéssemos sem as coligações; 31 partidos que participaram das eleições municipais de Maceió, apenas 7 (PSDB, PMDB, PP, PR, PSD, PPL, PV) teriam conquistado as 21 vagas na Casa de Mário Guimarães.

 

O quociente eleitoral é a razão entre os votos válidos (nominais + votos de legenda), pelo número de vagas. Na eleição de 2016 foi de aproximadamente 20.000 votos.

 

Se na eleição de 2020 os votos válidos forem próximos aos números apresentados na eleição de 2016 (415.687 votos), o quociente eleitoral ficará em torno de 17.000 votos em virtude do aumento do número de vagas para 25, ou seja, para um partido eleger um candidato terá que obter no mínimo 17.000 votos, lembrando-se que a partir da eleição de 2018, as sobras do quociente partidário foram distribuídas a partidos com maior média de votos por candidato. Antes, as sobras só eram redistribuídas entre partidos ou coligações com quociente eleitoral mínimo.

 

Com o fim das coligações, os partidos grandes que possuam candidatos com maior densidade eleitoral serão os grandes beneficiados.

 

A tendência natural é o desaparecimento da maioria dos partidos pequenos, já que eles não conseguirão atingir o quociente eleitoral mínimo, restando-lhes a possibilidade através das sobras.

Ronaldo Lessa morreu politicamente ?

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Para tentarmos responder a esta indagação temos que fazer uma pequena análise das últimas eleições em Alagoas.

Na eleição de 2006, Ronaldo Lessa passou toda a campanha sub judice, situação essa que foi determinante para sua derrota, já que durante toda a campanha, seus adversários geraram movimentos direcionados a afirmar a ideia de que os votos a ele direcionados seriam nulos. Apesar de todos os artifícios usados para derrotá-lo, ele perdeu a eleição para Fernando Collor com uma pequena diferença de 3,96%.

Na campanha de 2010, Ronaldo Lessa foi candidato ao governo sob a promessa de ter uma campanha com muitos recursos e da participação ativa da candidata a Presidenta Dilma e do Presidente Lula. As promessas não foram concretizadas e a campanha prosseguiu com mínimos recursos, enquanto que seu adversário Teotônio Vilela Filho fez uma campanha milionária e ainda teve a seu favor a máquina do Estado (Campanha do milhão contra o tostão). Apesar de todas as adversidades, Ronaldo perdeu aquela eleição com uma diferença de apenas 5,48%.

Na eleição de 2012, Lessa, mais uma vez, passou a eleição inteira sub judice, e faltando exatamente três dias para a eleição, o registro de sua candidatura foi negado por unanimidade no pleno do Tribunal Superior Eleitoral, consequentemente levando seu então adversário principal, Rui Palmeira, a ganhar a eleição praticamente sem disputa.

Na eleição de 2014, depois de tantos baques sofridos em eleições passadas, ele decidiu não alçar voos mais altos e resolveu ser candidato a Deputado Federal. Apesar de ter sido uma campanha com poucos recursos, ele foi eleito em 5º lugar, com uma votação de 88.125 votos.

Na eleição de 2018, as pesquisas apontavam Ronaldo Lessa como um dos mais fortes candidatos ao Senado da República, contudo, o mesmo não fez a leitura do momento político, não teve a ousadia de outrora, e deixou passar uma grande oportunidade de ser Senador por Alagoas; foi candidato a reeleição para Deputado Federal e cometeu um equívoco na aliança que fez, amargando assim uma derrota que o deixou na 1ª suplência para Deputado Federal, com 55.474 votos.

Para que Ronaldo Lessa continue vivo na política alagoana, é necessário oxigenar o seu partido (PDT), com a renovação dos quadros, estar em sintonia e utilizar-se das novas ferramentas de mídias sociais e repensar a política de alianças.

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