Geraldo de Majella

O cinéfilo das Alagoas

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Elinaldo Soares Barros [1947], crítico de cinema, cinéfilo, jornalista e professor de educação artística, nasceu em Maceió, dois dias antes do natal de 1947, no dia 23 de dezembro, filho do casal José Soares Filho e Elita Soares Barros. Estudou no Colégio Estadual e na Universidade Federal de Alagoas, onde iniciou as suas atividades político-culturais, sendo eleito segundo secretário do Centro Acadêmico do Instituto de Letras e Artes (ILA), na gestão de Élcio Verçosa, no biênio 1968/69.

Licenciado em Letras pela Ufal em 1970, trabalhou como professor do Colégio Guido de Fontgalland e a partir de 1974 no Curso de Educação Artística do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac).

A segunda metade da década de 1960 foi o período em que a ditadura militar recrudesceu e a censura às manifestações artísticas e políticas atingiu o seu ápice. Nesse momento difícil, um grupo de jovens cinéfilos organiza o Cinema de Artes em Maceió, tendo à frente Radjalma Cavalcanti, Gildo Marçal Brandão e Imanoel Caldas.

Todos esses jovens tinham em comum o gosto pelo cinema e pelas artes, alguns também pela política. Nem todos eram vinculados à política, mas ao movimento estudantil e suas vertentes.

Elinaldo, estudante de Letras e já cinéfilo, frequentava desde a infância os cinema de bairro, que existiam naquela época: o cine Lux, na Ponta Grossa, o Ideal, na Levada, e o Royal, no centro. Integrou essa turma de difusores da sétima arte em Maceió.

O jornalismo na década de 1960 em Alagoas ainda tinha um aspecto romântico e boêmio. Nem todas as seções do jornal eram profissionalizadas; o caderno de cultura era uma dessas áreas do jornalismo que necessitavam de colaboradores, e foi a partir da critica de cinema e até mesmo das crônicas esportivas que intelectuais e jovens universitários passaram a colaborar mais assiduamente.

 

Os primeiros trabalhos publicados de sua autoria foram crônicas esportivas no Diário de Alagoas. Com o fim desse jornal, passou a escrever criticas de cinema no Jornal de Alagoas, que na naquela época era o mais antigo jornal do Estado, órgão de comunicação impressa onde mais publicou, inclusive assinando uma coluna chamada “Cinema”.

Colaborou ainda em outros jornais diários e semanais como: Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas, O Jornal e O Diário. Escreveu em 1985, para o jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Voz da Unidade, o artigo “Uma Visão Histórica do Cinema de Alagoas”. Ainda escreveu nos jornais e revistas que foram surgindo e logo em seguida despareciam, em alguns casos sendo obrigados a fechar por força da pressão econômica. Foi o caso da revista Última Palavra. Versátil, também colaborou com o jornal semanal da arquidiocese de Maceió, O Semeador.

A longeva atividade de critico de cinema, toda ela exercida como colaborador nos jornais e nas televisões de Alagoas, o coloca na condição do mais influente intelectual nessa área. Formou várias gerações de professores, jornalistas e de espectadores.  

Foi comentarista de cinema na Tv Gazeta, afiliada da Rede Globo. Atualmente é comentarista da Tv Pajuçara, afiliada da Rede Record em Alagoas. Em companhia do médico e acadêmico Ismar Gatto e de Maria Flora de Melo Soares, sua esposa, produziu um programa que marcou época no rádio alagoano: “Difusão Cultural”, veiculado pela Radio Educativa FM.  

Na década de 1970 o Diretório Central dos Estudantes da Ufal organizou alguns Festivais Estudantis de Música Popular. Imediatamente foi convocado pelas lideranças estudantis para colaborar. 

Na condição de funcionário da Secretaria de Cultura participou da organização de outros eventos importantes, como o Festival de Fotografia, o Salão de Humor, o Festival de Verão de Marechal Deodoro e vários Seminários de Literatura. Ainda foi diretor, por dois anos, do Museu da Imagem e do Som (Misa).

O maior e mais significativo momento do cinema alagoano ocorreu entre 1975 e 1982, período em que foi criado o Festival do Cinema Brasileiro de Penedo (AL), um evento de excepcional importância para os cineastas locais e também para a produção nacional, com sede na cidade barroca ribeirinha de Alagoas. Os festivais atraíram público, cineastas e produtores de várias partes do país e passou a ser uma das referências do cinema nacional. Em todos os festivais de cinema trabalhou na organização, pois na época era funcionário do Departamento de Assuntos Culturais (DAC) da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas.

É critico de cinema em Alagoas desde 1969. São 42 anos de atividades ininterruptas. Em 2010, foi relançado em segunda edição o livro Panorama do Cinema Alagoano, sob o patrocínio do Cesmac.

Obras de Elinaldo Barros: Panorama do Cinema Alagoano, apresentação de Jorge Barbosa, capa e montagem fotográfica de Esdras Gomes, Maceió, DAC/Senec/Sergasa, 1983; Cine Lux: Recordações de um Cinema de Bairro, Maceió, Edicult/Secult, 1987 (prêmio da AAL em 1988); Rogato: a Aventura do Sonho das Imagens em Alagoas, com uma Apresentação Quase Desnecessária, de José Maria Tenório Rocha, Maceió, Secult [1994]; O Povo Diante das Lentes, in Arte Popular de Alagoas, de Tânia Pedrosa, p. 105.

As livrarias e os livreiros

 

Há entre as profissões uma que particularmente me seduz: a de livreiro. Comercializar livros é disponibilizar um bem cultural que contribui para transformar as pessoas e o mundo.

É recorrente lembramos de livreiros e livrarias. Monteiro Lobato foi múltiplo, criou a livraria Brasilense, foi editor, jornalista e um extraordinário escritor. Outro nome que sobressai no cenário nacional é o de José Olympio, editor e livreiro. Na sua famosa livraria os principais intelectuais do Brasil se reuniam. Entre esses o alagoano Graciliano Ramos, junto a Jorge Amado, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e tantos mais. Os encontros diários na livraria José Olympio se tornaram célebres e marcaram definitivamente a história da literatura brasileira.

Não é raro ouvirmos referências às livrarias que foram importantes, mas que por motivos outros fecharam suas portas. Essas lembranças surgem num clima de certa nostalgia, seja entre jovens intelectuais, estudantes, ou entre antigos leitores que freqüentaram ambientes agradáveis como são os das livrarias. Por mais simples e singelas que sejam, paira nas livrarias uma aura de saber sobre os livros e prateleiras.

As gerações que adquiriram o hábito da leitura e estabeleceram com o livro uma relação de amor sentem pelas livrarias uma atração indescritível, diferentemente dos que estão se formando em contato direto com o mundo virtual. O livro em papel é algo menos prazeroso, imagino. As janelas que se abrem ao mundo através da tela de computador vêm via conexão à rede mundial, onde é possível acessar as mega-livrarias virtuais que disponibilizam milhões de títulos em todos os idiomas e dialetos. Algo impensável até bem pouco tempo. Isso evidencia que o livro no formato tradicional continuará sua trajetória secular e insubstituível.

 

Antigas livrarias de Maceió

 

Livraria em Maceió sempre foi uma atividade econômica de pouca expressão. No entanto, esse tipo de negócio marcou época na cidade e na vida cultural de Alagoas. A livraria Casa Ramalho, fundada por Manoel Joaquim Ramalho, foi um grande marco na vida cultural de Alagoas no século XX. Estabelecida na rua do Comércio, funcionava também como editora. Pela Ramalho, nomes como Jayme de Altavila, Humberto Bastos, Alfredo Brandão, Craveiro Costa, Théo Brandão, Abelardo Duarte, Felix Lima Júnior, Humberto de Araújo Cavalcanti e tantos outros importantes intelectuais foram editados e tiveram seus livros vendidos por mais de setenta anos.

A rua do Comércio era o principal logradouro da “Maceió de Outrora”. Nessa mesma rua funcionou por muitos anos a livraria José de Alencar, propriedade do Enéas, local que também aglutinou intelectuais nas décadas de cinqüenta, sessenta e setenta na cidade. Já na Moreira Lima reinava a livraria Castro Alves do livreiro José Barros.

Em Maceió, na década de 1970, instalou-se a Livro 7, livraria originária de Recife que funcionou de 1976 a 1983, e ajudou durante esse período na ampliação do horizonte de leituras na cidade. Quando o País vivia as agruras de uma ditadura militar, o mercado editorial se ressentia em não poder editar livros que aos olhos dos ditadores eram tidos como subversivos. A intensa censura aos meios de comunicação, as artes em geral ampliava o terror, intimidava, para dizer o mínimo.

Os editores mais ousados corriam os riscos e colocavam pequenas edições no mercado. A Livro 7 era uma dessas livrarias que ousava e corria os riscos necessários para difundir os bons livros e arejar o ambiente pesado e turvo da cidade. Comercializar livros que expressassem o pensamento filosófico e político de esquerda ou simplesmente de adversários do regime militar era um ato de ousadia e uma maneira de resistir à tirania.

Localizada na rua Cincinato Pinto, a Livro 7 não demorou muito tempo e tornou-se um ponto freqüentado pela intelectualidade de esquerda e democrática. Em torno dos livros, nos finais de tardes reuniam-se jovens ativistas, estudantes, professores universitários, profissionais liberais. Era o point de que a rapaziada necessitava. Os encontros serviam para discutir, resenhar o último livro lido, comentar o filme da semana - não eram muitos, pois o cinema andava em baixa -, falar mal do governo militar e marcar o encontro para a farra no final de semana no Bar do Alípio, à beira da lagoa Mundaú ou no Ipaneminha, na Pajuçara.

O leitor que desejasse adquirir os clássicos da economia política do filósofo alemão Karl Marx, por exemplo, não teria outro local mais apropriado que a Livro 7. O teatro do dramaturgo alemão Bertold Brecht, a poesia russa e universal de Maiakoviski, a de Ferreira Gullar, o teatro de Dias Gomes ou do “marginal” Plínio Marcos, perderia tempo quem fosse a outro local que não a Livro 7. A livraria tornou-se o ponto de encontro da esquerda dos anos 70 e 80 em Maceió. Durante um certo tempo, na década de 80, quem se tornou vizinho da Livro 7 foram os comunistas do PCdoB, o que fez aumentar ainda mais a aglomeração de militantes da esquerda alagoana na livraria. A razão social da Livro 7, a partir de 1983, muda, passando a se chamar Caetés, nome que permanece até hoje, no mesmo local, sob a direção do João Pereira.

Alagoas durante boa parte do século XX teve altas taxas de analfabetismo, rivalizando com o Piauí. Se levarmos em consideração as estatísticas do censo de 1950, Alagoas tinha 77,9% e o Piauí 78,4% de analfabetos. Argumento forte para qualquer cidadão pensar muito ao decidir instalar uma livraria ou editora e se perguntar: quem compraria livros nessa terra?

O Brasil tem apenas 2.008 livrarias e uma população que ultrapassa os 180 milhões de habitantes, o que dá, em média, um estabelecimento para cada 89,6 mil habitantes. A Argentina, nosso vizinho ao sul do continente, chegou a ter 950 livrarias para uma população de 37 milhões de habitantes, o que dá, em média, 34,9 mil habitantes para cada estabelecimento. Cerca de 250 livrarias fecharam com a crise econômica, mesmo assim ainda há 700 livrarias. O que dizer de Paris, que tem duas mil livrarias apenas na capital francesa?

Entanto, não há por que desanimar. Como nem tudo está perdido, muitas livrarias nas últimas décadas abriram e fecharam em Maceió (mas isso faz parte de outra história, não desta que contamos aqui).  É crescente a profissionalização e o empenho de livreiros, editores e escritores, o que gera um significativo incremento na venda de livros em nosso Estado.

 

A refundação da polícia é o novo desafio

As mudanças pelas quais o Brasil tem passado nas últimas três décadas são marcantes. Houve a superação de uma longa ditadura militar, sendo eleita uma Assembleia Nacional Constituinte, de onde se originou uma nova ordem constitucional. Assim foi instaurado o Estado de Direito Democrático, que havia sido violado a partir de 1º de abril de 1964, com o golpe civil-militar que depôs o presidente João Goulart.

 

A polícia é imprescindível para o cumprimento das funções definidas na Constituição Federal, na manutenção da ordem pública.

 

Esse tema é um dos principais desafios e um dos últimos − talvez a última – herança significativa remanescente da longa noite de 21 anos em que se instaurou a ditadura.

 

As principais candidaturas à presidência da República passam ao largo dessa questão, e por isso mesmo não fazem menção ao tema. Os cuidados mantidos pelos candidatos e por seus assessores são calculados para não deixar margem a discussão e muito menos que se venha eventualmente a contrariar as corporações.

 

A refundação da polícia só poderá ocorrer sob pressão da sociedade e da mídia sobre o Senado, onde tramita a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 51/2013, de autoria do senador Lindbergh Farias (PT/RJ).

 

            A proposta de desmilitarização da polícia brasileira tem origem em discussões entre especialistas, entidades de direitos humanos e profissionais de segurança pública. Estes consideram o assunto polêmico, dada a natureza e a força corporativa que os policiais ainda detêm no aparelho de Estado.

 

Mas o elevado grau de ações violentas protagonizadas pela Polícia Militar em todo o país coloca em evidência as discussões sobre o fim do vínculo da corporação com as Forças Armadas. Prevalece o entendimento de que as corporações devem estar próximas da sociedade, dotadas de uma formação cujo principal objetivo é a proteção da cidadania e os direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal.

 

O projeto do senador Lindbergh Farias prevê a carreira única e que os estados teriam autonomia para estruturar os próprios órgãos de segurança pública. A nova polícia faria os trabalhos ostensivos, como a investigação, funções hoje atribuídas, respectivamente, às polícias militar e civil.

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Ministério da Justiça mostram que 73,7% dos policiais apoiam a desmilitarização. Entre os policiais militares, o índice sobe para 76,1%. O levantamento ouviu 21.101 policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, bombeiros e peritos criminais de todo o país entre os dias 30 de junho e 18 de julho.

 

Segundo Renato Sérgio de Lima, pesquisador da FGV e membro do fórum, a maioria dos entrevistados apontou a transição para o caráter civil e a integração das polícias em uma carreira única como caminhos para a modernização das corporações. “Eles identificam um limite no modelo atual. Os policiais apoiam o fim da Justiça Militar e a desvinculação do Exército para que o foco seja a proteção da sociedade, e não os interesses do Estado. Isso não significa ausência de disciplina, hierarquia, uniformes e controle, elementos necessários em uma organização policial”, esclarece o pesquisador da FGV.

Fonte:

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/excessos-cometidos-por-pms-impulsionam-debate-sobre-desmilitarizacao-da-policia-1256.html

A beleza feminina desfila na sorveteria Bali

Faz alguns anos que eu escolhi a sorveteria Bali como o meu escritório, e em suas cadeiras e mesas tenho passado as tardes, na maioria das vezes. É para mim o melhor lugar que encontrei na cidade de Maceió. A sorveteria fica na praia de Pajuçara, de onde se pode contemplar a beleza do mar esverdeado e sentir a brisa que sopra do oceano para a terra.

 

         Sentado, tomando sorvete, café e jogando conversa fora − essa tem sido a minha gostosa rotina nos últimos treze anos em Maceió. Uma ressalva: quando saio do trabalho, claro. Os amigos que passam, sentam e conversam; fala-se de coisas interessantes da vida de cada um e da vida alheia, lógico.

 

Entre os meus muitos e queridos amigos há um com quem religiosamente sento para conversar e tomar sorvete: é o escritor e cronista Carlito Lima. O mais entusiasta entre os amigos pelas coisas de Alagoas, pelo mar, pelas comidas, pelos bens imateriais e, mais que qualquer um de nós, um admirador da beleza feminina.

 

No dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, telefonei para ele, como faço diariamente, e perguntei: − Capita, vamos à Bali, olhar as mulheres bonitas?

Ouvi a resposta pronta: − Vamos, meu irmãozinho.

 

Tomamos sorvetes de sapoti, mangaba e pitanga, pedimos depois café com leite e arrematamos com pão de queijo. Passamos uma boa parte da nossa tarde e início da noite refletindo sobre uma situação que já tínhamos observado, mas nunca havíamos nos debruçado sobre o tema, seriamente.

 

Talvez por estarmos na antevéspera do Natal e nos acharmos mais atentos para o movimento da sorveteria, o entra-e-sai de crianças, jovens, mulheres e casais. Em menos de vinte e cinco minutos, quatro homens − um italiano, um alemão, um francês e um português − acompanhados de lindas mulheres brasileiras e negras.

 

Esse fato realmente chamou a nossa atenção; talvez haja acontecido outros encontros, mas num espaço de tempo maior e não tínhamos notado como hoje.

 

A satisfação e o encantamento deles − dos gringos − pelas mulheres era visível, indisfarçável. Não havia possibilidade de fingimento. Mas não foram apenas esses quatro casais que estivemos, eu e Carlito, a observar extasiados como se fôssemos fiéis defensores da mulher brasileira, e da alagoana em especial, uma espécie de defensores tardios de uma exclusividade imaginária.

 

Sem que combinássemos, cada um de nós ergueu muros intransponíveis para que os estrangeiros, mesmo os portugueses, fossem impedidos de escalar, ou seja, namorar as “nossas ‘mulheres; no meu caso, particularmente, as mulheres negras, e muito menos ainda namorar em nossa presença. Pairou um sentimento de ciúme extremo. 

 

Esse delírio ou crise de ciúmes tardio pode ser imputado aos cafés. As nossas imaginações, sonhos; posso falar sem pudor para os internautas: os nossos ciúmes chegaram ao ápice durante a tarde.

 

Silenciosamente passamos a tarde da antevéspera do Natal namorando aquelas belíssimas mulheres negras, e nenhuma delas nos dirigiu o olhar, nem por compaixão; balbuciávamos palavras de afeto, até juras de amor eterno; prometemos em voz baixíssima e nem assim elas percebiam a nossa presença. Estavam cegas para nós dois, e mesmo sentados em posição estratégica na sorveteria, de nada valeu.

 

Ensaiamos um concurso particular e estipulamos notas por atributos anatômicos. Os quesitos obrigatórios, como bumbum, seios e coxas, foram votados na maioria dos casos com notas máximas: dez, com louvor e distinção.

 

A noite foi caindo, os casais felizes com suas negras saradas e ditosas foram saindo em direção as suas alcovas, imagino, e nós, membros de um júri fictício, pagamos a conta e fomos cada um para a sua casa, assistir ao Jornal Nacional e à novela das oito.

    

    

Polícia para quem precisa

São Paulo é a maior metrópole do Brasil, com 11.253.503 habitantes, e uma das cinco maiores cidades do mundo, com área territorial de 1.521.101 km². A cidade tem sido, há mais de um século, um marco referencial no crescimento urbano brasileiro. Mas há um passivo social relevante a ser equacionado.
 
A luta por moradia é um desses problemas históricos, ocorrendo, devido  à organização dos movimentos sociais, ocupações de terrenos e edifícios abandonados, públicos ou privados.
 
A mídia noticiou mais um conflito no centro de São Paulo, em que centenas de famílias viviam num hotel abandonado há mais de dez anos. A reintegração de posse do imóvel foi realizada sem a necessária mediação para o cumprimento da ordem judicial, verificando-se violência tanto por parte da polícia quanto dos ocupantes. 
 
É sabido que a polícia de São Paulo e, para se fazer justiça, dos demais estados não está preparada para tratar de assuntos sociais. Continua a receber uma formação militarizada e se prepara como e para uma guerra, quando, em verdade, o “inimigo” são cidadãos pobres, crianças, mulheres, idosos, grávidas e adultos trabalhadores.
 
Diante dessa situação o caldo de cultura necessário para o confronto está posto: ausência de diálogo, intolerância, inabilidade no trato das questões sociais e a disposição para a violência, amparada na formação militarizada para matar o “inimigo”, com base na ideologia belicosa oriunda da ditadura militar.
 
No bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, um policial militar, diante de uma multidão de comerciantes, funcionários das lojas, clientes e ambulantes, presencia o assassinato de um ambulante, com um tiro na cabeça, disparado por outro policial.
 
As imagens denunciam a incapacidade e o despreparo dos policiais paulistas. O conflito ocorrido entre ambulantes e a polícia militar e/ou a guarda municipal faz parte do cotidiano daquela metrópole.
 
Os eventos deixaram prejuízos materiais e econômicos, mudaram a rotina de trabalho da região conflagrada e aumentaram ainda mais o clima de insegurança da população na maior cidade do país, com repercussão em nível nacional.
 
Os conflitos sociais devem ser mediados com diálogo e inteligência. Ocorre que a polícia militar tem sido historicamente usada pelo Executivo e pelo Judiciário como instrumento de coação contra, tão somente, as populações empobrecidas e suas organizações. Em outros estados e cidades também se observam barbaridades semelhantes.
 
As polícias têm causado insegurança quando violam os direitos fundamentais e principalmente quando agem sem nenhum preparo técnico ao se defrontarem com questões sociais. Esta conclusão não requer muito esforço intelectual é uma evidencia clara. Por isso a banda de rock paulistana Os Titãs nunca foi tão atual ao dizer que: Polícia!/ Para quem precisa/ Polícia!/ Para quem precisa/ De polícia...
  

 

Toque de recolher em Anadia

Anadia tem uma população estimada em 17.972 habitantes (IBGE, 2014), a cidade comemorou em julho 202 anos da sua elevação à categoria de vila.
O nome original do município era Campos do Arrozal de Inhauns e, em 1801, quando foi elevado à categoria de vila, passou a ser chamada de Vila Nova de São João de Anadia, em homenagem ao Visconde de Anadia, ministro português que autorizou a criação da vila. A freguesia foi instalada em 1802.
A área total do município é de 189,473 km² e esta situada no Bioma da Mata Atlântica. O que predomina como fonte econômica é a agropecuária e plantações de cana de açúcar. A agricultura familiar que no passado foi preponderante hoje é residual.
Mas o que vem chamando a atenção dos moradores da cidade é a crescente violência urbana. A violência tem algumas semelhanças com o que ocorre nas cidades maiores, por exemplo: o “toque de recolher” em determinadas regiões da cidade.
A localidade de Baixa da Pedra é um desses lugares onde o tráfico varejista de crack tem exercido esse poder. A polícia militar à noite não entra. Pequenos guetos vão se consolidando quando o Estado abandona as suas funções.
Em lugar do Estado entra em ação um “grupo” de justiceiro constituído para eliminar os traficantes e varejistas.
O saldo segundo os comentários dos moradores é estimado entre 18 a 20 execuções de adolescentes e jovens envolvidos com assaltos, homicídios, consumo e tráfico de drogas na cidade e região.
O que esta acontecendo em Anadia também acontece em outras cidades de Alagoas.     

 


 

 

 

O menestrel Aldemar Paiva

Aldemar Buarque de Paiva, filho de Mário Fortunato de Paiva e Maria Luiza Buarque de Holanda Paiva, nasceu em 20 de julho de 1925, na Rua do Macena, no Centro de Maceió, capital do Estado de Alagoas. Esta rua é um dos cenários do romance Angústia, escrito por Graciliano Ramos. Ao completar 23 anos, participou da inauguração da Rádio Difusora de Alagoas – ZY0-4.

A voz de Aldemar foi a primeira que se propagou − através das ondas do rádio − ao transmitir a solenidade de inauguração, no dia 16 de setembro de 1948, da primeira rádio de Alagoas. Este fato já o colocou na história da radiofonia brasileira.

Mário Marroquim era o diretor-geral da emissora, e Aldemar Paiva exerceu as funções de diretor artístico e de programação. O seu talento logo foi percebido pelos colegas e mais ainda pelos ouvintes da emissora pioneira de Alagoas.

A sua permanência no rádio alagoano foi curta: teve duração de apenas dois anos. Em 1951 foi trabalhar no Rádio Clube de Pernambuco – PRA-8 e no dia 20 de dezembro de 1952 começou um dos mais duradouros programas de rádio do Brasil, o Pernambuco, Você é Meu. Depois de dezesseis anos trabalhando no Rádio Clube, foi transferido, em 1968, para a Rádio Jornal do Comércio. Lá, continuou com o programa Pernambuco, Você é Meu até outubro de 1977.

Pernambuco, Você é Meu ficou no ar em duas estações de rádio durante 25 anos. Nesse período foi um dos mais importantes programas do rádio daquele estado. A música de qualidade foi sempre o que o norteou.

Aldemar Paiva fez parcerias com os músicos Rossini Ferreira, Inaldo Vilarim, Beto do Bandolim, José Meneses, Zé Gonzaga, Juraci Alves e o maestro Nelson Ferreira. A dupla Aldemar e Nelson Ferreira, seu parceiro mais constante, compôs: Bloco do Ataulfo, Saudade, Ninguém segura este Recife, Pernambuco, você é meu e Tem jeito, sanfona.  

Lourenço Capiba, ícone da música brasileira, foi outra amizade da vida inteira; nem por isso se tornaram parceiros de muitas músicas. Os dois até fizeram algumas músicas em parceria, que ainda não foram gravadas. Estão guardadas no arquivo de Aldemar.   

Não há precisão – pelo menos eu não tenho −, nesses 62 anos de vida artística, quanto ao número exato de músicas que Aldemar Paiva gravou ou outros cantores gravaram: de sua autoria ou em parcerias. A sua memória só alcança até o momento 62 composições gravadas.

Em seu escritório de trabalho estão nas gavetas cerca de dez músicas à espera de cantores, ou que ele ainda não apresentou aos seus amigos − entre estes, o mais importante cantor de frevo, Claudionor Germano, para que sejam gravadas.   

Esse homem multimídia tem sido reconhecido pelo valor como compositor, humorista, radialista, escritor, cordelista, em Recife e em outras cidades do Brasil. Foi agraciado com o título de cidadão pernambucano, mas nunca deixou de cantar a sua terra natal, Alagoas.

A Difusora foi inaugurada e Maceió ganhou uma bonita música, um hino. Verdadeiramente, a música Pajuçara de Aldemar Paiva deveria se tornar o hino oficial de Maceió. A primeira vez em que essa música foi executada foi no dia 16 de setembro de 1948, na inauguração da rádio. Muitos anos depois a cantora alagoana Leureny Barbosa gravou e assim a imortalizou num long play.

Desde esse momento Pajuçara entrou no coração dos alagoanos de Maceió e também no coração dos que para cá chegaram ou ainda estão chegando para viver junto ao mar e à sombra dos coqueirais.

A música Pajuçara tem para Maceió a mesma importância que Copacabana, música de João de Barros, tem para a cidade do Rio de Janeiro. O amor devotado à sua terra é uma marca na sua obra de compositor, humorista, radialista, escritor. Em vários momentos da sua vida cantou Maceió e suas belezas naturais.

Aldemar é o nosso menestrel.

 

Pajuçara

 

Eu que conheço meu Brasil

Sei muito bem

Das lindas praias, coqueirais, que ele tem

Por isso afirmo nestes versos que compus

Em Pajuçara há mais encanto, há mais luz

Pajuçara, onde o mar beija as areias

Com mais alma e mais amor

Pajuçara, lindo berço de sereias

Que nos deu o criador

Pajuçara que refletes num sorriso

O teu coqueiral em flor

Tens uma beleza rara

Pajuçara.

 

 

 

 

   


 

Incluir Direitos Humanos na Agenda Política

 

O Brasil foi o primeiro país do Cone Sul a fazer a transição da ditadura militar (1964-1985) para a democracia. O regime militar resistiu, criou as condições ideais para realizar o que ficou consignado como a transição lenta, segura e gradual. Em 1979, o general João Figueiredo, o último ditador, enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que concedia a anistia para os presos e perseguidos políticos, entre eles os exilados e banidos.

Em vinte e um anos de ditadura, entidades da sociedade civil e personalidades do mundo cultural, jurídico, religioso e político denunciaram nacional e internacionalmente inúmeras violações dos direitos humanos, como a tortura, prisões, assassinatos e o desaparecimento de patriotas.

A luta em defesa dos direitos humanos, para muitos no Brasil, passou a simbolizar em primeiro plano as campanhas pelas liberdades, contra a censura, em favor do direito a manifestação e organização de partidos políticos, direitos suprimidos pelo regime militar.

Ao ser concluído o processo de transição, a democracia foi referendada através de eleições livres e da Assembleia Nacional Constituinte, que deu origem à nova ordem constitucional. O desmanche do arcabouço jurídico institucional não aconteceu de maneira automática. As resistências surgiram em todas as áreas do Estado brasileiro. E os setores mais comprometidos com a luta antiditatorial de um modo geral se bastaram com a defesa dos direitos humanos, quando o violador era o Estado ditatorial brasileiro.  

 A sociedade civil demorou a compreender que no momento pós-ditadura, a luta em defesa dos direitos humanos deveria ser ampla e focada nos setores mais vulneráveis. As bandeiras propostas inicialmente pelos partidos de esquerda foram se esvaindo com o lento cessar dos ecos ditatoriais.

O Estado brasileiro mantém-se como um violador contumaz dos direitos humanos, agora – desde 1988 − regido por uma nova ordem constitucional, mas com vícios antigos e com um aparelho de segurança ainda sob forte inspiração do período ditatorial, traduzido no militarismo adquirido no pós-64.     

As políticas públicas implantadas pelo Estado brasileiro têm os seus principais adversários nos remanescentes do período ditatorial: corporações militares, parlamentares direitistas, conservadores identificados com grupos de extermínios, setores da mídia, áreas do Poder Judiciário, entre outros.

O desafio posto é a transformação das políticas de promoção, proteção e defesa dos direitos humanos em bases centrais da política de Estado. Assim como o combate a inflação se transformou numa quase obsessão nacional e que, ao fim e a cabo, vem logrando êxito independentemente do partido político que esteja governando.

A afirmação dos direitos humanos não pode ser uma palavra de ordem, e muito menos um recurso de marketing utilizado pelos governantes em efemérides ou em solenidades realizadas em salões palacianos. A afirmação dos direitos humanos se dará na construção de ambientes do Estado brasileiro, nos três poderes. Quando se tratar da execução das políticas públicas, os três níveis do Executivo (União, Estados e Municípios) devem atuar em sintonia, no financiamento das políticas, na execução, na avaliação, no controle e na prestação de contas.

A integração das políticas públicas modificará, no médio e no longo prazo, a concepção do agente público, resultando na inevitável transformação da relação entre governos e sociedade. A implantação de políticas afirmativas de direitos humanos é o caminho mais curto para a superação da barbárie.            

A voz da minha avó

Acordei ouvindo uma voz que me era muito familiar. Levantei, fiquei de pé para ter a certeza de que estava realmente acordado. De fato estava acordado, mas permanecia com a sensação de que estava ouvindo a voz. Era uma voz suave, pausada, carinhosa. Era a voz de dona Rosinha, minha avó. Passados tantos anos da sua morte, voltei a me lembrar de dona Rosinha, que era assim conhecida, mas fora registrada como Rosa Soares de Moura.

Logo após a sua morte, passei muitos anos com o som da sua voz em minha cabeça. Quando acordava, antes de ir dormir, na hora do banho, caminhando na praia...

         A lembrança me acompanhou por muitos anos, mas fazia algum tempo que não me ocorria lembrar. No entanto, isso não significa que tenha esquecido seu jeito carinhoso e afável. A saudade me acompanha aonde quer que eu vá.

         Demorou muito tempo para que eu entendesse – e não era segredo de família − que a dona Rosinha não era a minha avó e sim a bisavó. Quando minha mãe (Marinalva) nasceu, seu pai, meu avô Moisés, morreu. O fato de a avó Novinha (Maria Fidelis de Moura) ter ficado viúva fez com que ela entregasse a criança para a bisavó criar.

A criança foi registrada como filha da avó dona Rosinha. É por isso que eu chamo e sempre chamei de Vó Rosinha ou dona Rosinha.

         Nunca passou pela minha cabeça, nem quando era criança, e hoje também não me preocupo em saber o que ela fez na vida. O que me atraía era a sua fala mansa, pausada e, claro, os seus mimos, distribuídos sem sovinice.

         As lembranças dos tempos em que eu era criança e fazia travessuras em sua casa ou para lá corria, fugindo de punições certas de minha mãe − não sem razão, pelas diabruras que realizava. A sua casa, arejada, com um quintal grande e com um pomar bem cuidado, era o meu esconderijo preferido.

         Surras não eram permitidas. A casa da Rua Nova era território liberto. Ninguém ousava usar castigos físicos; nem minha mãe, com sua vocação autoritária, ousou. O meu refúgio sempre foi a casa de dona Rosinha.

         O quintal-pomar tinha as frutas da minha preferência em abundância: sapoti, pitanga, manga-rosa, manga-jasmim, goiabas brancas e rosas, um pé de romã. E tinha o melhor: a Josefa, fiel escudeira, uma negra alta, de mãos grandes e habilidosas, uma artista na cena doméstica. O que de melhor comi foram os quitutes feitos pela Zefa. A minha memória afetiva me conduz: lembro-me dos sabores e dos prazeres da cozinha e da casa de dona Rosinha.

         O lanche das tardes era sagrado. Doces de coco com mamão, leite, caju, broas de goma quentinhas, pé de moleque. O forno a lenha estava sempre aceso. O café passado na hora, torrado em casa. Tudo ou quase tudo era caseiro. As broas começavam a ser preparadas após o almoço.

Dona Rosinha, sentava na sua “cadeira da vovó”, que ficava na sala de visita, ajudava na confecção das broas de goma. Quem fosse chegando era convocado para o trabalho artesanal de produção de broas de goma, iguaria também conhecida como sequilho, feito da farinha de mandioca.   

         No sábado, dia da feira, a despensa da casa era abastecida com os mantimentos. A energia elétrica era a grande novidade na cidade, e a geladeira − aliás, dona Rosinha, acredito, não chegou a conhecer esse bem, hoje indispensável a qualquer residência.

A água tratada para consumo humano era outra novidade. Demorou alguns anos para que todas as casas tivessem ligações e pudessem consumir água tratada e fornecida pela Casal. O abastecimento de água da casa vinha da cacimba e era armazenada nos potes de barro. Estes eram cuidadosamente colocados num dos cantos da cozinha, do lado da sombra, para manter em temperatura amena, assim resfriando o líquido, observando-se o cuidado para que não entrassem insetos.       

         Esse ritual demorou alguns anos; não foram muitos, mas como tudo naquela casa era simples e comum, talvez por isso tenha sido tão marcante para mim. Essas lembranças que emergem durante um sonho ou quase sonho, para mim, constituem uma evidência de quão importante são as avós. E como é saudável a infância quando é bem vivida − e se for numa pequena cidade, melhor ainda.

         A mesa da casa era o parlatório. A sala de visita era um ambiente confortável, mas onde pouco tempo ficávamos. O melhor lugar da casa era a sala de refeições, área interligada, separada apenas por uma meia-parede com a cozinha.

 Esforço-me para lembrar se em alguma ocasião houve alteração na sua voz. Se houve algum grito, esporro ou resmungo.  

         Resmungar é uma condição, dizem, inerente aos velhos, chatos e mal-humorados. Em nenhuma dessas categorias é possível enquadrá-la. A forma como dona Rosinha se dirigia aos adultos e a nós crianças era a mesma: carinhosa e educada. Hoje, percebo o quanto ela prestava atenção em nossas falas.

         Os conselhos, as orientações e as repreensões eram dados sem que houvesse constrangimentos. Os resmungos, esses sim, algumas vezes eram feitos por nós, ao sairmos da mesa. 

 

A dona Rosinha sabia das coisas.   

        

 

 

É Preciso Lutar

Admiro o cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor titular da Unesp, desde o final da década de 1970, nessa época um jovem e influente intelectual da esquerda paulista. Essa admiração cresceu mais ainda com o tempo.    

Entrei em sua página no facebook, como de costume, e li um dos seus textos, com o qual tenho total concordância: “Uma coisa é quando a direita ataca a esquerda e os democratas com grosserias e infâmias. É da cultura dela fazer isso. Outra coisa é quando a esquerda se vale dos mesmos procedimentos fascistas para atacar, não a direita, mas as esquerdas e os democratas. A questão não é de mais ou menos vitimização, mas sim de mais ou menos honestidade, critério e fidelidade às próprias tradições. É uma questão que tem a ver com o método de fazer política e explicitar diferenças. Dizer que bato nos outros porque eles bateram antes em mim e por isso tenho o direito de mentir e difamar não é coisa de gente de esquerda. Nem de gente séria”.

 

        As campanhas eleitorais há muito tempo não são dirigidas pelos partidos políticos e menos ainda se inspiram em ideias dos seus intelectuais orgânicos, nem os acadêmicos, como era a tradição dos partidos de esquerda, centro ou de direita, até 1990. Esse marco temporal pode ser um pouco antes ou um pouco depois. Fica na margem de erro ou margem de segurança.

        As diretrizes das campanhas, os temas, as falas dos candidatos são emanadas dos marqueteiros e principalmente do que se apura nas pesquisas de opinião pública, as chamadas pesquisas qualitativas ou “qualis”, como são tratadas na intimidade.

        A disputa da presidência da República esta acontecendo entre duas mulheres, ambas com trajetórias de esquerda, e entre dois partidos com histórias que se cruzaram nos últimos 29 anos, para ficar nesses dois pontos, aparentemente convergentes.

        Mas quando o centro da campanha é a desconstrução da adversária, como faz Dilma Rousseff contra Marina Silva, tudo que se havia criticado e combatido, que a direita fazia de maldade, baixarias e mentiras, até bem pouco tempo antes da chegada ao poder, agora é natural, é parte da estratégia de campanha.

        Vergonhoso é perder, mas para ganhar vale tudo, até golpe abaixo da linha da cintura.

        Aguardemos o próximo round.

         

       

 

 

 

 

 

 

 

 

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